RN publica lista com 31 espécies de mamíferos ameaçadas

O Rio Grande do Norte publicou, nesta quinta-feira (29), uma lista oficial com 31 espécies de mamíferos ameaçadas de extinção ou consideradas desaparecidas do território potiguar. Entre os animais relacionados estão a onça-pintada, a anta e o queixada, classificados como regionalmente extintos, além da onça-parda, que está criticamente em perigo, e do tatu-bola-da-caatinga, considerado provavelmente extinto.
A relação foi divulgada pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do RN (Idema), por meio da Portaria nº 765/2026, no Diário Oficial do Estado (DOE). O levantamento reúne espécies distribuídas em cinco categorias de risco: regionalmente extintas, provavelmente extintas, criticamente em perigo, em perigo e vulneráveis.
Além desses animais, a lista inclui o macaco-prego-galego (Sapajus flavius), classificado como em perigo, e outros mamíferos, como a jaguatirica (Leopardus pardalis), a lontra-neotropical (Lontra longicaudis) e o veado-catingueiro (Subulo gouazoubira), considerados vulneráveis. Diferentes espécies de morcegos e pequenos mamíferos também integram a relação.
A elaboração da lista contou com a participação de pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) e da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), além de especialistas em mamíferos de outras instituições.
Segundo o Idema, muitos dos pesquisadores envolvidos estudam as populações dessas espécies há décadas, enquanto o esforço conjunto para mapear o risco de extinção no território potiguar começou em 2025.
A avaliação seguiu critérios estabelecidos pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), que consideram fatores como o tamanho das populações, a velocidade de declínio, a distribuição geográfica, o grau de endemismo e a dependência de habitats preservados.
No Rio Grande do Norte, a primeira Lista Oficial das Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção foi instituída no início deste ano, por meio da Portaria-SEI nº 52/2026. O documento abrange aves, répteis e anfíbios, peixes, mamíferos aquáticos e alguns grupos de insetos. A nova relação amplia o levantamento da fauna ameaçada no estado e fornece mais informações para orientar medidas de proteção das espécies e de seus habitats.
O levantamento também poderá subsidiar a elaboração de estratégias específicas de conservação. Segundo o Idema, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) desenvolve Planos de Ação Nacionais (PANs) voltados à proteção de espécies ameaçadas, e a expectativa é que iniciativas semelhantes sejam fortalecidas no âmbito estadual.
Para o órgão, a elaboração das listas é uma etapa inicial desse processo, pois permite identificar as espécies prioritárias e orientar futuras ações de preservação. O Idema também aponta que os dados podem contribuir para a criação de novas Unidades de Conservação no estado.
A publicação terá reflexos ainda na avaliação de empreendimentos. A presença de mamíferos ameaçados de extinção nas áreas de influência dos projetos poderá influenciar os estudos e as decisões de licenciamento ambiental no Rio Grande do Norte. Com a lista oficial, o Idema passa a contar com uma referência para orientar a avaliação dos impactos sobre a fauna e subsidiar medidas de conservação.
Segundo o instituto, as informações reunidas no levantamento auxiliam as equipes responsáveis pelo licenciamento e os empreendedores na elaboração de estudos ambientais e no monitoramento das espécies.
De acordo com a norma, quando houver registros de espécies ameaçadas nas áreas de influência de empreendimentos, poderão ser exigidos estudos específicos, monitoramento da fauna e medidas para reduzir ou compensar os impactos ambientais. Conforme a avaliação técnica, também poderão ser estabelecidas condicionantes, solicitadas alterações na localização dos projetos ou poderá ser indeferido o licenciamento, caso seja constatada inviabilidade ambiental.
Com a ampliação dos dados disponíveis, o Idema aponta que a lista pode contribuir para aproximar as ações de conservação da biodiversidade das atividades econômicas desenvolvidas no estado. A expectativa é que as informações auxiliem na identificação de riscos, na definição de medidas preventivas e na avaliação dos impactos ambientais de empreendimentos, oferecendo maior embasamento técnico às decisões de licenciamento.
Confira classificações
Regionalmente extintas (RE)
- Queixada (Tayassu pecari)
- Onça-pintada (Panthera onca)
- Anta (Tapirus terrestris)
Provavelmente extinta (CR PEX)
– Tatu-bola-da-caatinga (Tolypeutes tricinctus)
Criticamente em perigo (CR)
- Onça-parda (Puma concolor)
- Morcego-de-língua-comprida-de-vieira (Choronycteris vieirai)
Em perigo (EN)
- Macaco-prego-galego (Sapajus flavius)
- Ouriço-cacheiro (Coendou prehensilis)
- Ratinho-do-cerrado (Necromys lasiurus)
- Poco-do-mato (Dicolysia tajacu)
- Gato-do-mato (Leopardus tigrinus)
- Morcego-orelhus-de-funil-brasileiro (Natalus macrourus)
- Morcego-raiz-de-espada-de-tomo (Lonchophylla aurita)
Vulneráveis (VU)
- Mucurazica (Caluromys philander)
- Cuíca-lanosa-de-pelo-longo (Marmosa demerarae)
- Tapiti-comum (Sylvilagus brasiliensis)
- Guariba-de-mãos-ruivas (Alouatta belzebul)
- Macaco-prego-amarelo (Sapajus libidinosus)
- Cuíca-de-garganta-laranja (Dasypus kappleri)
- Rato-bolinha-da-caatinga (Calomys expulsus)
- Veado-catingueiro (Subulo gouazoubira)
- Lontra-neotropical (Lontra longicaudis)
- Jaguarundi (Herpailurus yagouaroundi)
- Jaguatirica (Leopardus pardalis)
- Furipterus horrens
- Nyctinomops aurispinosus
- Morcego-de-cauda-solta (Nyctinomops laticaudatus)
- Nyctinomops macrotis
- Morcego-focinhudo (Anoura geoffroyi)
