A vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, atacou diretamente Donald Trump nesta segunda-feira (22/7) a quem descreveu como um abusador de mulheres. Em um discurso à equipe de campanha, o primeiro após a desistência de Joe Biden, ela defendeu o trabalho do atual presidente e marcou as primeiras diferenças entre ela e o adversário republicano. “Eu lidei com criminosos de todos os tipos. Predadores que abusaram de mulheres, homens fraudulentos que estragaram o trabalho de consumidores. Eu conheço Donald Trump, eu conheço o tipo dele”, disse Kamala, que é o nome mais cotado para assumir a posição de candidata à Casa Branca pelo partido democrata.
A conotação do discurso de Kamala mirou a figura de Trump como um homem que não respeita a lei e quer levar os Estados Unidos “de volta ao passado”. Ex-procuradora, ela lembrou os 34 processos aos quais ele responde e se posicionou como uma mulher que construiu carreira contra homens criminosos, em uma alusão a Donald Trump.
Em outra fala direta à parcela feminina do eleitorado, Kamala defendeu o direito ao aborto e disse que Trump, se tiver chance, assinaria uma proibição ao aborto em todo país. “O governo não deve dizer o que uma mulher deve fazer com o seu corpo.”
Outro ponto para o qual a vice-presidente dedicou atenção foi a condição da classe média. Ela disse que a política econômica de Trump é ruim para as pessoas que não são ricas. “Os Estados Unidos já viveram com esta política no passado, elas não levaram prosperidade, levaram à desigualdade e à injustiça econômica”.
Kamala marcou a campanha dela como uma defensora do futuro pela preservação de direitos, liberdade, oportunidades e uma promessa de “América”. Em contraposição, disse que a outra opção seria um retrocesso e um país de “caos, medo e ódio”.
Antes de marcar posição, Kamala defendeu o mandato de Joe Biden, expressou a necessidade de poder trabalhar pela continuidade. Kamala sorriu muito no discurso e foi enérgica ao comentar as aspirações dela para os Estados Unidos. Ela falou em muitos momentos sobre união no partido, mas também de toda a nação.
O presidente Joe Biden desistiu de concorrer à Casa Branca no último domingo (22/7). No mesmo dia, ele manifestou apoio ao nome da vice para fazer oposição a Donald Trump. Biden estava pressionado a renunciar à condição de candidato à reeleição desde 27 de junho.
Para que assuma a condição de candidata pelo partido Democrata, Kamala tem de passar pela convenção. No momento, ela tem tido o apoio de vários líderes da legenda. Além da chancela do nome dela para enfrentar Trump, os democratas têm de definir ainda o nome de uma pessoa como vice na chapa.
Contexto Além do desempenho ruim, pesquisas eleitorais mostravam uma diferença maior entre Biden e Trump. Depois do atentado que quase tirou a vida de Trump e a realização da convenção do partido Republicano, ele ganhou mais visibilidade na mídia, o que aumentou a pressão contra Biden, que ainda enfrenta a Covid-19.
Na noite deste domingo (21), os jornalistas Ismael Medeiros e Suerda Medeiros lançaram a terceira edição da revista Currais Novos da Gente no Salão Nobre do Palácio Raul Macedo. Com 80 páginas repletas de conteúdo que celebra a cultura e as pessoas de Currais Novos, a revista tem emocionado e inspirado seus leitores.
A cerimônia de lançamento contou com a presença de diversas autoridades, incluindo o pároco de Sant’Ana, Padre Cláudio, o prefeito Odon Junior, além de empresários parceiros e membros da comunidade. Este ano, a revista trouxe uma capa estendida, destacando a imagem restaurada de Sant’Ana e uma foto aérea da Matriz.
Entre os destaques da edição está uma entrevista com o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, natural de Currais Novos. O Padre Cláudio também figura entre os entrevistados. A publicação ainda presta homenagens à Irmã Ananilia, relembra o legado do Monsenhor Paulo Herôncio, celebra as cheias dos açudes Dourado e Gargalheiras, e narra a luta contra o câncer e o pioneirismo de Bernadete Xavier, conhecida como a Professorinha, que deixou uma marca significativa nos anos 1950.
O histórico relógio da igreja Matriz, cujas badaladas são parte da vida de Currais Novos há 140 anos, também recebe uma menção especial na revista. O Geoparque Seridó, a chegada da Liga Contra o Câncer, são destaques.
Ismael Medeiros destacou a importância da publicação para a região do Seridó: “Junto com Suerda Medeiros e diversos profissionais, levamos mais uma edição deste material que é um retrato do nosso povo, para essa e as futuras gerações. Agradeço a todos que se uniram para possibilitar este conteúdo. Gratidão”, afirmou.
Na segunda-feira (23), será lançada a revista Caicó da Gente, em Caicó. Ao todo, 8 mil exemplares serão distribuídos gratuitamente nas duas cidades do Seridó.
A Liga Contra o Câncer inaugura, nesta quarta-feira (24), a primeira fase da obra do Centro de Diagnóstico e Ensino do Seridó, em Currais Novos. A solenidade, para convidados, acontece a partir das 10h e vai reunir diretores, colaboradores e autoridades.
Localizada no bairro Paizinho Maria, na BR-226, a nova unidade vai começar a funcionar de forma progressiva a partir da sua inauguração e os atendimentos à população começam nesta quinta-feira (25) e já podem ser agendados via canais de atendimento da Liga. Inicialmente, o CDES vai contar com quatro consultórios médicos em funcionamento, além de sala de mamografia, tomografia e ultrassonografia.
Quando estiver em pleno funcionamento, o centro terá seis consultórios médicos, uma sala de pequenas cirurgias, mamógrafo digital, dois aparelhos de ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética. Além dos atendimentos médicos, um centro de ensino e pesquisa vinculado ao Instituto de Ensino, Pesquisa e Inovação (IEPI) da Liga também vai funcionar no local, oferecendo cursos de capacitação de profissionais que atendem a comunidade, tanto de Currais Novos, quanto dos municípios vizinhos.
No planejamento para o segundo semestre de 2024, as primeiras qualificações serão ofertadas a partir de agosto e incluem um Curso Prático em Diagnóstico por Imagem, direcionado para tecnólogos e técnicos em radiologia; Manejo de Urgências Odontológicas, para odontólogos; Terapia Nutricional em Oncologia, voltado para profissionais e estudantes de Nutrição a partir do 6º período; e Atualização em Farmácia Hospitalar, para técnicos e auxiliares de Farmácia.
A construção do CDES foi viabilizada pelo senador Styvenson Valentim foi meio de emenda da bancada federal do Rio Grande do Norte para a Liga em 2022 e 2023, totalizando R$ 29.143.000 e R$ 13.312.000 em 2024. Já o terreno foi doado pela Prefeitura de Currais Novos. “Sem esse apoio da classe política, a Liga não teria a possibilidade de destinar recursos para uma obra como a da nova unidade de Currais Novos, que vai beneficiar cerca de 435 mil habitantes de 38 municípios do entorno de Currais Novos, dando mais acesso à saúde para a população que mora no interior”, explica Roberto Sales, superintendente da Liga.
Saiba como acessar os serviços do CDES
Os pacientes da rede pública que precisarem acessar os serviços do Centro de Diagnóstico e Ensino do Seridó deverão procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) do seu município para que seja referenciado para a Liga através do Sistema único de Saúde (SUS). Já quem busca o atendimento através da rede suplementar ou particular, pode fazer o agendamento via telefone (84 4009-5600) ou WhatsApp (84 4009-5601).
Serviço: Solenidade de inauguração do Centro de Diagnóstico e Ensino do Seridó Dia 24/07/2024, às 10h Endereço: Rodovia BR-226, S/N, Paizinho Maria, Currais Novos/RN
O Rio Grande do Norte tem 2.649.282 eleitores aptos a ir às urnas para escolher os novos vereadores e prefeitos, de acordo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
As cinco cidades potiguares com mais eleitores são Natal, Mossoró, Parnamirim, São Gonçalo do Amarante, Ceará-Mirim e Macaíba.
Com exceção de Mossoró, que fica na região Oeste potiguar, todas os outros municípios ficam na região metropolitana da capital.
Somente a capital concentra 21,7% de todo o eleitorado do Rio Grande do Norte.
O menor colégio eleitoral é o de Viçosa. O município do Alto Oeste potiguar tem 2.010 eleitores aptos a votar em 2024.
Público-alvo de campanhas de alistamento, os jovens estão mais inseridos na política para as eleições municipais de 2024 do que estavam em 2020. Mesmo com o voto facultativo, o número de cidadãos com idade entre 16 e 17 anos, aptos a votar em outubro deste ano, aumentou em 80%, em comparação com o pleito municipal anterior. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o eleitorado para 2024 mostram que 1,8 milhão de pessoas na faixa etária entre 16 e 17 anos têm título de eleitor e podem ir às urnas nos mais mais de 5,5 mil municípios com eleições para vereadores e prefeitos. Em 2020, era 1 milhão.
A quantidade de eleitores com 16 anos aumentou de 239.961, em 2020, para 724.324, em 2024. Aqueles com 17 anos subiram de 790.602, em 2020, para 1.111.757, em 2024.
O número de jovens com título de eleitor aptos a votar nas eleições municipais caiu exponencialmente em 2020. Em 2012, eram 2,9 milhões com títulos, mesmo com voto facultativo; em 2016, 2,3 milhões; em 2020, caiu para 1.030 milhão; e, em 2024, a curva voltou a ascender para 1,8 milhões.
Essa reversão foi iniciada em 2022, nas eleições gerais, quando o percentual de jovens eleitores aumentou em 52,3% na comparação com a última eleição geral.
O TSE lançou campanhas para reverter os números e ampliar a participação dos jovens, que caiu devido a diversos fatores como a pandemia de Covid-19, que levou ao fechamento de cartórios eleitorais em todo o país.
Mulheres nas urnas Ainda de acordo com os dados do TSE, a maioria do eleitorado que vai às urnas em outubro de 2024 para as eleições municipais é do sexo feminino. Ao todo, 52%, ou 81,8 milhões dos brasileiros aptos a votar são mulheres. Outros 48% (74 milhões) são homens. Além disso, 41.537 com nome social estão aptos a votar.
Comparado com as eleições municipais de 2020, o número de eleitores e eleitoras subiu 5,40% para o pleito de 2024. Ao todo, 155.912.680 estão aptos a votar. O número de eleitores por gênero se manteve estável.
Entre os eleitores, 27,04% têm o ensino médio completo. Outros 22,48% têm o ensino fundamental incompleto e 3,57% são analfabetos.
A maior parte dos eleitores está na faixa etára de 45 a 59 anos. Em seguida, estão os eleitores com idade entre 35 e 44 anos. Ao todo, 89,88% optou por não informar cor ou raça.
As eleições municipais de 2024 para a escolha de vereadores e prefeitos ocorrerão em 6 de outubro em cerca de 5,5 mil municípios. O Distrito Federal e o arquipélago de Fernando de Noronha não terão eleições.
Nesta segunda-feira, 22 de julho, a Prefeitura de Lagoa Nova retirou de pauta um projeto polêmico que autorizava a administração a contrair um empréstimo de 20 milhões de reais. A retirada ocorreu durante uma sessão extraordinária da Câmara Municipal, que estava marcada para votar a proposta.
O projeto gerou grande repercussão e mobilizou membros da sociedade, que se fez presente no local da sessão. O plenário estava lotado, com muitos cidadãos aguardando ansiosamente o desfecho da votação. A pressão popular desempenhou um papel crucial na decisão de adiar a votação do empréstimo.
Durante a sessão, o presidente da casa leu a justificativa da gestão municipal explicando a retirada do projeto.
O ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama publicou um comunicado na tarde deste domingo (21) no qual classificou como “prova de amor” ao país a decisão de Joe Biden de renunciar à candidatura à reeleição. “Sei que Joe nunca desistiu de uma briga. Para ele, olhar para o cenário político e decidir que deveria passar a tocha para um novo candidato é certamente um dos momentos mais difíceis de sua vida. Mas sei que ele não tomaria esta decisão a menos que acreditasse que era certa para a América. É uma prova do amor de Joe Biden pelo país – e um exemplo histórico de um servidor público genuíno que mais uma vez coloca os interesses do povo americano à frente dos seus próprios, que as futuras gerações de líderes farão bem em seguir”, escreveu Obama, que, assim como Biden, é filiado ao partido Democrata.
Biden foi classificado pelo ex-presidente como “um dos presidentes mais importantes da América” e um “patriota do mais alto nível”. Segundo o ex-presidente, Biden “ajudou a acabar com a pandemia [da Covid-19], criou milhões de empregos, reduziu o custo dos medicamentos prescritos, aprovou a primeira grande legislação sobre segurança de armas em 30 anos, fez o maior investimento da história para enfrentar as mudanças climáticas e lutou para garantir os direitos dos trabalhadores”.
“A nível internacional, restaurou a posição da América no mundo, revitalizou a Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte] e mobilizou o mundo para se levantar contra a agressão russa na Ucrânia”, destacou.
“Mais do que isso, o presidente Biden afastou-nos dos quatro anos de caos, falsidade e divisão que caracterizaram a administração de Donald Trump. Através das suas políticas e do seu exemplo, Joe lembrou-nos quem somos no nosso melhor: um país comprometido com valores antiquados como a confiança e a honestidade, a bondade e o trabalho árduo; um país que acredita na democracia, no Estado de direito e na responsabilização; um país que insiste que todos, independentemente de quem sejam, têm voz e merecem uma oportunidade de uma vida melhor”, continuou o ex-presidente.
Para Obama, esse “excelente histórico” deu a Biden “todo o direito de concorrer à reeleição e terminar o trabalho que iniciou”. “Joe entende melhor do que ninguém o que está em jogo nesta eleição – como tudo pelo que ele lutou ao longo de sua vida, e tudo o que o Partido Democrata representa, estará em risco se permitirmos que Donald Trump volte à Casa Branca e dermos aos republicanos o controle do Congresso.”
“Estaremos navegando em águas desconhecidas nos próximos dias. Mas tenho uma confiança extraordinária de que os líderes do nosso partido serão capazes de criar um processo do qual emerja um candidato notável”, escreveu o democrata.
“Por enquanto, Michelle e eu queremos apenas expressar o nosso amor e gratidão a Joe e Jill por nos liderarem com tanta habilidade e coragem durante estes tempos perigosos –e pelo seu compromisso com os ideais de liberdade e igualdade em que este país foi fundado”, finalizou o ex-presidente.
O governo Lula (PT) espera que a saída de Joe Biden da disputa à Casa Branca tire os democratas da defensiva e mude a narrativa até o momento favorável a Donald Trump na eleição dos Estados Unidos. A expectativa entre assessores é que a mudança de nome altere o cenário atual e que os democratas consigam construir até a convenção do partido uma candidatura competitiva. A atual vice, Kamala Harris, recebeu o apoio de Biden e é a favorita para conseguir a nomeação e enfrentar Trump.
A eleição nos EUA e a perspectiva de uma vitória de Trump geram temor no Planalto. Não apenas pela linha ideológica radicalmente oposta à de Lula, mas pela proximidade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) com o trumpismo.
A avaliação entre conselheiros de Lula é que Biden perdeu o controle da sua campanha nos EUA após o debate com Trump em que pareceu frágil e às vezes confuso. O desempenho fortaleceu a tese de que Biden é um político velho demais para concorrer e não teria energia para um segundo mandato.
A situação se agravou com a tentativa de assassinato contra Trump, em que o republicano, mesmo após sofrer um atentado, deixou o palco com o punho levantado e exortando seus apoiadores a lutar.
Na visão do Planalto, a substituição de Biden cria um fato novo na campanha e recoloca o foco novamente sobre o partido Democrata. Kamala é apontada por uma parte dos analistas nos EUA como uma candidata com problemas de popularidade.
Sobre isso, conselheiros de Lula dizem que qualquer avaliação no momento é prematura e que os EUA são um país extremamente polarizado, com Trump também enfrentando uma alta rejeição. Eles lembram que ainda não está claro se ela será a candidata, uma vez que diferentes alas do partido Democrata podem tentar criar uma disputa na convenção.
Apesar desta avaliação entre palacianos, Lula não se pronunciou oficialmente sobre a desistência do atual mandatário americano da disputa à reeleição. Nos próximos dias, ele deve ser aconselhado a fazer suas primeiras declarações sobre o fato elogiando a carreira de Biden e seu histórico de serviço público, não sobre o futuro da corrida presidencial dos EUA.
O ex-presidente e candidato republicano Donald Trump , 78, se manifestou por meio de sua conta no Truth Social sobre a retirada da candidatura à reeleição de Joe Biden , 81, anunciada neste domingo (21). No texto, Trump ataca o atual presidente, chamando-o de corrupto e acusando de usar notícias falsas. Ele também afirma que Biden nunca esteve apto a concorrer ao cargo. “Todos ao seu redor, incluindo seu médico e a mídia, sabiam que ele não era capaz de ser presidente, e ele não era. E, agora, veja o que ele fez com nosso país, com milhões de pessoas atravessando nossa fronteira, totalmente sem controle e sem verificação, muitas boas-vindas de prisões, instituições mentais e números registrados de terroristas vamos sofrer muito por causa de sua presidência, mas vamos remediar o dano que ele causou muito rapidamente”, escreveu.
Logo em seguida, a campanha de Donald Trump divulgou um vídeo atacando Kamala. No anúncio, vemos o democrata dizendo que Biden estava em boa forma, enquanto as imagens mostram o mandatário caindo nas escadas do avião presidencial.
“Kamala estava envolvida nisso. Ela encobriu o óbvio declínio mental de Joe. Kamala sabia que Joe não conseguiria fazer o trabalho, então ela o fez”, disse o narrador do anúncio.
O vídeo também culpa Kamala por crises diversas. “Vejam o que ela fez: uma invasão de fronteira, uma inflação galopante, o sonho americano morto. Eles realizaram essa bagunça. Eles, não, Kamala, são os donos desse histórico fracassado”, diz o anúncio. Pela morte do sonho americano o vídeo se refere ao custo da moradia no país, o que tem impossibilitado cidadãos de comprarem a própria casa.
Biden anunciou a resistência por meio de uma carta publicada nas redes sociais. O presidente disse que vai explicar melhor sua decisão em um pronunciamento à nação. Ele não resistiu à intensa pressão interna do Partido Democrata pela sua saída, que começou após o mau desempenho no debate realizado no fim de junho.
“Foi uma grande honra da minha vida servir como presidente. Embora tenha sido minha intenção buscar a reeleição, acredito que é melhor para o meu partido e para o país que eu renuncie e me concentre exclusivamente em cumprir meus deveres como presidente pelo restante do meu mandato”, disse em comunicado.
Apenas Michelle Obama, esposa do ex-presidente democrata Barack Obama, venceria de Donald Trump em um confronto hipotético nas eleições presidenciais de 2024, por 50% a 39%, segundo uma pesquisa Reuters/Ipsos. Entretanto, Michelle, autora do best-seller de memórias “Becoming”, de 2018, disse repetidamente que não pretende concorrer à Presidência.
Ainda segundo a pesquisa, tanto Trump quanto Joe Biden mantêm 40% das intenções de voto entre os eleitores registrados.
Democratas aparecem atrás de Trump A vice-presidente dos EUA, Kamala Harris, está atrás de Trump por um ponto percentual (42% a 43%), uma diferença dentro da margem de erro de 3,5 pontos percentuais da pesquisa Reuters/Ipsos.
Isso torna uma candidatura de Harris estatisticamente tão forte quanto a de Biden.
A vice-presidente saiu da sombra de Biden nos últimos meses, tornando-se uma voz-chave no governo pelos direitos ao aborto. A pesquisa Reuters/Ipsos descobriu que 81% dos eleitores democratas viam Harris de maneira favorável, em comparação com 78% que viam Biden da mesma forma.
A pesquisa perguntou também sobre possíveis confrontos de outros nomes do partido Democrata contra Donald Trump. Estes foram os resultados:
Donald Trump 42% x 39% Gavin Newsom, governador da Califórnia Donald Trump 40% x 36% Andy Beshear, governador de Kentucky Donald Trump 41% x 36% Gretchen Whitmer, governadora de Michigan Donald Trump 40% x 34% J.B. Pritzker, governador de Illinois Nenhum dos democratas testados na pesquisa em confrontos diretos contra Trump declarou formalmente candidatura. Além disso, vários desses nomes não são conhecidos em nível nacional.
Cerca de 70% dos democratas na pesquisa disseram que nunca ouviram falar do governador de Kentucky, Andy Beshear. Ainda assim, alguns doadores democratas o veem como um bom candidato, após sua vitória para governador em um estado fortemente republicano.
Assim, Beshear estar atrás de Trump por uma margem estreita na pesquisa ilustrou o quão profundamente os democratas se opõem a Trump.
A pesquisa Reuters/Ipsos, que foi realizada online e entrevistou 1.070 adultos dos EUA em todo o país.
Graças a uma guinada na alta cúpula do Vaticano, o religioso brasileiro Cícero Romão Batista (1844-1934), conhecido simplesmente como Padre Cícero ou Padim Ciço, pode se tornar santo em breve.
Uma santidade, aliás, já reconhecida pelo catolicismo popular, sobretudo do Nordeste brasileiro. Ali, é comum que o sacerdote, que morreu há 90 anos, seja invocado em rezas e promessas. Não raras vezes com o epíteto de “santo”. Santo Padre Cícero.
A reviravolta da Santa Sé é curiosa porque Padre Cícero não só ainda não foi canonizado como, de quebra, em vida foi banido pela própria Igreja.
Admirado por Virgulino Ferreira da Silva (1898-1938), vulgo Lampião, e por outros cangaceiros, o religioso se tornou político — foi o primeiro prefeito de Juazeiro do Norte, no Ceará —, era próximo dos coronéis que ali atuavam e tem uma biografia recheada de controvérsias.
O que não impediu que a fé popular o venerasse. Em Juazeiro há uma estátua de 30 metros em sua homenagem, inaugurada em 1969. O local recebe 2,5 milhões de peregrinos por ano.
“Falar de romarias na Diocese de Crato e em Juazeiro do Norte é falar do querido padre Cícero Romão Batista. Este sacerdote dinamizou a espiritualidade católica na região do Cariri, sendo responsável pela espiritualidade de todo o povo nordestino até os dias de hoje”, afirma o padre Aureliano Gondim, em nota publicada no site da Diocese de Crato.
Para o pesquisador e hagiólogo José Luís Lira, fundador da Academia Brasileira de Hagiologia e professor na Universidade Estadual Vale do Acaraú, no Ceará, “há muita incompreensão e distorção sobre a figura do Padre Cícero”.
“Ele não foi expulso do sacerdócio. Por não aceitar testemunhar contra os fatos que presenciou em Juazeiro, foi suspenso da ordem”, diz ele, à BBC News Brasil.
“Padre Cícero foi suspenso das ordens sacerdotais, por causa do ‘milagre da hóstia’, que teria sangrado na boca de uma beata. Tal fato foi questionado severamente pela Igreja, que o proibiu de exercer seu ministério sacerdotal”, afirma à BBC News Brasil o teólogo e escritor J. Alves, autor do livro ‘Os Santos de Cada Dia’.
Em entrevista à BBC News Brasil, o antropólogo e sociólogo Joaquim Izidro do Nascimento Junior, especialista em religiosidades populares e professor na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), atribui à trajetória de Padre Cícero as controvérsias que recaem sobre ele.
“Um padre do nordeste brasileiro, de uma Igreja católica do século 19, que acreditou na manifestação de Jesus Cristo na boca de uma mulher pobre e negra e enfrentou a Igreja”, ressalta ele, lembrando que o religioso “passou sua vida tentando o apoio e o reconhecimento dessa manifestação, por parte da Igreja Católica” e “optou por se tornar político para demonstrar influências e conseguir reverter sua suspensão na própria Igreja”.
“São elementos que reforçam um acontecimento único e controverso por si só”, analisa o antropólogo. “O crescimento da cidade e, consequentemente, das peregrinações, abriram um fosso entre uma trajetória de um padre sertanejo e uma Igreja romana europeia, o que deu contornos dramáticos.”
O suposto milagre Em 1º de março de 1889, Padre Cícero era um homem prestes a completar 45 anos e já gozava de experiência no sacerdócio — havia sido ordenado em 1870.
Popular pela eficaz e contagiante oratória, ferramenta de inflamados sermões, e pelo trabalho pastoral então inédito naquele carente sertão nordestino, ele celebrava missa em Juazeiro.
Na hora da comunhão, a hóstia recebida pela religiosa Maria de Araújo (1861-1914) alegadamente se transformou em sangue — na boca da mulher. Na visão dos que acreditam: a prova de que aquele pão é o corpo de Jesus.
Seria um milagre.
Cabem aqui parênteses para explicar quem era essa mulher. Nascida do povoado de Tabuleiro Grande, ficou órfã logo cedo e teve uma adolescência difícil, trabalhando no artesanato e em uma olaria. Aos 22 anos, decidiu usar hábito como se fosse uma freira — para o povo, ela acabou sendo reconhecida como uma beata.
Acabou sendo acolhida pelo Padre Cícero, residindo em sua casa. De acordo com Gondim, o fato milagroso se repetiria “por mais 138 vezes, num período de quase dois anos”.
O sacerdote enfatiza que aquela missa do dia 1º de março exigiu preparação especial. Segundo ele, antes “houve horas de oração e jejum por ocasião da quaresma” e da celebração participavam “moças que viviam da caridade, auxiliando a catequese daquele povo”.
Estudiosa do fenômeno, a historiadora e escritora Dia Nobre busca trazer o protagonismo de volta para Maria de Araújo. “Não considero que ela participa do milagre. A partir dos relatos [da época], ela é o próprio instrumento divino para a realização desses fenômenos extraordinários na cidade de Juazeiro”, diz ela à BBC News Brasil.
No fim do mês, Nobre lança o livro Incêndios da Alma, que traz a história dessa mulher e a contextualiza dentro desse ambiente nordestino de catolicismo popular do fim do século 19.
“Não eram somente a transubstanciação das hóstias [a transformação delas em sangue], outros fenômenos também aconteciam, como viagens espirituais, viagens ao purgatório, profecias… Ela recebia estigmas da crucificação”, elenca a pesquisadora. “Ela e outras mulheres se colocavam como protagonistas desses fenômenos, como representantes do próprio Jesus na Terra, dispensando a mediação da Igreja, dos padres. Isso foi uma afronta muito grande à hierarquia do próprio catolicismo.”
“As mulheres foram protagonistas da transformação de Juazeiro em espaço sagrado”, ressalta ela.
Para Nascimento Junior, “no século 19 não havia [na Igreja] nenhum espaço para o reconhecimento de uma manifestação envolvendo a ‘presença’ do próprio Jesus Cristo na boca de uma mulher pobre e negra”.
Encrencas com a cúpula da Igreja A repercussão do suposto milagre, contudo, não caiu bem para o sacerdote responsável pela missa. Quando a notícia se espalhou, formou-se uma comissão na diocese para investigar o ocorrido — com a participação de dois médicos e um farmacêutico.
Em outubro de 1891, o grupo apresentou um relatório alegando que não havia explicação natural para o fenômeno.
Não satisfeito, o então bispo do Ceará Joaquim José Vieira (1836-1917) nomeou outra comissão — para alguns biógrafos, com integrantes “de cartas marcadas”. O novo relatório concluiu que tudo não havia passado de embuste.
Padre Cícero foi suspenso do sacerdócio, impedido de celebrar missas e de ministrar sacramentos. A pena imputada a Maria de Araújo foi viver em clausura até o fim da vida.
O sacerdote chegou a ir até o Vaticano para buscar uma absolvição diretamente com o papa Leão 13 (1810-1903). De acordo com Lira, seu banimento era restrito à diocese do Ceará e, em qualquer outro local, “com a permissão do bispo, ele poderia exercer o sacerdócio”.
O pesquisador reconhece que “boa parte das controvérsias” em torno de Padre Cícero têm origem nesse episódio do suposto milagre. Ele argumenta que a primeira comissão, que atestou o fato como fora das explicações naturais, contava com dois médicos e um farmacêutico, além de dois religiosos. Já a segunda, constituída por insatisfação do bispo, tinha apenas dois padres.
“Como essa era a pretensão do bispo, ele aceitou o segundo e menos técnico parecer e decretou que se Padre Cícero não negasse aqueles fatos ele estaria suspenso”, explica Lira. “Foi o que ocorreu.”
“Padre Cícero ainda tentou se explicar com o bispo. Não adiantou e ele foi a Roma e foi reabilitado, mas a Igreja local, nos moldes do Direito Canônico da época, não aceitou a reabilitação e Padre Cícero permaneceu suspenso.”
Lira ressalta que ele esteve “suspenso, mas obediente”. “Aceitou a punição, embora injusta, e ficou até o fim da vida usando sua batina sacerdotal e assistindo a missas como leigo. É um grande exemplo”, afirma.
O pesquisador argumenta que Cícero “teria prestígio para fundar um movimento religioso, mas preferia orientar seus amigos — ele chamava a todos de ‘amiguinhos’ — a seguirem as orientações do papa e da Igreja.”
“Apesar dessas imposições da Santa Sé, ele continuou dando o seu testemunho de fé e de pregação, colocando-se a serviço da comunidade e zelando de seus fiéis. Com o passar do tempo, tornou-se respeitado e venerado ainda em vida por todos, sendo aclamado, pelo povo, um santo vivo. São milhares de fiéis que a ele acorrem, pedindo a sua intercessão e agradecendo pelas graças recebidas”, diz Alves.
Para o teólogo, Padre Cícero representa “uma figura emblemática dessas idiossincrasias entre uma postura dogmática da Igreja e a devoção popular”.
“Tudo isso cria uma atmosfera fértil para polêmicas e controvérsias”, afirma.
“Além disso, o fato de se envolver em questões de política local e sua relação com figuras como cangaceiros e coronéis polariza a discussão tanto no campo dogmático quanto sociopolítico e cultural.”
Filiado ao extinto Partido Republicano Conservador (PRC), Padre Cícero foi o primeiro prefeito de Juazeiro do Norte, em 1911, quando o povoado se tornou município independente.
Em 1926, ainda seria eleito deputado federal — mas acabou não assumindo o cargo. Ele também chegou a ser nomeado vice-presidente do Ceará, equivalente atual a vice-governador, mas não exerceu a função.
Na década de 1910, acabou sendo o artífice do acordo que ficou conhecido como “pacto dos coronéis”, em que a elite da região se comprometeu a apoiar o governo estadual cearense.
Conservador, ele chegou a dar uma entrevista em 1931 em que afirmou que “o comunismo foi fundado pelo demônio, Lúcifer é o seu nome e a disseminação de sua doutrina é a guerra do diabo contra Deus”.
Em 1926, quando a Coluna Prestes estava na região de Juazeiro e havia um esforço do governo federal de combatê-la, muitas vezes arregimentando mercenários e cangaceiros, Padre Cícero se encontrou com Lampião e outros 49 integrantes do seu bando. Eram todos seus admiradores e devotos.
Conforme o jornalista e escritor Lira Neto conta no livro Padre Cícero: Poder, Fé e Guerra no Sertão, Padre Cícero carrega sobre suas costas o fato de que seus “detratores jogam [sobre ele] a responsabilidade pela concessão da patente de capitão ao mais feroz de todos os bandoleiros nordestinos”, Lampião, “em troca do compromisso para que o ‘Rei dos Cangaceiros’ enfrentasse, em 1926, a célebre Coluna Prestes em sua passagem pelo sertão”.
“Como indultar um clérigo que, mesmo antes disso, em 1914, teria benzido rifles, punhais e bacamartes, aparato bélico entregue à jagunçada para promover uma revolução armada, uma sedição que envolveu saques violentos a várias cidades interioranas, provocou a morte de centenas de inocentes e resultou na derrubada de um governo legal?”, questiona Lira Neto. “Como redimir a penalidade de um sacerdote que se transformou em líder político […] e arquitetou um pacto histórico entre os poderosos coronéis do sertão?”
“O fato de ele ter mantido relações com os cangaceiros é um ponto sensível, pois pode ser visto tanto como uma tentativa de mediação e pacificação, quanto como um envolvimento problemático”, comenta Alves. “É preciso avaliar esses aspectos de sua vida à luz de seu impacto positivo na fé, na espiritualidade e na comunidade, sem ignorar as complexidades históricas e sociais, devidamente situadas em seu contexto vital.”
O pesquisador e professor Lira tem uma opinião um pouco diferente. “Ele não foi político nem amigo de cangaceiros. Mas recebia a políticos e autoridades que o buscavam, do mesmo modo que recebia o sofrido homem do campo, a ele dando conforto espiritual e até ajuda financeira, na medida de suas posses”, afirma.
O teólogo e escritor Alves lembra que é preciso entender, “por exemplo, que o cangaço e o coronelismo foram fenômenos históricos no Nordeste do Brasil”.
“O primeiro desafiava a ordem estabelecida e o segundo detinha o poder econômico e político”, pontua. “Há que considerar, também, que Padre Cícero viveu em uma região assolada por secas severas, migração em massa, fome e miséria, falta de políticas públicas.”
“Foi nesse contexto complexo, conflituoso e sofrido que viveu e exerceu a sua ação social e pastoral, sua liderança religiosa e política, que consistia em mediar conflitos e prover as necessidades de sua comunidade. Os sertanejos encontravam nele esperança e apoio para a sua luta em busca de melhores condições de vida e trabalho.”
Assim, Alves conclui que se houve conivência ou manipulação, estes são pontos que permanecem “sensíveis e controversos” na biografia de Padre Cícero.
Devoção Os destinos da beata Maria de Araújo e de Padre Cícero seguiram rumos bem diferentes no decorrer do século 20.
Personagem principal dos milagres que acabaram sendo testemunhados e defendidos pelo sacerdote, ela sofreu um processo de apagamento.
“Houve um deslocamento da crença da beata para o padre”, explica Nobre. “É sabido que as primeiras romarias, feitas a partir de 1889, tinham como destino a casa de Maria de Araújo.”
Entretanto, com a repressão do bispo frente a essa devoção popular e a condenação da beata ao isolamento, Padre Cícero acabou herdando os holofotes.
“Minha hipótese é que, para não sufocar o movimento das romarias, ele as transferiu para a Igreja de Nossa Senhora das Dores, padroeira do povoado. E, a partir do envolvimento dele na política, ele vai ganhando mais fama e se consolidando”, diz a historiadora.
“As romarias acabam completamente deslocadas para a figura do Padre Cícero, provocando o esquecimento total da beata Maria de Araújo”, afirma.
Quando Maria de Araújo morreu, em 1914, um movimento de devotos começou a visitar seu túmulo. “Mas até isso acabou sendo destruído pelo cônego, consolidando o apagamento social e memorialístico da beata”, afirma Nobre.
A fama de Padre Cícero, por outro lado, só aumentou. Após sua morte, em 1934, ele acabou sendo praticamente canonizado pela fé popular.
Se o movimento em si nunca teve a chancela oficial da Igreja, é verdade que ela acabou o abraçando pastoralmente.
Padre Gondim escreve que esses acontecimentos “serviram para fomentar as peregrinações à Juazeiro do Norte”, permitindo “alavancar a vida do pequeno povoado, pois muitos vinham mesmo para residir e estar perto do padrinho querido”.
Nas altas esferas do Vaticano, a reabilitação de fato do outrora banido sacerdote só ocorreria de fato no século 21. Em seu livro, o jornalista e escritor Lira Neto detalha esses bastidores da fé.
Conforme apurou o jornalista, em 2001 o então cardeal Joseph Ratzinger (1927-2022), que mais tarde seria o papa Bento 16, redigiu uma carta “enviada em caráter reservado à Nunciatura Apostólica do Brasil”.
Na época, Ratzinger comandava a Congregação para a Doutrina da Fé, organização herdeira do Tribunal da Inquisição. Tinha, portanto, o papel de ser o guardião da ortodoxia da Igreja. Além disso, era visto como homem de confiança do então papa João Paulo 2º (1920-2005).
Nunciatura Apostólica é uma espécie de embaixada do Vaticano, instalada nos países com os quais a Igreja mantém relações. A missiva do alto prelado tinha como assunto o espinhoso caso de Padre Cícero — nas palavras de Lira Neto, “um delicado tema”.
Mais especificamente, Ratzinger tratava da “pertinência de uma possível reabilitação canônica” do sacerdote brasileiro.
“Alguém que levou para o túmulo o estigma de ter sido um proscrito da Igreja. Um clérigo julgado e condenado como insubmisso, contra o qual os inquisidores da época decretaram a pena de excomunhão. Um reverendo maldito, que a despeito disso continua a arrebanhar milhões de peregrinos e devotos, incansáveis perpetuadores de sua memória”, define o escritor.
Lira Neto comenta que, certamente, o que mais motivava Ratzinger em seu empenho era o conhecimento de que o santo popular brasileiro atraía uma multidão anual de cerca de 2,5 milhões de pessoas — nada desprezível em tempos de perda constante de fiéis pelo mundo.
Em sua análise, negar a devoção ao religioso nordestino significaria “negar o acolhimento pastoral a toda uma preciosa legião de devotos”.
“Em Juazeiro, a multidão compacta paga promessas, acende velas, renova a fé, faz novos pedidos e invoca a proteção de seu guia espiritual”, diz ele, acrescentando que é “difícil encontrar uma casa no sertão nordestino na qual não exista uma imagem de padre Cícero”.
“Retratado sempre com o cajado, o chapéu e a batina, ele parece onipresente entre os sertanejos”, afirma o escritor.
O próprio Lira Neto enfatiza que é certo que Ratzinger e a sua congregação tinham conhecimento das “graves acusações históricas que recaem sobre o homem Cícero Romão Batista”. “Elas não são poucas. Quando reunidas, constituem notórios obstáculos à ideia de anistiar, post mortem, as penas que foram impostas ao padre, em vida, pelo Tribunal do Santo Ofício”, ressalta.
“A primeira incriminação que incide sobre Cícero é a de ter sido ele um mistificador, um aproveitador das crenças do povo mais simples, um semeador de fanatismos. Homem de ideias religiosas pouco ortodoxas, leitor de autores místicos, dado a ver almas do outro mundo e defensor de milagres não endossados pelo Vaticano, Cícero estaria mais próximo da superstição do que da fé, disseram dele os muitos adversários que colecionou no meio do próprio clero”, detalha Lira Neto, em seu livro.
“Decorre daí outra incriminação, ainda mais incisiva: a de que nas vezes em que fora repreendido por seus superiores eclesiásticos agira como um rebelde e caíra em desobediência”, afirma ainda. Para o biógrafo, outro entrave seria suam “discutida relação” com “jagunços e cangaceiros”.
Lira Neto comenta, entretanto, que “não são poucos os que definem a eterna tempestade de acusações” contra o padre “como frutos de inverdades históricas, interpretações distorcidas e preconceitos elitistas”.
Alguns meses depois da carta de Ratzinger chegar ao Brasil, um novo bispo assumiu a diocese de Crato, o italiano Fernando Panico. Não foi coincidência. Panico se tornou um grande defensor da causa do Padre Cícero. E, já em sua primeira missa como bispo daquela diocese enfatizou que iria encorajar novos estudos sobre a trajetória do controverso sacerdote.
Um discurso completamente diferente daquele do seu antecessor, Newton Holanda Gurgel (1923-2017), que costumava dizer que “Padre Cícero chegou a Juazeiro missionário, tornou-se visionário e acabou milionário”.
Naquele mesmo ano de 2001, o bispo Panico foi até Roma e teve uma audiência privada com o então cardeal Ratzinger. Conforme apurou Lira Neto, escutou do futuro papa “as palavras que provavelmente já esperava ouvir”.
“O cardeal não só o estimula a levar adiante os novos estudos sobre a polêmica trajetória de Cícero, como também dá instruções detalhadas a respeito da forma de conduzir o processo, de acordo com os rituais e procedimentos da Congregação”, escreve.
Ratzinger também sugeriu uma nova postura da diocese cearense: a partir de então, era importante incentivar a acolher as romarias a Juazeiro.
Em carta aos seus diocesanos, no retorno ao Brasil, Panico declarou que “mais do que nunca é necessário reconhecer as romarias de Juazeiro do Norte como uma profunda experiência de Deus e legítima experiência de fé”.
Uma nova comissão de estudos foi formada, reunindo especialistas em antropologia, história, filosofia, teologia, psicologia e sociologia. Foram cinco anos de pesquisa para um novo julgamento acerca da idoneidade do religioso.
O catatau produzido por esse time foi entregue ao Vaticano em 30 de maio de 2006. Ratzinger já era o papa Bento 16. No total, segundo Lira Neto, foram 11 “grossos volumes encadernados em capa vermelha e identificados com letras gravadas em dourado”, com “cópias de documentos religiosos e seculares, incluindo a vasta correspondência trocada entre os protagonistas da história tumultuosa” do padre brasileiro.
Além disso, a Santa Sé recebeu 150 mil assinaturas de populares pedindo a reabilitação de Padre Cícero e um abaixo-assinado de 253 bispos favoráveis à causa.
Na carta que acompanhou esse material, o bispo Fernando Panico afirmou que estava suplicando ao papa pela reabilitação canônica do personagem, “libertando-o de qualquer sombra e resquício das acusações por ele sofridas”.
De lá para cá, o processo avançou — foi adiante pelas mãos do sucessor de Bento 16, papa Francisco, um notório defensor do acolhimento a manifestações populares de fé.
“Sua reconciliação com a Igreja foi tardia”, diz Alves. “Foi somente em 2015 que a Igreja reconheceu a importância pastoral de Padre Cícero e retirou a suspensão que pesava sobre ele, possibilitando, desse modo, a abertura de seu processo de beatificação.”
O hagiólogo Lira explica que, para abrir uma causa de beatificação e de canonização, é preciso antes de um atestado de “nihil obstat” — ou seja, “nada obsta” — da Santa Sé.
A partir dessa reabilitação de 2015, esse passo pode ser tomado. Em 2022, o atual bispo de Crato, Magnus Henrique Lopes, apresentou ao papa Francisco um pedido de abertura do processo de beatificação. “A resposta foi tornada pública em 20 de agosto de 2022, por meio do anúncio do ‘nihil obstat’ datado de 24 de junho, para dar início à causa”, afirma Lira.
“Como estudioso, posso afirmar que a Igreja sinaliza para um estudo aprofundado da vida e das virtudes que teria o Padre Cícero”, comenta ele. “Não vejo como uma revisão de posicionamento, mas como uma abertura para a continuidade de um estudo sério sobre aquele cristão que testemunhou Jesus em sua vida.”
Alves ressalta que as perspectivas de que Padre Cícero se torne um santo oficialmente pela Igreja “vão depender de vários fatores, incluindo a condução e conclusão bem-sucedida do processo de beatificação e a confirmação de milagres atribuídos à sua intercessão”.
“A reabilitação de sua imagem pela Igreja e a abertura do processo de beatificação são passos importantes, mas o caminho para a canonização pode ser longo e complexo”, avalia. “A devoção popular e a pressão da comunidade de fiéis certamente desempenham um papel, mas a decisão final cabe ao Vaticano, que deve avaliar todos os aspectos de sua vida e os milagres atribuídos a ele com rigor e cautela.”
O antropólogo Nascimento Junior acredita que as chances dessa santificação são “enormes”. “Penso que será uma questão de tempo. Os novos homens da Igreja Católica parecem estar muito interessados”, diz.
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou no domingo (21) que desistiu da candidatura à reeleição, declarando apoio para que a vice-presidente Kamala Harris se torne a indicada do Partido Democrata para disputar as eleições de 2024. Mas, a pouco mais de 100 dias da votação, que está marcada para 5 de novembro, a medida deu origem a muitas outras perguntas sobre o que acontecerá a seguir no resto de sua Presidência e na disputa presidencial.
Veja abaixo as principais perguntas e respostas sobre a desistência de Joe Biden.
Joe Biden ainda é o presidente dos EUA? Sim.
O anúncio de Biden diz respeito exclusivamente ao seu papel como candidato democrata à eleição presidencial de novembro. Não tem relação com seu papel atual ou mandato como presidente, que ele disse que pretende cumprir integralmente.
Biden permanecerá como presidente dos Estados Unidos até que seu sucessor tome posse, marcada para 20 de janeiro de 2025.
Ao anunciar sua decisão, o líder democrata escreveu: “Embora tenha sido minha intenção buscar a reeleição, acredito que é do melhor interesse do meu partido e do país que eu me afaste e me concentre exclusivamente em cumprir meus deveres como presidente pelo restante do meu mandato”.
Apesar dessa declaração, alguns integrantes do Partido Republicano estão pedindo que ele renuncie imediatamente.
Congressistas importantes que questionam a capacidade de Biden de servir como presidente e pedem sua renúncia incluem o presidente da Câmara dos EUA, Mike Johnson, a presidente da conferência republicana da Câmara, Elise Stefanik, e o presidente do braço de campanha do Senado republicano, o senador de Montana Steve Daines.
Mas, novamente, não havia nenhuma indicação até a noite de domingo de que Biden tenha qualquer intenção de renunciar ao cargo.
Biden apoiou Harris. Isso a torna a indicada democrata? Não.
Após o anúncio, Joe Biden apoiou Kamala Harris, sua vice-presidente, para ser a indicada democrata à Presidência.
Harris disse em uma declaração que está “honrada” em receber o apoio de Biden e pretende conquistar a nomeação como candidata democrata.
Vários democratas proeminentes rapidamente apoiaram Harris, incluindo:
a senadora Elizabeth Warren, de Massachusetts, que concorreu à Presidência em 2020 a principal deputada progressista da Câmara, Pramila Jayapal, de Washington e o senador de Delaware Chris Coons, um copresidente da campanha de Biden O governador da Carolina do Norte, Roy Cooper, e o governador da Pensilvânia, Josh Shapiro, também expressaram apoio a Harris, assim como toda a delegação do Tennessee ao Comitê Nacional Democrata.
Mas nada disso a torna automaticamente a indicada.
Como o indicado democrata será escolhido e quem será? Zachary Wolf e Ethan Cohen, da CNN, explicaram como acontecerá o complexo processo para substituir Biden provavelmente.
Os delegados individuais — figura do sistema eleitoral dos EUA — agora selecionarão o indicado do partido durante a Convenção Democrata em Chicago no mês que vem — ou, potencialmente, durante uma chamada virtual.
Mas como Biden ganhou quase todos os delegados durante as votações primárias, eles foram aprovados pela campanha de Biden e prometeram votar no presidente.
Isso significa que, embora os delegados possam votar como quiserem, serão em grande parte os apoiadores de Joe Biden que escolherão o indicado.
Entretanto, um candidato que não seja apoiado pelo presidente pode tentar garantir a candidatura. Alguns democratas estão pedindo um “processo aberto” para substituir Biden, o que faria com que outros candidatos além de Harris se juntassem à disputa.
De acordo com as regras do partido, os candidatos devem atender a certos requisitos para serem indicados, incluindo:
reunir centenas de assinaturas de delegados de vários estados ser um “democrata genuíno” e ter “estabelecido apoio substancial para sua indicação como candidato democrata” Embora essa determinação deva ser feita pelo presidente nacional do Comitê Nacional Democrata, o partido ainda não divulgou mais detalhes sobre como exatamente o processo funcionaria.
Quem mais pode ser o novo candidato do Partido Democrata? Mesmo que Kamala Harris tenha recebido o apoio de Joe Biden, os nomes de muitos congressistas democratas proeminentes foram lançados extraoficialmente como alternativas que poderiam ir contra ela para a indicação do partido.
A maioria desses indivíduos, no entanto, não anunciou ou sinalizou que pretende concorrer.
No domingo à noite, no entanto, fontes próximas ao senador Joe Manchin, candidato independente da Virgínia Ocidental, disseram a Jake Tapper, da CNN, que ele está considerando se registrar novamente como democrata e se arriscar.
Manchin pediu que Biden desistisse da corrida na manhã de domingo no “State of the Union”, da CNN.
Como o companheiro de chapa do novo candidato democrata será escolhido? O Partido Democrata elege um candidato a vice-presidente em grande parte da mesma maneira que o voto para presidente, embora normalmente não haja uma votação completa.
Na prática, quem quer que o indicado presidencial escolha como seu companheiro de chapa é normalmente aceito pelos delegados.
O que acontece com o dinheiro arrecadado para a reeleição de Biden? Os esforços de reeleição de Joe Biden arrecadaram um total de US$ 240 milhões (R$ 1,3 bilhão) no final de junho.
Esses fundos são divididos entre o Comitê Nacional Democrata, comitês aliados e o próprio comitê de campanha de Biden. Este último sozinho tinha US$ 95,9 milhões (R$ 526 milhões) no final do mês passado, segundo dados da Comissão Eleitoral Federal dos EUA.
Muitos especialistas em financiamento de campanha dizem que, caso Kamala Harris se torne a candidata, qualquer dinheiro restante nas contas bancárias da campanha seria transferido para sua operação política, porque ela já faz parte da chapa.
Mas alguns advogados republicanos discordam, argumentando que, sob algumas interpretações, Biden e Harris devem ser formalmente indicados por seu partido como candidatos antes que qualquer dinheiro possa ser transferido.
“Se o presidente Biden estiver comprometido em passar a tocha para sua vice-presidente e poder semear sua campanha com o atual fundo de guerra da campanha Biden para Presidente, ele primeiro terá que se tornar o indicado legal de seu partido”, escreveu o veterano advogado eleitoral republicano Charlie Spies em um artigo de opinião no Wall Street Journal no início deste mês.
Se Harris não se tornar a indicada, a campanha Biden-Harris pode transferir todo o dinheiro para o Comitê Nacional Democrata, de acordo com a Comissão Eleitoral Federal.
O comitê teria então o poder de apoiar financeiramente outro indicado democrata proeminente e distribuir o dinheiro para candidatos mais abaixo na chapa, juntamente com seus comitês aliados.
O Comitê Nacional encontraria limitações do órgão federal em gastos e contribuições, caso escolha esse caminho.
Outra opção que a campanha tem é se transformar em um comitê de ação política, gastando os fundos de Biden em despesas independentes, como campanhas publicitárias para um novo candidato presidencial.
Mas não seria permitido coordenar essas atividades de gastos com nenhum dos candidatos que apoia.
Isso já aconteceu antes? Embora nenhum presidente dos Estados Unidos tenha sido pressionado a desistir de uma campanha de reeleição devido a preocupações sobre sua aptidão mental, não é um fato inédito que um presidente em exercício abandone sua campanha de reeleição.
Ainda assim, isso é raro.
Esta é a primeira vez que um presidente dos EUA desiste de uma candidatura à reeleição em décadas. Isso remete às decisões dos ex-presidentes Lyndon B. Johnson e Harry S. Truman, em 1968 e 1952, respectivamente.
A decisão de Biden notavelmente chega meses mais perto do dia da eleição do que nos outros casos.
Pelo menos cinco outros ex-presidentes também rejeitaram a possibilidade de um segundo mandato completo.
A FEDERAÇÃO PSOL/REDE DE CURRAIS NOVOS/RN, por seus respectivos Presidentes, na forma da legislação eleitoral vigente e dos estatutos das agremiações partidárias mencionadas, convoca os convencionais/filiados aptos a votarem para comparecerem à Convenção Municipal dos Partidos PSOL e REDE SUSTENTATIBILIDADE de Currais Novos/RN a ser realizada no dia 2 de agosto de 2024, com início às 18:00hs, no prédio-sede da “Câmara Municipal de Currais Novos” situado à Rua Vivaldo Pereira nº 173, centro, Currais Novos/RN, para deliberação da seguinte ORDEM DO DIA:
Escolha dos candidatos do PSOL e do REDE SUSTENTABILIDADE, para disputa de cargos eletivos às eleições majoritária e proporcionais – prefeito(a), vice-prefeito(a) e vereadores(as)) nas eleições de 2024;
Sorteio dos respectivos números dos candidatos(as);
Delegação de poderes ao respectivo órgão municipal do Partido;
Escolha de Delegados/Representantes partidários junto à Justiça Eleitoral;
Deliberação sobre coligações partidárias na eleição majoritária;
Outros assuntos de interesse dos Partidos no processo eleitoral do ano em curso.
Currais Novos/RN, 19 de julho de 2024.
Adriano Francisco Dantas de Medeiros Presidente do PSOL
Saney Silva Presidente do REDE
Brunno Ygor de Medeiros Presidente Municipal da Federação PSOL REDE
SOLIDARIEDADE DIREÇÃO MUNICIPAL DE CURRAIS NOVOS/RN EDITAL DE CONVOCAÇÃO Convenção Municipal – Eleições 2024
O SOLIDARIEDADE DE CURRAIS NOVOS/RN. por sua Presidente que abaixo assina, na forma da legislação eleitoral vigente e do estatuto da agremiação partidária, convoca os convencionais/filiados aptos a votarem para comparecerem à Convenção Municipal do SOLIDARIEDADE de Currais Novos/RN a ser realizada no dia 31 de julho de 2024, com início às 18:30hs e término previsto para 22:00hs, no prédio-sede da “Câmara Municipal de Currais Novos” situado à Rua Vivaldo Pereira n° 173, centro, Currais Novos/RN, para deliberação da seguinte ORDEM DO DIA:
Escolha dos candidatos do SOLIDARIEDADE, para disputa de cargos eletivos às eleições majoritária e proporcionais – prefeito(a), vice-prefeito(a) e vereadores(as)) nas eleições de 2024;
Sorteio dos respectivos números dos candidatos(as):
Delegação de poderes ao respectivo órgão municipal do Partido;
Escolha de Delegados/Representantes partidários junto à Justiça Eleitoral;
Deliberação sobre coligações partidárias na eleição majoritária;
Outros assuntos de interesse do Partido no processo eleitoral do ano em curso.
Currais Novos/RN, 18 de julho de 2024 Ana Lúcia Lopes de Albuquerque Presidente do Solidariedade
A partir desta quinta-feira, 18 de julho de 2024, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) assumirá, de forma definitiva, a fiscalização da BR-226 no trecho que vai de Currais Novos a Florânia, até o entroncamento com a BR-226. A mudança ocorre após a transferência da responsabilidade do trecho, anteriormente estadual, para a esfera federal. Segundo o Inspetor Paulo Cunha, delegado da PRF no Seridó, a fiscalização será realizada de forma gradual. Como o trecho ainda está em processo de recuperação por parte do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), a PRF não intensificará as fiscalizações de imediato. No entanto, a população pode contar com o atendimento da PRF para quaisquer acidentes ou necessidades de assistência no local. Para qualquer situação emergencial ou auxílio, os cidadãos devem ligar para o número 191, onde a PRF estará disponível para atender às demandas e garantir a segurança dos motoristas e passageiros que transitam pelo trecho recém-integrado à jurisdição federal.