PF aponta que pai de Vorcaro manteve pagamentos a grupo ligado a ‘Sicário’ após prisão do filho

A Polícia Federal afirmou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o empresário Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria mantido pagamentos a um grupo comandado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, mesmo após a prisão do filho. As informações foram publicadas pelo jornal Estado de S. Paulo. A defesa de Henrique Vorcaro ainda não havia se manifestado.
Segundo a PF, os indícios foram reunidos a partir de diálogos encontrados no celular do policial aposentado Marilson Roseno, preso na terceira fase da Operação Compliance Zero. Ele seria um dos integrantes do grupo conhecido como “A Turma”, apontado pelos investigadores como uma estrutura voltada à obtenção de informações sigilosas de órgãos de investigação, além de ameaças a adversários e outras ações ilícitas.
De acordo com a investigação, Marilson enviou mensagens a Henrique Vorcaro em janeiro deste ano cobrando pagamentos ao grupo. O pai de Daniel Vorcaro teria respondido que faria um repasse de R$ 400 mil “imediatamente” assim que recebesse recursos. Em fevereiro, segundo a PF, Marilson voltou a cobrar os valores e afirmou que suspenderia a prestação dos serviços. Henrique, então, teria relatado dificuldades para cumprir os pagamentos acertados.
Para os investigadores, as conversas indicam que Henrique Vorcaro também teria exercido papel de comando sobre a atuação do grupo de Sicário, inclusive com ordens de pagamento por serviços considerados ilícitos. A PF também afirma ter encontrado indícios de que ele teria acionado a estrutura para acessar inquéritos sigilosos em tramitação na própria Polícia Federal.
A investigação cita ainda diálogos de 2024 nos quais Marilson teria se mobilizado para obter cópia de um inquérito sigiloso relacionado a Henrique, que havia sido intimado a prestar depoimento. Esses elementos foram usados pela PF para solicitar a prisão do empresário, cumprida nesta quinta-feira (14), na sexta fase da Operação Compliance Zero.
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, foi preso em fase anterior da operação e morreu enquanto estava sob custódia. Segundo a PF, ele liderava o grupo que prestaria serviços a Daniel Vorcaro e pessoas ligadas ao entorno do Banco Master.
Além da prisão de Henrique Vorcaro, a nova fase da operação cumpre mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.
Com informações do Estadão
