RN deve registrar 630 novos casos de cânceres ginecológicos

O Rio Grande do Norte deve registrar 630 novos casos de cânceres ginecológicos neste ano, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Do total de casos previstos, 330 são para colo do útero, 160 de corpo do útero e 140 de ovário. A maior taxa de incidência é a do câncer de colo de útero, correspondente a 13,6 casos para cada 100 mil habitantes, pouco abaixo da média nacional de 14,76. Na atual campanha do Setembro Flor, especialistas apontam para a importância da prevenção e identificação dos sinais dos cânceres ginecológicos.
De acordo com os dados do INCA, apenas em Natal a estimativa é de 180 novos casos de cânceres ginecológicos, sendo 60 de corpo do útero, 50 de ovário e 70 de câncer do colo do útero. A taxa de incidência para este último é de 12,14 casos para cada 100 mil habitantes.
A oncologista da Oncocentro, Maria Fernanda Medeiros, explica que o câncer do colo do útero é o segundo tipo mais comum entre as mulheres no Rio Grande do Norte, atrás apenas do câncer de mama, seguindo uma tendência observada na região Nordeste. Já no Brasil, a doença ocupa a terceira posição, depois dos cânceres de mama e colorretal.
Dentre os cânceres ginecológicos, a especialista observa que o câncer de colo de útero é o único que apresenta um sistema de prevenção e de rastreamento mais organizado. “Então existe vacinação que é a prevenção primária para que não haja contração do HPV. Todas as crianças, meninos e meninas dos 9 aos 14 anos, são vacinadas com a vacina que protege e previne contra o câncer de colo de útero e também contra outros cânceres.”
Além da vacinação, Maria Fernanda Medeiros observa a necessidade do exame de rastreamento populacional realizado por meio do Papanicolau, além de estar em teste um exame que utiliza a pesquisa do DNA do HPV. Já para os demais cânceres ginecológicos, não existem exames de rastreamento com a mesma segurança para a detecção precoce, sendo essencial que as mulheres fiquem atentas aos principais sintomas dessas doenças.
De acordo com Maria Fernanda, entre os sinais que devem chamar a atenção estão sangramentos fora do período menstrual ou depois da menopausa, sangramento após relação sexual, dor abdominal, alteração do hábito intestinal, dificuldade para evacuar, constipação e aumento do volume abdominal. Ela destaca, ainda, a importância da atenção a coceiras e lesões que não cicatrizam nas regiões da vulva e da vagina.
De acordo com a médica oncologista, os fatores de risco variam conforme o tipo de câncer ginecológico. No caso do câncer de colo do útero, a principal causa é a infecção pelo vírus HPV, responsável por 90% dos casos. “Então usar preservativo, realizar o papanicolau e se vacinar precocemente são fatores de prevenção. Já o câncer de corpo do útero e o câncer de ovário estão muito relacionados à obesidade, sobrepeso e ao sedentarismo. Então o controle do peso e a atividade física são fatores protetores”, completa.
Maria Fernanda Medeiros aponta ainda que os diagnósticos dos cânceres ginecológicos, especialmente os que não são do colo do útero, costumam ocorrer mais tardiamente. Isso porque o rastreamento existente para o câncer do colo do útero permite identificar a doença mais precocemente, o que aumenta as chances de cura. Já os demais tumores são mais silenciosos e podem ter sintomas confundidos com outras causas, fazendo com que a paciente demore mais a procurar avaliação médica.
A nutricionista clínica Rafaela Queiroz, de 40 anos, natural de Natal, compartilha que foi diagnosticada com câncer de ovário aos 30 anos, quando a doença já estava em estágio avançado. A busca por atendimento médico foi realizada assim que percebeu sintomas incomuns no seu corpo, incluindo estufamento na região abdominal. “É realmente um câncer bem silencioso e você acaba descobrindo quando tem os sintomas”, relata.
O diagnóstico da potiguar foi recebido em janeiro de 2016 e a cirurgia de remoção do tumor foi feita em março do mesmo ano. Após o procedimento, ela precisou passar pelo processo de quimioterapia durante cerca de quatro meses, período em que foi acompanhada por uma equipe multiprofissional. “Depois do tratamento, fui evoluindo e graças a Deus até hoje estou recuperada, sem nenhum sintoma e mantendo toda a rotina médica”, compartilha.
Para Rafaela, embora o processo de queda do cabelo tenha sido desafiador para a autoestima, o acolhimento recebido nesse processo foi fundamental para manter a esperança: “Eu tenho uma rede de acolhimento muito boa de amigos e de família. Então isso aí foi o que realmente me ajudou nesse momento”.
A nutricionista não deixa de destacar, também, a necessidade de as mulheres se manterem atentas aos sinais do próprio corpo. “Se você está sentindo alguma coisa diferente no seu corpo, é importante procurar ajuda. Não ter vergonha, entende? ”, compartilha.
tribuna do norte
