Urânio no RN: região de Currais Novos é citada em estudos sobre potencial mineral

Postado em 3 de setembro de 2026

O Rio Grande do Norte está entre os oito estados do país onde há ocorrência e indícios de urânio, elemento identificado em diferentes áreas do estado. Apesar disso, ainda não há estudos suficientes para determinar se o mineral apresenta capacidade econômica para exploração. Segundo especialistas do setor, a ausência de pesquisas durante décadas deixou lacunas sobre a dimensão e a viabilidade das reservas potiguares.
O Governo Federal discute ampliar a produção brasileira de urânio por meio de parcerias com a iniciativa privada. Em maio, BNDES, ENBPar e INB firmaram contrato para estruturar modelos de parceria em cinco áreas de mineração no país.

Em julho, o Ministério de Minas e Energia (MME) criou um grupo de trabalho para avaliar recursos e reservas e o potencial de produção de urânio, minério que serve para diversos fins, entre eles a produção de energia, propulsão naval e produção de armas nucleares.

Segundo a INB, o Brasil está entre os dez países com maiores recursos de urânio do mundo, com cerca de 295 mil toneladas conhecidas em oito estados, incluindo o Rio Grande do Norte. Embora o RN não esteja entre as áreas inicialmente incluídas nas parcerias, o estado possui ocorrências e indícios de minerais radioativos que ainda precisam ser mais estudados.

O geólogo Alexandre Rocha afirma que existe um depósito de urânio na região próxima à divisa entre o RN e a Paraíba, além de indícios do mineral em rochas pegmatíticas encontradas no estado. “Lá tem uma ocorrência histórica e tem potencial e recursos de urânio”, informa.

Conforme o geólogo, a pesquisa de urânio ficou estagnada durante anos devido ao monopólio estatal sobre o mineral, que desestimulava empresas privadas a investir na prospecção.

Segundo ele, a presença de urânio em pegmatitos não significa, necessariamente, que exista quantidade suficiente para a instalação de uma mina. “Talvez não tenha potencial para virar mina, mas tem indícios. Inclusive, quando você produz mineral de lítio, você é obrigado a fazer um laudo de urânio”, disse.

O urânio é um elemento químico naturalmente radioativo, encontrado em pequenas concentrações nas rochas e no solo. Segundo o geólogo Alexandre Rocha, na natureza o mineral costuma estar disseminado nas rochas, e a preocupação com a radioatividade aumenta quando ele é concentrado durante processos de extração e beneficiamento. Por isso, atividades de exploração de urânio exigem controle dos radionuclídeos presentes no material.

A falta de pesquisas específicas, segundo Alexandre Rocha, também impede que seja conhecido o potencial de outras áreas do RN. Para o especialista, o estado pode ter outras áreas com presença de urânio que ainda não foram identificadas.

A investigação, segundo ele, pode ser ampliada por meio de levantamentos aerogeofísicos realizados com equipamentos capazes de detectar sinais relacionados à presença de minerais radioativos. “Se o pessoal começar a usar esses levantamentos aéreos geofísicos, tenha certeza de que o Brasil vai descobrir outros depósitos”, afirmou.

Comissão realizou estudos em Currais Novos

O presidente do Sindicato das Indústrias de Mineração (Sindminerais-RN), Mário Tavares, afirma que o estado possui áreas com incidência de minerais radioativos, incluindo regiões de pegmatitos e rochas ígneas.
Para ele, estudos sobre a presença desses minerais já foram realizados em áreas do interior potiguar, mas ainda não há informações suficientes para determinar se existe volume capaz de sustentar uma exploração economicamente viável.

Entre as áreas citadas pelo dirigente está a região de Pau Pedra, em Currais Novos, próxima a áreas de mineração de xelita, onde, segundo ele, a antiga Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) realizou estudos sobre minerais radioativos.

Para Mário Tavares, a falta de pesquisa é um dos principais entraves para avaliar o potencial do urânio no estado. “A maioria dos nossos empresários não quer investir na pesquisa, já quer investir na produção. Em alguns casos, não é possível você fazer isso, você tem que estudar para ver a viabilidade”, destaca.

O presidente do sindicato também aponta a possibilidade de aproveitamento de minerais radioativos como subproduto de outras atividades. A Agência Nacional de Mineração (ANM) informou que não identificou, no Rio Grande do Norte, registros relacionados à exploração de urânio.

tribuna do norte