Femurn defende que PEC da escala 6×1 seja votada em 2027

O vice-presidente da Federação dos Municípios do RN (Femurn), Fernando Antônio Bezerra (Podemos), demonstrou preocupação com os possíveis impactos da redução da jornada de trabalho, com o fim da escala 6×1, para os municípios do Rio Grande do Norte. Ele sugere, assim como a Confederação Nacional dos Municípios (CNM), que a votação do tema seja transferida para 2027.
Conforme noticiou a Tribuna do Norte na edição do último fim de semana, um estudo da CNM aponta que a diminuição da jornada de trabalho traria um impacto financeiro da ordem de R$ 811,14 milhões às prefeituras do RN, necessitando da reposição de 15.222 empregos estatutários aos municípios potiguares.
“A CNM, Confederação Nacional dos municípios, pondera em relação ao momento do debate – e decisão – acerca de um tema tão complexo e com significativo impacto financeiro. Ou seja, em um ano eleitoral, sem as devidas adequações, sem tratarmos casos específicos de prestação de serviços à comunidade (limpeza pública, administração indireta, terceirizados, etc), vamos resolver um assunto que terá repercussão durante as décadas seguintes” afirma Fernando Antônio Bezerra.
Nesse sentindo, o vice-presidente da federaçao, também prefeito de Acari, afirma que a Femurn acompanha a CNM e “sugere que a proposta seja votada em 2027 e que, até lá, tenhamos melhor clareza das condições que possam viabilizar um transição para uma nova jornada de trabalho”.
O prefeito “Fernandinho”, como é mais conhecido, explicou que o tema não chegou a ser abordado no 4º Congresso Conecta Municípios Potiguares (Conecta), que foi realizado em Natal na semana passada e contou com a participação de pré-candidatos ao governo do Rio Grande do Norte.
“A Femurn, até por um dever institucional, não deseja comentar acerca de posicionamento – sobre o tema “jornada 6X1” – dos pré-candidatos”, disse o prefeito acariense.
Marcha dos Prefeitos
A redução da jornada de trabalho e o impacto financeiro que a medida pode trazer aos municípios é um tema a ser abordado pelos prefeitos de todo o país na 27ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, que ocorrerá entre os dias 18 e 21 de maio.
A CNM divulgou estudo sobre quatro projetos de redução da jornada de trabalho no Congresso Nacional, hoje limitada a 44 horas semanais. As propostas sugerem reduções para 40 ou 36 horas semanais, prevendo desde mudanças imediatas ou transições graduais.
Dentro da administração pública, a alteração da jornada de trabalho terá os maiores reflexos nos entes locais, uma vez que atualmente 60% do funcionalismo público do país se encontra nos municípios.
Diferentemente do setor privado, segundo a CNM, a gestão pública local lida com uma estrutura rígida: 63% dos servidores municipais são estatutários, ou seja, regidos por Regime Jurídico Único. Essa predominância estatutária limita a flexibilidade da gestão em ajustes contratuais.
As áreas mais impactadas são educação, saúde, serviços gerais e os técnicos administrativos. Aproximadamente nove a cada dez ocupações pertencem a estas áreas.
A CNM alerta que mudanças tão drásticas devem ser feitas com extrema cautela, uma vez que, no caso dos entes públicos, as consequências de medidas legislativas serão experimentadas pela própria população.
Audiência na Câmara
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que chegou a hora de enfrentar o fim da escala 6×1 como debate geracional. Ele salientou que o papel da pasta que chefia nesse debate é encontrar o ponto de equilíbrio ótimo, convergindo os interesses.
“O debate do 6×1 é um debate geracional, é um debate que nós temos que fazer e temos que enfrentar. Está na ordem do dia, não é de agora. E convivendo, conversando com mais diversos setores, parece ter chegado a hora da gente enfrentar esse debate, de fato, como um debate geracional”, disse.
Durigan falou à Comissão Especial sobre o fim da escala 6×1, na Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (12), para tratar dos aspectos econômicos sobre a redução da jornada de trabalho, prevista na proposta de emenda à Constituição (PEC) nº 221/2019.
Ao defender o fim da escala de trabalho 6×1, Durigan reconheceu que do ponto de vista das empresas, há estudos apontando para custos com a mudança. “Mas é importante ponderar isso para que a gente não ache que é algo disseminado, algo generalizado”, afirmou durante a audiência para comentar os impactos econômicos do fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso.
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