“Não vamos ficar chorando”, diz Lula ao reagir às tarifas impostas pelos EUA

Postado em 23 de julho de 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (22) que o Brasil não encontrou reciprocidade nas negociações realizadas com os Estados Unidos para tentar evitar a aplicação das novas tarifas sobre produtos brasileiros. Apesar do impasse, o presidente disse que o país continuará buscando um acordo e manterá o diálogo com o governo norte-americano.

“Ninguém vai ganhar do Brasil mentindo. Nós estamos na mesa de negociação, já mandamos vários documentos e propostas, eu pessoalmente fui aos Estados Unidos, ficamos 3 horas discutindo negociação e a gente nunca encontrou reciprocidade na conversa”, afirmou Lula.

Segundo o presidente, a falta de avanço nas tratativas não deve interromper as negociações. Lula declarou que o Brasil seguirá apresentando propostas e que os Estados Unidos precisam justificar a decisão de aplicar a tarifa.

Na semana passada, o governo de Donald Trump confirmou uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. A medida entrou em vigor nesta quarta-feira (22), após uma investigação do governo americano apontar supostas práticas que “oneram ou restringem” o comércio entre os dois países.

Entre os pontos citados pelos Estados Unidos estão o sistema de pagamentos Pix e a regulação de plataformas digitais.

Durante a cerimônia no Palácio do Planalto, em que anunciou medidas de apoio a empresas afetadas pelo tarifaço, Lula afirmou que o Brasil continuará aberto ao diálogo e buscará novos mercados caso haja impactos nas exportações.

“Não vamos ficar chorando produtos que a gente não vendeu para eles, porque nós vamos procurar outros compradores”, declarou o presidente.

O governo federal anunciou a liberação de R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas pelas tarifas americanas e por impactos relacionados à guerra no Oriente Médio.

Os recursos serão destinados a setores como aço, alumínio, automotivo, madeira, máquinas, fertilizantes, indústria farmacêutica, têxtil e minerais críticos, além de empresas que tiveram exportações para o Golfo Pérsico prejudicadas.

Lula também sancionou uma lei que libera R$ 15 bilhões para ampliar as linhas de crédito do Plano Brasil Soberano, criado para apoiar empresas afetadas por medidas comerciais internacionais.

Outras ações seguem em estudo pelo governo e poderão ser adotadas caso empresas relatem dificuldades para comercializar produtos atingidos pelas novas tarifas.

As informações são do G1.