Derrota histórica no STF: Rogério Marinho fala em “fim do Lula 3” após rejeição de Jorge Messias

A rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) provocou forte repercussão no meio político e abriu uma nova frente de tensão entre o governo federal e o Congresso Nacional. A votação, encerrada em 42 votos contrários e 34 favoráveis, representa a primeira recusa do Senado a um indicado à Corte em mais de um século.
Logo após o resultado, o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que a derrota vai além do nome rejeitado e atinge diretamente o capital político do governo.
“Trabalhamos para derrotar o ministro Jorge Messias. Nada de pessoal, mas contra o que ele representa. Ele perde capital político e, na prática, hoje acaba o Lula 3”, declarou o senador.
Leitura política da oposição
Na avaliação de Marinho, o resultado sinaliza perda de credibilidade e dificuldade de articulação do Executivo dentro do Congresso.
“Se perde capacidade de negociação e legitimidade para conduzir processos aqui na Casa. O governo sofre uma derrota acachapante”, afirmou.
O parlamentar também defendeu que a próxima indicação ao STF seja feita apenas após as eleições de outubro, sugerindo que o cenário político atual não oferece estabilidade para uma escolha consensual.
“Espero que seja um recado da sociedade sobre a necessidade de equilíbrio entre os poderes e que o próximo nome tenha imparcialidade e distanciamento político”, completou.
Crise na articulação e desgaste institucional
A rejeição de Messias ocorre após meses de impasse e dificuldades na construção de apoio dentro do Senado. A indicação, feita pelo presidente Lula ainda em novembro do ano passado, enfrentou resistência desde o início — inclusive por parte do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).
A demora no envio formal do nome e a falta de articulação prévia com lideranças parlamentares ampliaram o desgaste político. Mesmo após uma sabatina de oito horas na Comissão de Constituição e Justiça, onde foi aprovado por 16 votos a 11, o indicado não conseguiu reverter o cenário no plenário.
Impacto histórico e próximos passos
A decisão do Senado rompe uma tradição institucional: desde 1894, nenhum indicado ao STF havia sido rejeitado. Ao longo de mais de um século, apenas cinco nomes foram barrados — todos ainda no período da República Velha.
Messias era o terceiro indicado de Lula neste mandato, após as aprovações de Cristiano Zanin e Flávio Dino. Com a rejeição, cabe agora ao presidente da República apresentar um novo nome para a vaga na Suprema Corte.
98fm
