Pesquisadores da UFRN estudam bactéria detectada em produtos da Ypê

A bactéria Pseudomonas aeruginosa, identificada pela Anvisa em produtos da Ypê, é alvo de pesquisas desenvolvidas na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) devido à sua resistência a antibióticos e desinfetantes e ao potencial de causar infecções graves em humanos.
A contaminação levou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a suspender, no último dia 7 de maio, a fabricação, comercialização e distribuição de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes de todos os lotes com numeração final 1 produzidos pela Química Amparo, fabricante da Ypê, em sua unidade de Amparo (SP).
Segundo o professor Rafael Wesley Bastos, integrante do Programa de Pós-Graduação em Biologia Parasitária da UFRN e vice-coordenador do Grupo de Estudos e Ações em Saúde Única (Geasu-RN), a principal preocupação é justamente a capacidade da bactéria sobreviver em produtos destinados à limpeza.
“A Pseudomonas é resistente a desinfetantes e, justamente por isso, a gente se preocupa dela estar presente nesses produtos, porque ela sobrevive — coisas que outras bactérias normalmente não conseguem”, afirma.
A Pseudomonas aeruginosa é encontrada naturalmente em ambientes úmidos, como água, piscinas, torneiras e sistemas de abastecimento. Apesar de comum no ambiente, pode provocar infecções de pele, ouvido, olhos e trato urinário. Em casos mais graves, pode levar à sepse, principalmente em pacientes imunossuprimidos.
Pesquisas recentes conduzidas na UFRN também mostraram que a bactéria pode inibir o crescimento do Candida auris, fungo multirresistente considerado prioritário pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O estudo foi publicado na revista científica Frontiers in Fungal Biology.
Outro desafio apontado pelos especialistas é a capacidade da bactéria formar biofilmes — estruturas viscosas que aderem a tubulações e equipamentos industriais, dificultando sua eliminação mesmo após processos de desinfecção.
Após o recolhimento dos produtos, a orientação é que consumidores suspendam imediatamente o uso e procurem o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da Ypê para solicitar troca ou ressarcimento. O descarte em lixo comum, pia ou vaso sanitário não é recomendado devido ao risco de contaminação ambiental.
Tribuna do Norte
