O Ministério Público Federal (MPF) apresentou uma ação penal e uma ação de improbidade administrativa contra parte dos investigados na Operação Faraó, que apura suposto uso irregular de recursos federais destinados ao projeto Sífilis Não, executado no âmbito da Universidade Federal do RN (UFRN). Segundo o órgão, as irregularidades teriam ocorrido a partir de 2017, envolvendo recursos repassados pelo Ministério da Saúde.
As investigações apontam que integrantes ligados ao Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (Lais), vinculado à Fundação Norte-Rio-Grandense de Pesquisa e Cultura (Funpec), teriam utilizado verbas do projeto de forma indevida. As duas ações protocoladas tratam apenas de parte das apurações realizadas no Rio Grande do Norte, e novos desdobramentos ainda são analisados.
De acordo com o MPF, entre as irregularidades investigadas estão recebimento indevido de diárias, pagamento de despesas pessoais com recursos públicos e concessão irregular de bolsas financiadas com verbas federais destinadas ao projeto.
As ações também citam custos de viagens nacionais e internacionais, algumas delas sem relação comprovada com o programa ou realizadas durante períodos de férias, além de despesas duplicadas já cobertas por diárias pagas pela fundação responsável pela gestão dos recursos.
Concessão de bolsas e despesas investigadas O MPF afirma que um dos denunciados teria indicado a própria esposa para integrar a equipe do projeto e receber uma bolsa financiada com recursos do programa. A investigação também menciona a concessão de bolsas a outro investigado que, segundo o órgão, não teria qualificação comprovada para atuar no projeto.
Ainda conforme a denúncia, recursos teriam sido utilizados para custear viagens e refeições em restaurantes, além de despesas pagas por meio de cartões corporativos vinculados a uma entidade parceira do projeto.
Possíveis punições previstas em lei Na ação penal, o MPF pede a condenação dos investigados pelo crime de peculato, previsto no artigo 312 do Código Penal. Caso haja condenação, a pena pode variar de dois a doze anos de reclusão, além de multa.
Já na ação de improbidade administrativa, o órgão aponta possível enriquecimento ilícito, o que pode resultar em penalidades como perda de função pública, suspensão de direitos políticos, pagamento de multa e proibição de contratar com o poder público.
Entenda a Operação Faraó A Operação Faraó foi deflagrada em 2023 em uma ação conjunta do MPF, Polícia Federal e Controladoria-Geral da União (CGU). Mandados foram cumpridos no Rio Grande do Norte, São Paulo, Santa Catarina e Distrito Federal.
O projeto Sífilis Não é um programa nacional financiado pelo Ministério da Saúde, voltado para ações de prevenção e redução dos casos de sífilis adquirida e sífilis em gestantes no Brasil. Os recursos foram transferidos à UFRN, que os repassou à Funpec para execução das atividades.
As investigações seguem em andamento e podem gerar novos desdobramentos envolvendo pessoas, empresas e contratos analisados pelos órgãos de controle.
O Rio Grande do Norte registrou 858 acidentes com escorpiões entre janeiro e o início de março de 2026, segundo a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap). Ao longo de todo o ano de 2025, foram contabilizadas 5.756 ocorrências.
Diante do cenário, a Sesap, por meio do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox), divulgou orientações sobre prevenção, identificação de sintomas e busca por atendimento.
De acordo com o órgão, o atendimento inicial deve ser realizado em unidades de pronto atendimento. Nos casos em que há indicação de soro antiescorpiônico, o paciente é encaminhado a uma unidade de referência.
Os sintomas mais comuns após a picada incluem dor no local, ardência e dormência. Com a evolução do quadro, podem surgir dor abdominal, náuseas, vômitos, suor intenso e agitação. Crianças de até 10 anos e idosos estão entre os grupos mais vulneráveis.
A recomendação é procurar atendimento médico imediatamente após o acidente. A população também pode entrar em contato com o Ciatox pelos telefones (84) 98883-9155, 0800 281 7005 e 3232-4295 para orientações.
Entre as medidas indicadas após a picada estão lavar o local com água e sabão, manter a vítima calma e, se possível, registrar imagem do escorpião para auxiliar na identificação. O órgão orienta ainda que não se deve sugar o veneno, fazer torniquete, manusear o animal ou aplicar substâncias sobre a lesão.
Para prevenir acidentes, a Sesap recomenda examinar calçados e roupas antes de usá-los, vedar frestas e buracos em paredes, evitar o acúmulo de lixo e entulhos e controlar a presença de insetos como baratas e cupins. A pasta também destaca a importância de preservar predadores naturais, como corujas, sapos, lagartixas e galinhas.
Segundo a secretaria, a prevenção e o atendimento rápido são fundamentais para reduzir o risco de complicações.
O Rio Grande do Norte está entre os estados alvo da Operação Heavy Pen, deflagrada nesta terça-feira 7 pela Polícia Federal, com apoio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, para combater a entrada irregular, a produção clandestina e a venda ilegal de medicamentos usados para emagrecimento.
Ao todo, são cumpridos 45 mandados de busca e apreensão, além de 24 ações de fiscalização em diferentes estados do país, incluindo o RN.
As ações ocorrem nos estados do Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Roraima, Rio Grande do Norte, São Paulo, Sergipe e Santa Catarina.
Alvo da investigação A operação investiga grupos envolvidos na cadeia ilegal desses produtos, desde a importação até a comercialização de substâncias de uso injetável.
Entre os itens analisados estão medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida, usados em tratamentos para obesidade, além de substâncias como a retatrutida, que ainda não tem autorização para comercialização no Brasil.
Fiscalização Durante as diligências, estão sendo fiscalizados estabelecimentos como laboratórios de manipulação, clínicas estéticas e empresas que atuam fora da regulação sanitária, com produção, fracionamento ou venda de medicamentos sem registro ou de origem desconhecida.
Segundo a Polícia Federal, os materiais apreendidos serão usados para dar continuidade às investigações.
As condutas apuradas podem configurar crimes como falsificação e comercialização irregular de medicamentos, além de contrabando.
O ex-ministro das Comunicações e ex-deputado federal Fábio Faria, que representou o RN no Congresso, voltou a ser citado em apurações relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, instituição que teve liquidação determinada pelo Banco Central em novembro de 2025.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, mensagens trocadas entre Vorcaro e Faria em maio de 2024 foram recuperadas a partir de um serviço de armazenamento em nuvem e encaminhadas à CPMI do INSS, que investigou possíveis irregularidades envolvendo operações financeiras ligadas ao setor.
De acordo com a publicação, em conversa por WhatsApp, Vorcaro informou a Faria que havia recebido em casa o ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto. Na mesma mensagem, o empresário mencionou que viajaria para Brasília e que uma assinatura poderia ocorrer no dia seguinte.
Na troca de mensagens citada pela reportagem, Vorcaro escreveu: “Mas está tudo certo. Estou indo para Brasília. Amanhã acho que assina Augusto. ACM foi lá em casa”. Faria respondeu: “Bom demais”.
O “Augusto” mencionado na mensagem seria o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master. Ele chegou a ser preso preventivamente pela Polícia Federal em novembro de 2025 durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas irregularidades na concessão de crédito por instituições ligadas ao grupo.
Posteriormente, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) determinou a soltura de Augusto Lima, de Daniel Vorcaro e de outros investigados. Atualmente, ele responde às investigações em liberdade, cumprindo medidas cautelares.
Investigações envolvendo o Banco Master A Operação Compliance Zero apura suspeitas de concessão irregular de crédito e outras operações financeiras investigadas por órgãos federais. Parte das apurações também analisa contratos e operações envolvendo crédito consignado vinculado ao INSS.
Reportagens também apontaram mudanças nas regras do crédito consignado em 2022, que permitiram a criação de novas modalidades de empréstimo e ampliaram a atuação de algumas instituições financeiras no setor.
Negócio envolvendo projeto de energia O nome de Fábio Faria já havia sido citado anteriormente em reportagens relacionadas ao caso. Investigação publicada pelo UOL apontou que uma empresa ligada a Daniel Vorcaro teria adquirido 90% de um projeto de energia eólica pertencente ao ex-ministro.
Segundo a reportagem, o negócio teria sido fechado em fevereiro de 2024 e envolvido R$ 67,5 milhões, incluindo a transferência de um imóvel de alto padrão em São Paulo como parte do pagamento. Pela legislação brasileira, ex-ministros permanecem classificados como Pessoas Politicamente Expostas (PEP) por até cinco anos após deixarem o cargo, o que exige maior rigor em operações financeiras, mas não configura irregularidade por si só.
Posicionamento Procurado pela Folha de S.Paulo, Fábio Faria informou que não comentaria o caso, segundo a reportagem. As investigações sobre o Banco Master e seus ex-dirigentes continuam em andamento nos órgãos responsáveis.
A janela partidária deste ano reforçou o peso do PL na Câmara dos Deputados, com a legenda ultrapassando a marca de 100 parlamentares e se aproximando de seu maior patamar histórico. O movimento ocorre em meio à articulação eleitoral para 2026 e à pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro à Presidência.
Levantamento com base em dados da Câmara e dos próprios partidos indica que o PL saltou de 86 para 101 deputados no período de um mês em que foi permitida a troca de sigla sem punições. Foram 22 novos filiados e sete saídas, com adesões concentradas nos últimos dias do prazo. A tendência é que o partido consolide a maior bancada desde 1998, quando o então PFL alcançou 105 cadeiras.
No campo governista, o Partido dos Trabalhadores manteve praticamente o mesmo tamanho de bancada, mesmo estando à frente do Executivo federal. A sigla passou de 67 para 66 deputados.
Ao todo, cerca de 120 parlamentares trocaram de partido durante a janela. Os números ainda podem sofrer ajustes com a formalização da nova composição da Casa nos próximos dias.
O avanço do PL ocorreu, em grande parte, sobre quadros do União Brasil, que atravessa um período de instabilidade interna. A legenda perdeu espaço após conflitos regionais ligados à federação com o PP e também por desgastes envolvendo dirigentes citados em investigações relacionadas ao Banco Master.
No Rio Grande do Norte, uma mudança dessa natureza aconteceu: a deputada Carla Dickson saiu do União Brasil e ingressou no PL.
Para o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, a principal explicação para o crescimento está na força política do ex-presidente Jair Bolsonaro e na mobilização para a disputa eleitoral. “O que explica isso é o prestígio do (Jair) Bolsonaro. Tivemos que abrir mão de algumas vagas (de deputados que queriam se filiar) para outros partidos, porque precisamos deles com o Flávio. Todos entram comprometidos em ajudar nos palanques nos estados”, afirmou.
Além de Carla Dickson, entre os nomes que migraram para o PL estão Alfredo Gaspar (AL), Dani Cunha (RJ), Rosângela Moro (PR) e Rodrigo Valadares (SE), muitos deles oriundos do União Brasil.
A janela também registrou episódios de intensa movimentação individual. O deputado Padovani (PR), por exemplo, anunciou saída do União Brasil para o PL, depois comunicou filiação ao Republicanos e, por fim, optou pelo PP. “O processo é muito dinâmico”, disse.
O União Brasil deve ser o partido mais afetado, com a bancada encolhendo de 59 para 44 deputados, resultado de 25 saídas e apenas dez entradas. O desempenho expõe dificuldades na consolidação da federação com o PP, que, embora concebida para fortalecer o bloco, ampliou disputas internas por espaço político.
Nos bastidores, dirigentes admitem dificuldades de articulação nacional e tendência de neutralidade na eleição presidencial, o que tem levado parte dos parlamentares a migrar para siglas com posicionamento mais definido, como o PL.
O desgaste recente envolvendo lideranças da federação também pesou nas decisões. A vinculação de dirigentes ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, citado em investigações, aumentou a pressão interna. “Político vive de reputação. Tudo que é colocado e pode gerar desgaste de imagem afeta. Você vê um mundo de denúncias que está aí hoje, envolvendo inclusive a classe política e é óbvio que podendo evitar proximidade com isso, você vai procurar um grupo em que se sinta mais confortável e que tenha menos que se explicar”, afirmou o deputado Danilo Forte (CE), que deixou o União Brasil.
No Senado, o União também perdeu espaço. Além de Sergio Moro, que se aproximou do PL, e de Efraim Filho (PB), que deixou a sigla para disputar o governo estadual, a bancada foi reduzida de oito para três integrantes.
Apesar das perdas, o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, minimizou o impacto. “Calculo um saldo negativo mais baixo, de cinco ou seis. O principal motivo é a federação, que impactou regionalmente. O PL realmente sai muito forte”, afirmou.
Já o PP, parceiro na federação, deve ampliar sua bancada de 50 para 54 deputados. O PSD tende a permanecer com cerca de 47 parlamentares, enquanto o PSDB busca recuperação após o desempenho eleitoral de 2022 e deve alcançar 19 cadeiras.
“Somos o único partido que não se curvou ao bolsonarismo e ao lulopetismo. Estou buscando resgatar esse sentimento de que é possível furar a polarização e reabrir essa avenida do centro”, afirmou o deputado Aécio Neves, presidente do PSDB.
No campo da esquerda, o PSB deve crescer de 16 para 20 deputados, mas o bloco governista segue dependente de partidos de centro para formar maioria. “Fechamos essa janela partidária dando um recado político claro do compromisso com o Brasil e com a reeleição de Lula”, afirmou o presidente da legenda, João Campos.
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentou, no fim de março, uma queixa-crime contra o deputado federal André Janones (Rede-MG) no STF (Supremo Tribunal Federal).
Na avaliação dos advogados que representam o ex-mandatário, Janones publicou uma série de vídeos na internet com declarações consideradas caluniosas, referindo-se a Bolsonaro como “vagabundo”, “ladrão” e “safado”.
Além disso, a defesa sustenta que o parlamentar afirmou que Bolsonaro teria ordenado os assassinatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do vice, Geraldo Alckmin (PSB).
O documento apresentado ao Supremo argumenta que Janones extrapolou os limites da liberdade de expressão.
A equipe de defesa do ex-presidente também destaca que Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar humanitária, está impedindo de responder às acusações de Janones. Em setembro passado, o ex-chefe do Executivo foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por participar de uma trama golpista.
O que é uma queixa-crime? Queixa-crime é um processo apresentado à Justiça, iniciado pela própria vítima, em casos nos quais a lei diz que só ela pode pedir a punião, explica o MPF (Ministério Público Federal).
Esse tipo de ação ocorre em crimes como calúnia, difamação, injúria e danos simples.
O pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte pelo PT, Cadu Xavier, foi o primeiro entrevistado da série especial promovida pela Band RN com nomes que irão disputar o Executivo estadual em 2026. A entrevista, conduzida pela jornalista Anna Ruth Dantas, foi exibida nesta segunda-feira (6), dentro do programa Band Cidade.
Ex-secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier destacou que entra na disputa com o objetivo de dar continuidade ao governo da atual gestora, Fátima Bezerra, mesmo diante de um cenário de desaprovação apontado por pesquisas recentes.
Defesa de Fátima apesar de desaprovação Durante a entrevista, o pré-candidato foi questionado sobre o risco de vincular sua imagem a gestões que enfrentam desgaste popular, como a da governadora Fátima Bezerra e do presidente Lula.
Cadu minimizou o impacto negativo e afirmou que os resultados da gestão são suficientes para sustentar sua candidatura.
“O governo da professora Fátima é o melhor dos últimos 20 anos no Rio Grande do Norte”, declarou.
Ele citou avanços na segurança pública, regularização do pagamento dos servidores e melhorias em indicadores sociais como exemplos de entregas que, segundo ele, superam eventuais índices de desaprovação.
Folha de pagamento e responsabilidade fiscal Outro ponto abordado foi o crescimento da folha de pagamento do Estado, tema recorrente nas críticas da oposição. Cadu Xavier reconheceu o alto comprometimento com despesas de pessoal, mas argumentou que houve redução ao longo dos últimos anos.
Segundo ele, o percentual caiu de cerca de 63% da receita, em 2018, para aproximadamente 56% atualmente.
O pré-candidato também defendeu que o gasto com pessoal está diretamente ligado à prestação de serviços essenciais.
“Quando se fala em folha, estamos falando do policial, do professor, do médico, do enfermeiro. É a valorização dessas pessoas”, pontuou.
Ele afirmou que a gestão buscou equilibrar a valorização dos servidores com a responsabilidade fiscal.
Vice ainda indefinido Cadu Xavier também foi questionado sobre a composição da chapa e confirmou que ainda não definiu quem será o candidato a vice-governador.
De acordo com ele, a escolha será feita dentro da base aliada e deverá levar em consideração critérios políticos e de alinhamento com o projeto.
“A gente vai ter um vice ou uma vice que agregue ao nosso projeto lealdade, capital político e conteúdo programático”, afirmou.
O pré-candidato ressaltou ainda que a lealdade será um fator determinante na decisão, citando episódios recentes do cenário político estadual como justificativa para a exigência.
Série de entrevistas A participação de Cadu Xavier marcou a estreia da rodada de entrevistas da Band RN com os pré-candidatos ao Governo do Estado. Além de Cadu Xavier, Álvaro Dias (PL), Allyson Bezerra (União) e Robério Paulino (PSOL) foram convidados e também já firmaram compromisso para participação em um debate após as convenções partidárias. A iniciativa faz parte da cobertura especial das eleições de 2026 no Rio Grande do Norte.
As eleições gerais de 2026 devem consolidar um novo capítulo na comunicação política brasileira. Se nas disputas anteriores as redes sociais já ocupavam papel central, neste pleito a inteligência artificial (IA) surge como protagonista — ampliando possibilidades de produção de conteúdo, segmentação de mensagens e análise de dados, mas também elevando o risco de desinformação e exigindo maior atenção às regras da Justiça Eleitoral.
O cenário tem provocado uma reorganização das estratégias de campanha e do próprio ambiente jurídico eleitoral. Ao mesmo tempo em que a tecnologia democratiza ferramentas antes restritas a grandes estruturas políticas, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reforçou normas para garantir transparência, equilíbrio e integridade do processo democrático.
Segundo o presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB/RN, Fabrício Bruno, a presença massiva da inteligência artificial nas campanhas é inevitável. “As redes sociais são a nova arena política com a digitalização das campanhas eleitorais. É quase impensável, especialmente numa eleição geral como a de 2026, uma campanha sem uso da internet”, afirma.
Ele avalia que a facilidade de produção de conteúdo com ferramentas automatizadas deve provocar uma avalanche de materiais digitais durante o período eleitoral.
“Considerando esse novo ambiente e a acessibilidade na produção de conteúdo por IA, haverá uma enxurrada de produções. Contudo, essas ferramentas podem ser benéficas ou maléficas, já que podem produzir criações lícitas ou desinformação”, observa.
Transparência passa a ser obrigação Uma das principais exigências do TSE para as eleições deste ano é a obrigatoriedade de informar, de forma clara e visível, quando um conteúdo eleitoral tiver sido produzido ou manipulado com inteligência artificial. A medida busca evitar confusão entre materiais autênticos e conteúdos sintéticos com aparência realista.
Além disso, a Resolução nº 23.610/2019, atualizada para o pleito de 2026, determina a proibição da circulação de novos conteúdos sintéticos com imagem, voz ou manifestação de candidatos ou pessoas públicas nas 72 horas anteriores e nas 24 horas posteriores ao encerramento da votação.
Também estão proibidas produções que difundam fatos sabidamente inverídicos ou descontextualizados com potencial de comprometer o equilíbrio do pleito. Outro ponto relevante é a vedação ao uso de conteúdos sintéticos — mesmo autorizados — que alterem imagem ou voz de pessoas vivas, falecidas ou fictícias para favorecer ou prejudicar candidaturas.
“O responsável pela propaganda não pode deixar de informar, de modo explícito, destacado e acessível, que o conteúdo foi fabricado ou manipulado e qual tecnologia foi utilizada”, reforça Fabrício Bruno.
A legislação também impede que sistemas de inteligência artificial recomendem ou ranqueiem candidatos, além de proibir publicidade eleitoral com violência política contra a mulher.
O descumprimento das regras pode gerar consequências graves para partidos e candidatos. Segundo Fabrício Bruno, conteúdos irregulares podem ser removidos por plataformas ou por decisão judicial, além de haver risco de cassação de registro ou mandato, dependendo da gravidade da infração.
“Diante desse cenário de disputa eleitoral na internet, penso que há uma tendência no aumento de processos eleitorais, especificamente em relação à propaganda”, afirma.
A Justiça Eleitoral também poderá recorrer a parcerias com universidades para perícia digital de conteúdos suspeitos. Em determinados casos, o ônus de comprovar a veracidade do material poderá ser invertido, cabendo ao autor demonstrar sua autenticidade.
IA democratiza comunicação política Se por um lado há preocupação com abusos, por outros especialistas destacam ganhos importantes trazidos pela tecnologia para campanhas eleitorais. Para o diretor de marketing do Grupo Fórum Negócios, Gabriel Corrêa, a inteligência artificial amplia o acesso à comunicação política profissional.
“A IA vem para democratizar o uso de comunicações e materiais que antes só eram possíveis com a contratação de equipes grandes e campanhas caras, possibilitando que candidatos menores possam fazer sua campanha com materiais inovadores”, explica. Ele ressalta, porém, que a tecnologia não substitui o trabalho estratégico de comunicação.
“Não é sobre fazer tudo com IA. Ela facilita a produção de textos, roteiros e designs, mas não dispensa a necessidade de um profissional da área”, pontua.
Segmentação e velocidade redefinem estratégias A principal transformação provocada pela inteligência artificial está na capacidade de produzir conteúdos personalizados em larga escala e em tempo reduzido. Segundo o diretor de arte do Grupo Fórum Negócios, Pedro Menezes, a hipersegmentação é uma das principais vantagens estratégicas para as campanhas.
“A IA permite desdobrar uma única diretriz de campanha em dezenas de variações que conversam com nichos específicos, adaptando linguagem e apelo visual para diferentes realidades regionais ou sociais, sem perder unidade visual”, explica.
Ele destaca que o uso adequado da tecnologia está justamente em apoiar o processo criativo, sem substituir a figura humana do candidato. “O segredo é usar a IA na infraestrutura da criação e não na simulação da realidade”, afirma.
Outro impacto importante está na leitura do comportamento do eleitorado e na otimização de anúncios digitais. Segundo o head de Growth do Grupo Fórum Negócios, Rubens Silva, a inteligência artificial permite compreender melhor o perfil do público e ajustar estratégias com rapidez.
“Hoje conseguimos fazer análise de dados por geolocalização e idade e modelar os criativos conforme o público. Isso ajuda a maximizar o alcance sem violar as regras do TSE”, explica. Ele observa, porém, que o uso inadequado dessas ferramentas pode resultar em punições severas.
“As plataformas de anúncios estarão muito mais rigorosas com conteúdos políticos. Ter um profissional capacitado é essencial para garantir uma campanha dentro das normas”, afirma.
Deepfakes e desinformação ampliam riscos Apesar dos benefícios estratégicos, especialistas apontam que o principal desafio das campanhas de 2026 será lidar com o avanço das chamadas deepfakes e conteúdos manipulados com aparência realista. Para Gabriel Corrêa, a evolução das ferramentas torna cada vez mais difícil identificar materiais falsificados. “As inteligências que antes apresentavam erros visíveis agora lidam muito melhor com a geração de imagens e áudios. É preciso um olhar treinado para identificar”, alerta.
Pedro Menezes reforça que o desafio atual deixou de ser apenas produzir conteúdo em grande escala. “O foco mudou de escala para escala e veracidade. Com a democratização das IAs gerativas, qualquer pessoa produz conteúdo com aparência profissional, o que polui o ecossistema com desinformação”, afirma.
Entre as medidas adotadas para conter abusos, o TSE mantém parcerias institucionais com o Senado e com universidades para monitoramento de conteúdos suspeitos e fortalecimento do Programa de Enfrentamento à Desinformação. Perfis falsos e bots utilizados para espalhar informações falsas podem ser retirados do ar por decisão judicial, e plataformas devem disponibilizar canais de denúncia para irregularidades eleitorais.
Além disso, permanece proibida a contratação de influenciadores mediante pagamento ou premiações para propaganda eleitoral, bem como o uso de rankings ou recomendações automatizadas por sistemas de inteligência artificial.
Profissionalização das campanhas será decisiva Com o avanço tecnológico e o endurecimento das regras, especialistas apontam que a presença de equipes qualificadas será determinante para o sucesso eleitoral. Para Rubens Silva, operar campanhas com inteligência artificial sem conhecimento técnico pode representar risco jurídico significativo. “Hoje a campanha só será realmente saudável e dentro das normas se houver alguém que entenda o que está fazendo”, afirma.
Na avaliação de Fabrício Bruno, o cenário aponta para um pleito mais tecnológico, mas também mais judicializado. Entre inovação e controle institucional, as eleições de 2026 devem consolidar um novo padrão de disputa política no Brasil — onde criatividade digital e responsabilidade legal caminham lado a lado.
Regras “Conteúdo produzido por IA” Todo conteúdo eleitoral criado ou alterado por IA deve exibir aviso claro e visível para evitar enganos com montagens realistas.
IA pode recomendar voto? Não. Provedores de IA estão proibidos de ranquear ou favorecer candidatos, com planos de conformidade e canais de denúncia obrigatórios.
IA proibida 72 horas antes Proibido postar conteúdo IA com voz ou imagem de candidatos 72h antes da eleição e 24h após; plataformas devem remover imediatamente.
Como comprovar IA? TSE pode usar parcerias com universidades para perícia; Justiça pode inverter ônus da prova, exigindo que o autor comprove veracidade.
Pagar influenciador? Proibido contratar pessoas ou empresas por propaganda eleitoral paga, incluindo premiações; perfis falsos espalhando fake news podem ser banidos.
O Corinthians anunciou na noite desta segunda-feira (6) a contratação do técnico Fernando Diniz. O treinador de 52 anos chegou a um acordo com o Timão durante a tarde e chega para substituir Dorival Júnior, demitido no último domingo após a derrota por 1 a 0 diante do Internacional, na Arena Corinthians, pelo Campeonato Brasileiro. Ele assina contrato válido até dezembro de 2026.
Fernando Diniz era tido como o “plano A” da diretoria corintiana, que considerou ainda nomes como Sylvinho e Tite. O ex-comandante do Vasco, porém, levou a melhor. Ele estava sem clube desde que deixou o Cruzmaltino, em fevereiro deste ano.
Retrospecto do novo treinador Em seu último trabalho, Fernando Diniz comandou o Vasco em 56 jogos, com 17 vitórias, 16 empates e 23 derrotas, além do vice-campeonato justamente diante do Corinthians na Copa do Brasil. O aproveitamento foi de 39,9%.
Além do Vasco, Diniz teve passagens por Athletico-PR, São Paulo, Santos, Cruzeiro e Fluminense, onde conquistou os seus principais títulos: a Libertadores de 2023 e a Recopa Sul-Americana de 2024. O treinador ainda assumiu a Seleção Brasileira em 2023 e comandou o Brasil em seis jogos.
O governo deve enviar ainda nesta semana ao Congresso um projeto de lei para acabar com a escala de trabalho 6×1 – modelo em que o trabalhador tem apenas um dia de descanso por semana.
A proposta será encaminhada com pedido de urgência, o que pode acelerar a tramitação no Legislativo. Pela regra, o texto precisa ser analisado em até 45 dias na Câmara e mais 45 no Senado.
Em entrevista ao SBT News, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, afirmou que a mudança de estratégia ocorre diante da lentidão na tramitação do projeto atual, que está em formato de proposta de emenda à constituição (PEC).
“[…] a PEC, que é da deputada Erika Hilton, foi protocolada no final de 2024, começo de 2025, há mais de um ano. Foi dado andamento pra ela na CCJ agora, há poucos meses, e a CCJ marcou várias audiências públicas pra poder debater. Depois disso, ainda pode ser criada uma comissão especial. Ou seja, o tempo de urgência da família trabalhadora brasileira não é esse, não é esse tempo do Congresso”, disse.
Segundo o ministro, o objetivo agora é garantir uma votação ainda no primeiro semestre.
Pontos do projeto
O projeto terá três pontos principais:
fim da escala 6×1, com adoção máxima de jornada 5×2;
redução da carga semanal de 44 para 40 horas;
manutenção dos salários, sem redução proporcional.
O ministro defendeu que a mudança pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores.
O Brasil importou mais de 130 kg de insumos farmacêuticos ativos (IFAs) para a produção de tirzepatida nos últimos seis meses. O volume é suficiente para cerca de 25 milhões de doses de canetas manipuladas, segundo informou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária nesta segunda-feira (6).
Os dados foram apresentados em coletiva de imprensa, na qual a agência divulgou um diagnóstico sobre a circulação de medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, usados no tratamento de diabetes e também para emagrecimento.
No país, além dos produtos industrializados com registro sanitário, a legislação permite a chamada forma magistral, em que farmácias de manipulação produzem medicamentos sob demanda a partir desses insumos.
De acordo com a Anvisa, esse modelo ampliou a oferta dessas substâncias, mas também levantou dúvidas sobre o cumprimento das normas sanitárias. Entre novembro de 2025 e abril de 2026, mais de 100 kg de IFAs para tirzepatida foram importados — o equivalente a cerca de 20 milhões de doses.
Em fiscalizações realizadas em ao menos 11 farmácias, a agência identificou uma série de irregularidades, como produtos sem registro sanitário, falhas de esterilidade com risco de contaminação, problemas na cadeia de refrigeração durante o transporte, uso de insumos sem controle de qualidade ou de origem desconhecida, além de casos de falsificação e comercialização irregular.
Diante dos problemas, a Anvisa informou que pretende endurecer as regras para a manipulação desses medicamentos. A norma que autoriza a produção em farmácias será revisada, com previsão de divulgação das novas diretrizes no próximo dia 15 de abril.
Nesta segunda-feira (6), nossa equipe recebeu a Defensoria Pública do Estado na Procuradoria Especial da Mulher da ALRN. O encontro contou com a presença da procuradora especial da Mulher, deputada estadual Cristiane Dantas, da coordenadora-geral da ProMulher, Samya Bastos, e da coordenadora jurídica da Diretoria de Políticas Complementares, Dra. Karina Silveira. Na ocasião, a equipe recebeu os defensores públicos Dr. Francisco Sidney e Dra. Ana Beatriz Gomes Fernandes Dias, em um momento de diálogo técnico e construção de estratégias integradas.
A reunião teve como foco o aprimoramento do termo de cooperação técnica entre as instituições, por meio da Assembleia Legislativa do RN, buscando ampliar a efetividade dos serviços prestados, fortalecer os fluxos de atendimento e garantir uma rede de proteção cada vez mais acessível, humanizada e eficiente para as mulheres potiguares.
Para a deputada Cristiane Dantas, a união entre os órgãos é fundamental para assegurar resultados concretos. “Quando as instituições caminham juntas, quem ganha é a mulher que precisa de acolhimento e de respostas rápidas. Nosso compromisso é fortalecer essa rede, integrar serviços e garantir que nenhuma mulher se sinta sozinha ao buscar ajuda”, destacou.
Após a reunião, a procuradora apresentou aos representantes da Defensoria Pública a estrutura da ProMulher, localizada no anexo da Assembleia Legislativa, no bairro de Jundiaí. O espaço foi planejado para oferecer acolhimento qualificado, orientação jurídica e encaminhamentos necessários, consolidando-se como um importante ponto de apoio na rede de enfrentamento à violência contra a mulher no estado.
A iniciativa reforça o papel da ProMulher/ ALRN como articuladora de políticas públicas e parceira ativa na construção de soluções que promovam proteção, dignidade e cidadania para as mulheres do Rio Grande do Norte.
Pessoas próximas de Daniel Vorcaro afirmam que o banqueiro está perto de reunir todas as informações necessárias para firmar um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal já na próxima semana.
Foram três semanas de força-tarefa para consolidar dados enquanto Vorcaro permanece preso.
Com o material reunido, a defesa pretende iniciar a negociação dos termos do acordo, apresentando o conteúdo obtido e avaliando os possíveis desdobramentos do processo. Caso aceitem avançar, PGR e PF poderão solicitar a inclusão de informações específicas nos depoimentos.
Há, entre pessoas que acompanham as negociações, a preocupação de apresentar elementos suficientes para convencer as autoridades sem expor integralmente o conteúdo antes da formalização do acordo.
Além de propor uma delação coletiva — que incluiria nomes como o fundador da Reag Investimentos, Carlos Mansur, e Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro —, a defesa pretende garantir imunidade jurídica a familiares do banqueiro, como pai e irmã. A ideia é evitar que eventuais crimes atribuídos a Vorcaro, como lavagem de dinheiro por meio de contas de parentes, sejam imputados a eles.
Segundo pessoas que acompanham o caso, o material já reunido preencheria “muitos anexos” de uma delação. “Vorcaro vai explicar tudo”, tem sido o lema entre interlocutores.
Com base em dados da investigação, mensagens de celular e na própria memória do banqueiro, a defesa avalia ter um conjunto robusto e inédito de informações, com conexões ainda não alcançadas pelas apurações.
Vorcaro afirma estar arrependido, mas nega ter integrado organização criminosa. Segundo pessoas que acompanham as negociações, sustenta que, em palavras relatadas à reportagem, “jogou o jogo que todo mundo joga” e pretende detalhar como o mercado financeiro teria atuado para sufocar o banco Master.
Entre os pontos que devem ser apresentados estão mensagens em que menciona ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo pessoas com acesso ao caso, Vorcaro vai apresentar seus relatos, cabendo a PF e PGR avaliar se há ou não crime.
O uso de aeronaves de sua propriedade por terceiros será apresentado como estratégia de ampliação de contatos.
Já ameaças a desafetos, incluindo jornalistas, devem ser descritas como desabafos e bravatas.
A “empregada Monique”, citada em conversa na qual o banqueiro fala em “moer” uma pessoa, seria funcionária de uma namorada de Vorcaro que, segundo essa versão, ameaçava o casal com a divulgação de imagens comprometedoras.
Pessoas que acompanham as negociações também apresentam uma versão diferente sobre o apelido de Luiz Philipe Mourão, conhecido como Sicário, que morreu após prisão. Segundo eles, o nome pelo qual era conhecido em Minas Gerais era “Mexirica”, e “Sicário” teria sido uma brincadeira de Zettel. Mourão é descrito como uma pessoa “voluntariosa”, o que, na avaliação desses interlocutores, indicaria maior grau de autonomia em seus atos.
Na investigação, porém, Sicário é apontado como um dos principais operadores de ordens de Vorcaro e suspeito de invadir ilegalmente sistemas públicos.
Pré-candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou, nesta segunda-feira (6), que não há a menor possibilidade de Donald Trump invadir o Brasil.
“Não há a menor possibilidade disso acontecer [Trump invadir o Brasil]. Ele usa essa narrativa do medo para fazer média com esse segmento que vota nele”, disse o senador.
A possibilidade de uma invasão dos Estados Unidos ao Brasil foi levantada devido a intenção do governo americano em classificar facções criminosas como organizações terroristas.
Esse tipo de designação pode ampliar o alcance de ações americanas, incluindo sanções econômicas e operações contra redes ligadas ao crime organizado.
As declarações de Flávio foram feitas durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda. Durante a entrevista, Flávio também defendeu a classificação de facções criminosas como organizações terroristas.
“Sim, não tenho dúvida. Se você analisar, existem relatórios de inteligência sobre Hamas e Hezbollah atuando no Brasil […] O Brasil é uma rota de tráfico de armas e de drogas que abastece o terrorismo. E quando a gente vê o Lula reticente, ele está fazendo gestos para o terrorismo, para o PCC”, afirmou Flávio.
Para o governo Lula, uma possível classificação de facções criminosas como organizações terroristas pelos Estados Unidos pode representar uma ameaça à soberania nacional.
Terrorismo e organizações criminosas na lei brasileira
De acordo com a Lei Antiterrorismo (Lei nº 13.260/2016), o terrorismo é caracterizado no Brasil pela prática de atos específicos por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião.
O objetivo central deve ser a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoas, patrimônios ou a paz pública. Assim, o terrorismo possui natureza ideológica ou política, segundo a legislação brasileira.
Por outro lado, facções como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) são enquadradas como organizações criminosas porque sua atuação é voltada prioritariamente para a obtenção de lucro.
Essas atividades econômicas ilícitas incluem, majoritariamente, o tráfico de drogas e de armas.
O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) recomendou ao Comando-Geral da Polícia Militar a anulação das promoções de Pedro Inácio Araújo de Maria, que passou de cabo a segundo sargento enquanto estava preso. O PM foi condenado pelo estupro e feminicídio da estudante Zaira Cruz, crime ocorrido na cidade de Caicó durante o carnaval de 2019. A recomendação foi publicada na edição desta terça-feira (7) do Diário Oficial do Estado (DOE). A recomendação é da 19ª Promotoria de Natal, que é encarregada do controle externo da atividade policial.
O MPRN argumenta que o militar foi promovido duas vezes, em 2020 e 2023, mesmo estando na condição de sub judice e detido por ordem judicial. A legislação estadual proíbe que policiais nessas situações constem em quadros de acesso ou ascendam na hierarquia da corporação.
O MPRN, na recomendação, orienta que o policial retorne ao posto de cabo e que sua situação administrativa seja registrada como agregado, de forma retroativa a 15 de março de 2019. O Ministério Público também recomendou a abertura de um processo administrativo para apurar o prejuízo causado aos cofres públicos pelo pagamento dos salários de sargento. A recomendação prevê que o policial seja cobrado para ressarcir as diferenças salariais recebidas indevidamente, com os valores devidamente corrigidos.
O pedido de correção na carreira ocorre porque o policial foi condenado pelo estupro e feminicídio da estudante Zaira Cruz, crime ocorrido na cidade de Caicó durante o carnaval de 2019. O caso gerou grande comoção pública após a vítima ser encontrada morta em um veículo. O MPRN destaca que a gravidade das infrações cometidas pelo agente afeta diretamente a imagem da instituição policial militar e exige medidas rigorosas.
O MPRN também contesta a decisão de um conselho de disciplina que, em 2024, aplicou apenas 30 dias de prisão ao policial pelas transgressões graves. O documento afirma que essa punição é insuficiente e incompatível com a prática de crimes hediondos contra uma mulher. A recomendação aponta que a autoridade militar não pode utilizar critérios de conveniência para manter no serviço público alguém que praticou atos de tamanha gravidade.
A recomendação orienta que a Polícia Militar anule o resultado desse processo disciplinar e emita uma nova decisão que reconheça a incapacidade do agente de permanecer nos quadros da força. Para o MPRN, a conduta de Pedro Inácio Araújo de Maria implica necessariamente em sua exclusão da corporação a bem da disciplina. O Comando-Geral da Polícia Militar tem o prazo de 20 dias para informar por escrito quais providências foram adotadas para cumprir as orientações.