RN tem o menor crescimento do emprego formal do Nordeste, diz MTE

O Rio Grande do Norte chegou a 768.555 vínculos de emprego formal em junho de 2026, segundo dados da Rais Mensal divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Segundo o indicador, que reúne informações sobre empregos formais com carteira assinada e vínculos do funcionalismo público, o estoque representa crescimento de 6,3% em relação a janeiro de 2025, quando o estado tinha 723.213 empregos formais. A remuneração média, no entanto, é 5ª mais baixa do país, ficando atrás de estados vizinhos, como Paraíba e Ceará.
Apesar da expansão, o ritmo de crescimento do mercado formal potiguar ficou abaixo do observado na maior parte dos estados brasileiros e do Nordeste. No período, o estoque de empregos formais cresceu 12,4% na região Nordeste, enquanto a média nacional foi de 7,8%. No RN, a alta de 6,3% foi a menor do Nordeste.
Todos os outros estados nordestinos apresentaram crescimento com duas casas percentuais. Piauí (15,7%), Ceará (15,3%) e Bahia (13%) lideram a lista, seguida por Paraíba (12,8%), Sergipe (12,5%), Alagoas (11,6%), Maranhão (11,4%) e Pernambuco (10,8%). O desempenho potiguar também contrasta com o de estados de outras regiões. Amazonas, por exemplo, ampliou o estoque em 16,6%; Tocantins, 16,1%; Acre, 15,5%; e Pará, 13,8%. No extremo oposto, Rio Grande do Sul teve crescimento de 3,4% e São Paulo, de 4%, os menores do país.
A estrutura do emprego formal brasileiro continua fortemente concentrada no setor de serviços, que reúne 38,2 milhões de vínculos em junho de 2026, seguido por comércio, indústria, construção e agropecuária. No estoque nacional, os serviços avançaram 11,3% entre janeiro de 2025 e junho de 2026. Comércio e indústria cresceram em ritmo bem menor, 2,2% e 2,6%, respectivamente. A construção teve alta de 6,3%, enquanto a agropecuária avançou 1%.
O cenário ajuda a explicar a composição do mercado formal: o ensino médio completo continua sendo a maior categoria de escolaridade, respondendo por mais da metade do estoque (53,6%), enquanto a participação dos trabalhadores com ensino superior completo aumentou de 23,5% para 24,2%. No país, mais da metade dos vínculos formais (54%) é ocupada por pessoas com ensino médio completo.
Um dos principais movimentos registrados pela Rais é o aumento da participação feminina no mercado formal. Em junho, as mulheres ocupavam 46,4% dos vínculos formais do país, contra 45,1% em janeiro de 2025. São 29,18 milhões de vínculos, ante 33,71 milhões ocupados por homens. Apesar do avanço na participação, a desigualdade salarial permanece. Em junho, a remuneração média das mulheres correspondia a 87,9% da recebida pelos homens: R$ 4.124,39 contra R$ 4.691,40.
Os dados também mostram aumento da participação dos jovens no estoque de empregos formais, movimento associado ao ritmo maior de contratação de trabalhadores de 18 a 24 anos observado em 2026.
Na outra ponta, trabalhadores com 65 anos ou mais reduziram sua participação de 3,1% para 2,6% do estoque e foram o único grupo etário a apresentar queda absoluta no período, de 7,6%.
No recorte racial, trabalhadores pardos passaram de 40,9% para 43,5% dos vínculos. A base de dados também registrou melhora significativa no preenchimento da informação de raça ou cor. Em pouco mais de três anos, o número de vínculos sem essa informação caiu de 17,2 milhões para 3,1 milhões.
RN tem 5º menor salário médio do país
Se o número de empregos formais cresceu no Rio Grande do Norte, a remuneração continua sendo um ponto de atenção. O trabalhador formal potiguar recebia, em média, R$ 3.669,40 em junho de 2026, valor 16,4% inferior à média nacional de R$ 4.389,49. Com esse resultado, o RN ocupa a 23ª posição entre os 27 estados e o Distrito Federal no ranking nacional de remuneração média. O valor potiguar fica próximo, mas ainda abaixo, do observado no Ceará (R$ 3.671,67) e na Paraíba (R$ 3.681,56), mas supera Alagoas (R$ 3.543,75), Pernambuco (R$ 3.636,96) e Piauí (R$ 3.639,18).
Contudo, está R$ 23,81 acima da média regional. A remuneração média do Nordeste é de R$ 3.645,59. No topo nacional aparece o Distrito Federal, com R$ 7.983,46. A remuneração média nacional informada pela Rais Mensal é de R$ 4.389,49, o que representa uma redução em comparação ao início da série em janeiro de 2025 quando o trabalhador brasileiro recebia em média R$ 4.569,97.
TRIBUNA DO NORTE
