Apenas 25% dos projetos do Novo PAC foram concluídos

Postado em 5 de novembro de 2026

Apenas 25% dos empreendimentos previstos no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) para o período de 2023 a 2030 estavam concluídos até abril de 2026. Os dados constam de um estudo divulgado nesta quinta-feira (5) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O percentual representa 9.742 dos aproximadamente 38,6 mil projetos que integram o programa lançado em agosto de 2023, que reune investimentos em áreas como transportes, energia, saneamento, saúde, educação e conectividade.

O programa prevê R$ 1,8 trilhão em investimentos, dos quais R$ 1,3 trilhão até 2026 e outros R$ 500 bilhões após esse período.

O percentual de empreendimentos concluídos varia entre os eixos do programa, segundo dados da Casa Civil consultados pela CNI em abril de 2026. Veja os índices para os projetos previstos para o período de 2023 a 2030:

  • Infraestrutura social e inclusiva: 7%
  • Cidades sustentáveis e resilientes: 14%
  • Saúde: 21%
  • Transporte eficiente e sustentável: 29%
  • Educação, ciência e tecnologia: 30%
  • Inovação para a indústria da defesa: 50%
  • Transição e segurança energética: 56%

Como o programa tem empreendimentos com execução prevista até 2030, os percentuais não significam necessariamente que os projetos ainda não concluídos estejam atrasados ou paralisados na data do levantamento, já que parte deles poderia estar em andamento dentro dos prazos estabelecidos.

O SBT News procurou a Casa Civil para obter dados atualizados sobre a execução do Novo PAC, incluindo o número de empreendimentos concluídos, em andamento e paralisados, além do volume de recursos efetivamente investidos. O espaço permanece aberto para manifestação.

Déficit de investimentos

Além das dificuldades para concluir os empreendimentos, o Brasil enfrenta um déficit de investimentos em infraestrutura.

Segundo a CNI, o país destina entre 1,9% e 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) por ano no setor, enquanto estimativas da consultoria Inter.B apontam que seria necessário investir aproximadamente 4,7% do PIB anualmente, durante duas décadas, para modernizar a infraestrutura brasileira.

O estudo estima que o desgaste da infraestrutura equivale a 1,4% do PIB ao ano, consumindo boa parte dos investimentos que poderiam ser usados para ampliar e modernizar o setor.

O especialista em Infraestrutura da CNI, Ramon Cunha, destacou que as restrições do orçamento público aumentam a importância da participação privada, mas ressaltou que os recursos das duas fontes são necessários para o desenvolvimento do setor.

“A gente sempre ressalta e diz da importância desse investimento público. É importante também que a gente possa pensar em mecanismos de como atribuir cada vez mais uma parcela desse orçamento público para o investimento em infraestrutura. Lembrando que esses investimentos não são substitutos.”

sbt