RN lidera aumento de mortes violentas no Brasil em 2025; conflitos entre facções explicam alta, aponta Anuário

As mortes violentas intencionais caíram 8,2% no Brasil em 2025 em relação ao ano anterior. Em contrapartida, sete estados registraram alta no quesito. Os dados são do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública) na manhã desta quinta-feira (23).
Durante o ano de 2025, o Brasil registrou 40.775 mortes violentas intencionais. Na categoria estão englobadas vítimas de homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais em serviço e fora. Os números revelam uma taxa de 19,1 mortes por 100 mil habitantes.
Além da queda em relação ao ano de 2024, há também uma redução de 31,0% em comparação com 2012, primeiro ano da série histórica publicada pelo FBSP.
Mesmo com a redução das mortes violentas intencionais, sete unidades da federação registraram aumento na categoria. Elas são: Rio Grande do Norte, Rondônia, Acre, Roraima, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro.
Categorias das mortes violentas intencionais
Ao analisarmos os dados por cada tipo criminal, é possível observar que, em 2025, houve 32.914 casos de homicídios dolosos, com uma taxa nacional de 15,4 e uma variação de menos 10% em relação aos números de 2024.
Com isso, o Brasil antecipou em dois anos o cumprimento da meta nacional de redução dos homicídios prevista na Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social para 2027.
Na categoria dos homicídios dolosos estão inseridos os feminicídios. Em 2025, foram registradas 1.571 vítimas. Isso significa uma taxa de 1,4 casos por 100 mil mulheres. Os casos cresceram 4% em relação ao ano anterior.
Algumas subcategorias também apresentaram queda entre os dois últimos anos analisados. Em 2025, foram 807 vítimas de latrocínio, com taxa de 0,4 por 100 mil habitantes, com redução de 17% em relação a 2024. Já os casos de lesão corporal seguida de morte tiveram, em 2025, 659 vítimas, com uma taxa de 0,3 por 100 mil e uma variação de menos 15,2% dos casos em comparação aos dados de 2024.
O fenômeno de redução aparece também nos casos de policiais civis e militares mortos em serviço ou fora de trabalho. No ano passado, foram registradas 139 mortes. Os números apontam para uma taxa de 0,27 casos para cada mil policiais da ativa. Isso implicou em uma variação de -3,5% em relação aos casos de 2024.
Por outro lado, em 2025, os casos de mortes em decorrência de intervenção policial em serviço ou fora totalizaram 6.602 registros. Os registros indicam um aumento de 5,4% em relação ao ano anterior.
As MDIP (mortes em decorrência de intervenção policial) representaram, em 2025, 16,2% de todas as mortes violentas intencionais. Ou seja, cada seis MVI no Brasil foram de autoria de policiais civis e militares.
Perfil das vítimas
O Anuário revela que a violência letal no Brasil tem alvos específicos. Os dados mostram que 90% das vítimas de mortes violentas intencionais são homens. O percentual sobe para 99,3% quando analisadas apenas as mortes decorrentes de intervenção policial.
Além disso, segundo o estudo, a violência é desproporcionalmente racializada. Pessoas negras representam 79,7% das vítimas de MVI e 79,9% das vítimas de homicídio doloso.
A proporção alcança o maior patamar nas mortes decorrentes de intervenção policial, nas quais pessoas negras correspondem a 82,0% das vítimas.
Já no que diz respeito à idade, a concentração de MVI está entre adolescentes, jovens e adultos jovens, especialmente na faixa de 18 a 24 anos.
O grupo apresenta o principal para mortes violentas intencionais, homicídio doloso e mortes decorrentes de intervenção policial. Na última categoria, a participação de pessoas de 18 a 24 anos chega a aproximadamente 36%.
Aumento das MVI em sete estados
Os estados que apresentaram crescimento nas taxas de MVI foram:
- Rio Grande do Norte: 19,6%
- Rondônia: 7,5%
- Acre: 6,3%
- Roraima: 5,8%
- Distrito Federal: 5,8%
- Mato Grosso do Sul: 4,9%
- Rio de Janeiro: 2,1%
O Rio Grande do Norte registrou o aumento mais expressivo. Os números foram motivados principalmente pelo salto nos homicídios dolosos, que passaram de 655 em 2024 para 843 em 2025. De acordo com o estudo, os conflitos entre organizações criminosas como Comando Vermelho, Sindicato do Crime e PCC (Primeiro Comando da Capital) elevaram a violência.
Em Rondônia, o principal fato para o aumento dos dados foi a letalidade policial. O número de mortes nessa categoria saltou de apenas 8 ocorrências em 2024 para 47 em 2025, e representa 9,5% do total de mortes violentas intencionais do estado.
No Rio de Janeiro, a motivação para o aumento é a mesma. A letalidade policial, que é historicamente alta, atingiu o patamar de 20,5% de todas as mortes violentas intencionais do estado em 2025. O ano ficou marcado pela “Operação Contenção”, que deixou 122 mortos, sendo 117 civis e outros cinco agentes de segurança.
Cidades mais violentas do Brasil
O Nordeste e o Norte ainda são as regiões com as maiores taxas de mortes violentas intencionais do país (31,6 e 25,3 por 100 mil habitantes), ambas acima da média nacional. Além disso, o Nordeste concentra os 10 municípios mais violentos do Brasil em 2025.
A Bahia conta com cinco cidades no ranking, o Ceará com três e Pernambuco e Paraíba com um município cada.
Veja abaixo quais são:
- Maranguape (CE)
- Eunápolis (BA)
- Maracanaú (CE)
- Porto Seguro (BA)
- Simões Filho (BA)
- Jequié (BA)
- Caucaia (CE)
- Cabo de Santo Agostinho (PE)
- Santa Rita (PB)
- Juazeiro (BA)
CNN
