Tiroteio no Senado: há 60 anos, pai de Collor matou colega no plenário e saiu impune

Postado em 5 de dezembro de 2023

Arnon de Mello (PDC-AL) estava tenso antes de usar o microfone do Senado Federal naquele 4 de dezembro de 1963: se decidisse mesmo discursar, o faria sob jura de morte. Horas antes do início da sessão, num telefonema anônimo, havia sido informado de que o senador Silvestre Péricles (PTB-AL), na sala do café do Senado, apregoava que, se Arnon falasse naquele dia, “encheria sua boca de balas”

A rixa entre os dois não só era conhecida como assombrava aquela legislatura do Senado Federal. Silvestre Péricles de Góis Monteiro e Arnon de Mello eram arquirrivais na política alagoana há mais de uma década. Tudo havia começado em 1950, quando a família Góis Monteiro, que dominava a política local, se encontrava rachada. Ismar, irmão de Silvestre Péricles, decidiu apoiar Arnon de Mello para o governo estadual, esnobando a candidatura indicada pelo grupo do irmão. Desde então, ano a ano, a rivalidade entre Mello e Góis Monteiro escalava para níveis cada vez mais tensos.

Na manhã do dia 4, a ameaça de Silvestre Péricles foi correndo à boca pequena e chegou aos ouvidos do senador paulista Lino de Matos (PTN), que se espantou com o teor da expressão e foi confirmá-la com o próprio Góis Monteiro. Ao questioná-lo se aquilo era verdade, um furioso Silvestre Péricles garantiu a Matos que, sim, encheria de balas a boca de Arnon de Mello se o desafeto tomasse a palavra. Lino de Matos achou melhor avisar o presidente do Senado, o colega de São Paulo Auro de Moura Andrade (PSD).

Moura Andrade já havia tomado medidas de segurança excepcionais para aquele dia, em face dos boatos de que capangas alagoanos estariam no Congresso Nacional para ajudar seus clãs se o conflito chegasse às vias de fato. Além de uma revista mais rigorosa para acessar a galeria do público, guardas à paisana estavam espalhados pelo recinto. Com o recado de Lino de Matos, porém, Auro achou melhor emitir um aviso incomum antes de ceder a palavra a Arnon de Mello, o primeiro a falar naquela sessão.

“A presidência precisa declarar que manterá a ordem e o respeito indispensáveis no Senado, nos limites máximos de sua força”, afirmou Moura Andrade. Em seguida, passava a considerar que algum ilícito estivesse prestes a acontecer. “Se houver qualquer delito, será imediatamente aberto inquérito e lavrado o auto de flagrante”, completou o presidente do Congresso. “Isto é provocação”, confessou Góis Monteiro ao colega José Kairala (PSD-AC), um jovem e simpático senador em exercício que, em resposta, lhe pediu calma.

Arnon tomou a palavra às 15 horas e 3 minutos. “Presidente”, disse Mello, “permita que eu faça o meu discurso olhando na direção do senador Silvestre Péricles de Góis Monteiro, que ameaçou me matar, hoje, ao começar o meu discurso…” Neste momento, interrompeu a fala. Notou que Silvestre Péricles vinha rumando ao seu encontro com o braço direito erguido, o dedo em riste e a garganta saltada pelos sucessivos gritos de “crápula”. Arnon sacou o revólver e, mirando o desafeto, disparou duas vezes.

Estava instalado o tumulto. Góis Monteiro agachou rapidamente e saiu ileso. Enquanto os guardas do Senado tentavam imobilizar Arnon, ele acabou atirando pela terceira vez. Silvestre Péricles, escorado entre as cadeiras da bancada, sacou o revólver e seguiu ao encontro de Mello. Achou um ângulo, mirou no desafeto e estava prestes a atirar. Era só apertar o gatilho, pois o mecanismo do revólver já estava acionado.

Subitamente, surge o senador João Agripino (UDN-PB), que se joga em cima de Góis Monteiro e, empunhando a arma do alagoano, trava o percursor do revólver com o dedo, impedindo o disparo. Agora, ambos estavam imobilizados e o susto parecia ter passado. Mas havia um ferido: José Kairala, que estava a poucos metros de Silvestre Péricles, foi atingido no primeiro tiro.

Vítima era senador por acaso naquele dia
Kairala José Kairala tinha 39 anos e estava em exercício do mandato por acaso. Nasceu em Manaus, mas se mudou com 1 ano de idade para Brasiléia, na fronteira do Acre com a Bolívia, onde foi comerciante e prefeito. Era o suplente de José Guiomard (PSD-AC), que estava licenciado para tratar uma pneumonia.

Havia assumido a cadeira no Senado em 4 de julho daquele ano e estava empolgado com a oportunidade. De acordo com o senador Adalberto Sena (PTB-AC), Guiomard pretendia reassumir o mandato no mês anterior à tragédia, mas, a pedido do próprio Kairala, concordou em adiar o retorno ao Congresso.

A licença de José Guiomard expirou no dia 3 de dezembro. Anos depois, em seu livro de memórias, Auro de Moura Andrade afirmou que, naquela terça-feira, José Kairala o procurou em seu gabinete e pediu permissão para comparecer à sessão do dia seguinte. Alegou que o titular só chegaria em Brasília no dia 5 e, além de tudo, gostaria que a família estivesse presente para acompanhar seu último dia como senador. Auro permitiu que Kairala estivesse no plenário, desde que não tomasse a palavra nem votasse na ordem do dia.

Após o tiro, o suplente foi levado às pressas para o Hospital Distrital de Brasília, que fica a cinco quilômetros do Congresso Nacional. Os detalhes quanto ao translado são incertos. Numa versão, é dito que o transporte foi feito na ambulância do Senado; em outra fonte, a corrida ao hospital teria sido no carro nº 80 do Senado Federal, da liderança do Partido Trabalhista Brasileiro.

Kairala veio a óbito às 20 horas e 5 minutos, na sexta parada cardíaca e após sucessivas transfusões. O estoque de plasma do hospital foi esgotado e mais de 15 litros de sangue foram utilizados no processo. Durante a tarde, diversos parlamentares haviam se prontificado a doar sangue na tentativa de salvar o colega, que deixou três filhos pequenos e uma viúva grávida de 7 meses.

Tragédia anunciada diante dos ânimos exaltados
“Era uma tragédia anunciada”, diz Thayná Alexandre, pesquisadora e mestre em História pela Universidade Federal do Alagoas (UFAL), sobre o tiroteio em pleno Senado. Thayná é autora de uma dissertação de mestrado sobre a trajetória política de Arnon de Mello e explica que o encontro dos arquirrivais alagoanos no Senado Federal causava apreensão desde o início da legislatura. “Todo mundo já esperava que alguma coisa fosse acontecer entre o Silvestre Péricles e o Arnon de Mello. Eram duas figuras que já vinham trocando ameaças há muito tempo, um dizendo pro outro que partiria para as vias de fato”, afirma a pesquisadora.

O clima para o início da legislatura era o pior possível. Em 1962, enquanto ainda era candidato ao Senado, Arnon foi ameaçado por Silvestre Péricles. Se fosse eleito, segundo Góis Monteiro, “levaria um tiro na cara” no dia da posse. Venceu as eleições e, em janeiro de 1963, encaminhou um telegrama ao presidente do Senado rechaçando as bravatas. Silvestre Péricles estava no Plenário neste momento. “Então o Arnon pensa que eu sou bicho-papão? Não sou nada disso”, reagiu o senador. E, empunhando um livro de poesias que havia acabado de lançar, virou-se para um repórter e disse: “Eu sou o poeta do amor e da saudade!”.

Poeta ou não, o serviço de segurança do Senado foi reforçado. Apesar da apreensão, Arnon e Silvestre Péricles não chegaram às vias de fato e a posse ocorreu sem maiores incidentes.

Tempo e convivência não resolveram o conflito
Dias depois da posse, ao jornal carioca Diário da Noite, o presidente Auro de Moura Andrade orgulhou-se de ter adotado “as mais rigorosas providências” para evitar o “conflito armado que se anunciava” entre os dois desafetos. Estava esperançoso: disse que, com o devido tempo e convivência, os alagoanos se resolveriam.

Moura Andrade, no entanto, foi desmentido ao longo do ano. Se era questão de convivência, não adiantou: cinco poltronas separavam Arnon de Silvestre, mas a rixa não esfriou. Nem o tempo adiantou: em agosto, Arnon foi nomeado para representar o Brasil em conferências internacionais entre parlamentares. Passou um bom período fora do País e Silvestre Péricles aproveitou a ausência do rival para carregar ainda mais suas bravatas.

Antecedentes imediatos incluíram representação no exterior
Segundo o senador Milton Campos (UDN-MG), proeminente político da época e presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), teria sido a nomeação de Arnon para representar o Brasil no estrangeiro o motivo do acirramento dos ânimos de Silvestre para com Arnon. Campos deu esse palpite no depoimento que prestou à Justiça, no qual relembrou um antecedente imediato à tragédia: o embate de Góis Monteiro com a CCJ.

Se era mesmo o “poeta do amor e da saudade”, Silvestre se valia repetidas vezes de palavras de baixo calão. Havia uma cláusula no Regimento Interno do Senado Federal que proibia a transcrição de palavras impróprias para o Diário Oficial, mas Góis Monteiro as utilizava na tribuna e fazia questão de vê-las publicadas. Para emplacar as ofensas, chegou a entrar em conflito com a CCJ, mas foi voz vencida e, hoje, não se sabe o que ele teria dito contra Arnon.

Episódio gerou proibição de porte de arma no Senado
O homicídio em pleno Congresso Nacional chocou a opinião pública. O Senado reagiu com a aprovação imediata de duas resoluções. A primeira delas, votada no dia seguinte ao crime, proibia o porte de arma nas dependências do Senado. Quando Arnon de Mello pediu para falar na direção do senador Góis Monteiro, não era mera provocação: no Regimento Interno, proibia-se que um senador discursasse na direção de um colega. O porte de arma, por sua vez, era permitido até ali.

Em 8 de dezembro, foi aprovada uma resolução que lavrou o flagrante do homicídio, levando os senadores envolvidos à prisão. Nas horas que antecederam a aprovação do projeto, líderes do Senado discutiam intensamente sobre a cassação ou não dos mandatos de Arnon e Silvestre Péricles. Predominou o entendimento de que a eventual perda dos cargos seria uma decisão da Justiça.

Por fim, um projeto de resolução apresentado em 1963 previa o pagamento, às custas do Senado Federal, da escola primária e secundária dos filhos do senador Kairala. Essa medida, no entanto, ficou quase dois anos parada, sendo aprovada apenas em novembro de 1965.

Prisões, inquérito e júri
Arnon e Silvestre Péricles permaneceram presos em locais separados. Arnon ficou detido na Base Aérea de Brasília; Silvestre Péricles, no Batalhão de Guardas Presidencial. Segundo reportagens da época, nos dias em que esteve preso, Góis Monteiro não se separava de seu revólver calibre 38, incomodando os guardas do Batalhão. E o senador continuou com as bravatas, dizendo que, ao sair da prisão, mataria o juiz. “Tratarei urgentemente de meu testamento”, reagiu com bom humor Waldir Meuren, responsável pelo processo na Primeira Vara Criminal de Brasília.

Nas primeiras semanas de 1964, 18 testemunhas foram ouvidas: 8 apontadas pelo Ministério Público (MP), 8 por Arnon e 2 por Silvestre Péricles. Em 26 de fevereiro de 1964, o MP emitiu seu parecer por meio do promotor Sepúlveda Pertence. Nos anos seguintes, ele viria a ser um dos maiores juristas da história do País e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Durante 27 anos, Sepúlveda Pertence dividiu o plenário do STF com o ministro Marco Aurélio Mello, sobrinho de Arnon.

Pertence solicitou a pronúncia dos dois denunciados. No jargão jurídico, a pronúncia é um aval para que os acusados sejam levados a júri popular. Segundo o promotor, Arnon deveria ser processado pois, de forma inconteste, havia saído de sua arma o disparo que vitimou o senador Kairala. Silvestre Péricles, por sua vez, deveria ser pronunciado por tentativa de homicídio, pois estava prestes a atirar no desafeto e só não o fez pela súbita intervenção de João Agripino.

Caso virou e garantiu a impunidade dos dois envolvidos
Em 17 de abril de 1964, o juiz sumariante Djalmani Castelo Branco deu sua sentença: Silvestre Péricles foi impronunciado; Arnon de Mello, por sua vez, foi pronunciado e iria ao júri popular. Góis Monteiro, de fato, estava prestes a alvejar Arnon, mas, no entendimento do juiz, não poderia ser julgado por tentativa de homicídio pois não chegou a apertar o gatilho. A Silvestre Péricles, Djalmani atribuiu apenas uma responsabilidade moral pelo incidente. Na avaliação de Castelo Branco, Arnon havia incorrido na prática de homicídio por aberratio ictus, isto é, “erro na execução”. Mello não acertou o alvo que pretendia, mas deveria responder como se tivesse praticado o crime contra a pessoa visada.

Dias depois, contudo, a defesa de Arnon interpôs recurso e obteve vitórias decisivas. Em 16 de junho, o promotor Milton Sebastião Barbosa acatou uma alegação dos advogados que mudava a natureza do homicídio de doloso para culposo. O tribunal do júri só pode julgar crimes dolosos. Para completar, em 29 de junho de 1964, o réu foi absolvido por unanimidade, prevalecendo a tese de que havia agido em legítima defesa.

Volta ao Senado com calma, bom humor e cumprimentos
Arnon foi solto horas depois da absolvição e, no dia seguinte, voltou ao Senado Federal. No retorno ao Congresso, foi noticiado que recebeu “efusivos cumprimentos” dos colegas. Silvestre Péricles já estava solto desde a impronúncia e retornou ao Senado em 7 de julho. Estava abatido por uma recente cirurgia, mas aparentava calma e bom humor.

Parecia que nada havia acontecido meses antes, ao que José Guiomard, o titular da cadeira que Kairala ocupou, protestou publicamente. Tomou a palavra para reclamar da morte esquecida do colega. “Alguém ignora que aqui dentro foi ferido de morte um ilustre homem público? Acho que ninguém. Morreu de colapso? Certo que não. O que houve foi bala”, provocou Guiomard. “Mas até hoje não se aponta ninguém culpado, pois a Justiça impronunciou, absolveu todo mundo – o único condenado, condenado à morte, foi José Kairala”.

Sem condenados e sem indenização à família da vítima
Com a impronúncia de Silvestre e a absolvição de Arnon por legítima defesa, não restaram imputáveis para o pagamento de indenizações à viúva e aos quatro órfãos. Em 1988, a revista Veja localizou a família do senador assassinado e revelou as dificuldades financeiras da viúva para criar os quatro filhos. “A rixa entre duas pessoas que nada tinham a ver com minha família e a irresponsabilidade de dois políticos em entrar armados no Congresso Nacional me transformaram de mulher de senador em lavadeira e babá”, reclamou a viúva de Kairala à revista. “Para não ver meus filhos passarem fome, arregacei as mangas e fui para o tanque lavar roupas para os outros”.

Ela chegou a processar Arnon de Mello e a União para o pagamento da pensão. Absolvido na Justiça de Brasília, Arnon se eximiu de qualquer custeio. A União também não quis indenizar a família. A viúva recorreu e, no trâmite das instâncias superiores, perdeu qualquer pagamento de vista.

Com golpe, país mudou enquanto eles estiveram detidos
Arnon e Silvestre Péricles retornaram da reclusão em um mundo político completamente diferente do que haviam vivido até dezembro de 1963. Da cadeia, os alagoanos assistiram às transformações políticas e sociais do período: Arnon era entusiasta do golpe militar; Silvestre Péricles, apoiador das reformas de base. João Goulart havia sido deposto em 1 de abril e o País, agora, vivia os primeiros meses do que viria a ser o maior regime de exceção de toda a sua história.

Góis Monteiro permaneceu no Senado até 1967. Em 1966, perdeu a recondução para Teotônio Vilela e se aposentou da vida pública. Além de senador, havia sido deputado federal, governador de Alagoas e ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). O poeta do amor e da saudade morreu em 1972.

Arnon de Mello foi senador até morrer, em 1983. Durante o período em que esteve detido, os filhos mais velhos estiveram ao seu lado, ocupando-se da sua correspondência. Os filhos mais jovens – Pedro, futuro delator, e Fernando, futuro presidente do Brasil – permaneceram no Rio de Janeiro.

Caminhos cruzados com o médico que atendeu a vítima
Na época do tiroteio, Fernando Collor ainda era um adolescente e estudava no colégio carioca São José. Anos depois, seguiria os passos do pai, trilhando um caminho além: foi eleito prefeito de Maceió, deputado federal, governador de Alagoas e, em 1990, chegou ao Palácio do Planalto. Também viria a ser senador por dois mandatos, entre 2007 e 2023.

Em 1992, seu último ano na presidência, houve uma dança das cadeiras no Ministério da Saúde. Em 11 meses, quatro ministros assumiram a pasta. O penúltimo deles foi o cardiologista Adib Jatene, conhecido em Brasília por ser o cirurgião dos mais importantes políticos do País. Quanto a Fernando Collor, porém, havia tido pouco contato. O ministro alegou que, antes da nomeação, tinha se encontrado com o então presidente apenas quatro vezes.

Apesar do contato restrito, há de se dizer que Jatene, na verdade, já havia cruzado com o destino da família Collor três décadas antes. Na tarde de 4 de dezembro de 1963, no Hospital Distrital de Brasília, foi Adib Jatene quem atendeu o senador José Kairala, ferido à bala por Arnon de Mello, pai de Fernando.

Estadão

Velocidade no afundamento de mina volta a subir em Maceió, após dias em queda

Postado em 5 de dezembro de 2023

Depois de dias em queda, novo balanço da Defesa Civil de Maceió mostra que velocidade de afundamento de mina da Braskem na cidade volta a subir. Segundo o órgão, a região cai agora 0,26 cm por hora — 0,01 a mais que o registrado no relatório divulgado na manhã desta segunda-feira. O ritmo vinha desacelerando desde o dia 21 de novembro, e a região já afundou 1,8 metro.

A localidade e as imediações da mina de número 18 seguem em alerta máximo em função do risco iminente de colapso, segundo o coordenador-geral de Defesa Civil de Maceió afirmou ao GLOBO neste domingo. A Braskem disse, nesta segunda-feira, que cinco das 35 minas de sal-gema foram preenchidas com areia, uma das estratégias para o fechamento total dos poços, seguindo plano apresentado e aprovado pela Agência Nacional de Mineração (ANM). O órgão recomendou que nove cavidades sejam totalmente preenchidas.

De acordo com a Braskem, em nota, outras três minas estão com os trabalhos em andamento e uma está “pressurizada, indicando não ser mais necessário o preenchimento com areia. Além dessas, em outras cinco cavidades foi confirmado o status de autopreenchimento”. O plano, que está 70% concluído de acordo com a mineradora, deve ser concluído em meados de 2025.

O Globo

Cedae faz manutenção preventiva do Guandu nesta terça; retomada da distribuição de água pode levar até 72 horas

Postado em 5 de dezembro de 2023

Depois de três adiamentos, a Cedae vai realizar a manutenção preventiva do Sistema Guandu das 4h desta terça-feira até as 4h de quarta. Composto pela Estação de Tratamento de Água (ETA) do Guandu e dois subsistemas de água tratada, Marapicu e Lameirão, o sistema é responsável pelo abastecimento de mais de 10 milhões de pessoas no município do Rio e na Baixada Fluminense. A normalização da distribuição de água nos bairros da capital fluminense será feita de forma gradual a depender da localidade, e pode até 72 horas em pontas de rede e regiões elevadas.
Durante o serviço, a produção de água vai ficar interrompida, afetando o abastecimento para o município do Rio e da Baixada Fluminense. A operação do sistema será retomada gradativamente logo após a conclusão da manutenção.

Em Belford Roxo, Duque de Caxias, Mesquita, Nova Iguaçu, Nilópolis, Queimados e São João de Meriti, a concessionária Águas do Rio decidiu antecipar para as 22h desta segunda-feira, o período de início da suspensão do fornecimento de água. A medida permitirá a execução de 18 serviços — seis deles em tubulações de grande porte e que, por isso, levam mais tempo para serem concluídos.

— Os serviços que vamos executar são complexos, e alguns deles dependem que as tubulações de grande porte estejam secas. Essa janela da manutenção preventiva nos dará essa oportunidade. No Centro de Nova Iguaçu, por exemplo, aproveitaremos para substituir trecho deteriorado de adutora com um metro de diâmetro, trabalho que não teria como ser feito em um dia comum sem gerar impactos aos nossos clientes — explica o diretor de Operações da concessionária, Josélio Alves Raymundo.

A Iguá, responsável por atender 1,2 milhão de pessoas em 18 bairros da Zona Oeste, e nos municípios de Miguel Pereira e Paty do Alferes, informou que deve reforçar a sua equipe de atendimento e que vai priorizar o abastecimento aos serviços essenciais, tais como unidades de saúde e ensino.

Os reparos são parte da preparação para o verão. É recomendado que a população economize água para o período, adiando tarefas não essenciais.

– Quanto mais próximo do verão fizermos a paralisação, mais garantia teremos de passar pelo período mais quente do ano com a estação performando sem intercorrências, ou seja, produzindo em sua capacidade total. Caso fizéssemos esta paralisação no inverno, teria uma janela de seis meses para surgir um problema na estação. E, se fosse necessário parar a estação para corrigi-lo, só conseguiríamos fazer depois do verão, e a operação ficaria comprometida, podendo causar redução na produção de água logo no período em que há maior demanda – explica Daniel Okumura, diretor de Saneamento e Grande Operação da Cedae.

A manutenção aconteceria no dia 16/11, mas foi adiada três vezes. A primeira, por conta da forte onda de calor que atingiu o Rio, a segunda, por causa dos apagões em diversos bairros da cidade e a terceira, pelo rompimento de uma adutora da Águas do Rio em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Nesta terça-feira, os técnicos farão inspeções e correções para reforçar a eficiência do sistema, como instalação de equipamentos, reparos gerais, ajustes eletromecânicos, revisão de peças e limpeza das estruturas que não podem ser acessadas durante a operação normal.

Manutenção do sistema de distribuição
Durante a manutenção do Guandu, a Rio+Saneamento vai fazer algumas intervenções em pontos estratégicos de estações de bombeamento e redes de distribuição. A concessionária é concessionária responsável pela distribuição na Área de Planejamento 5 (AP5), que atende 1,8 milhão de habitantes de 24 bairros da Zona Oeste do Rio.

Entre as ações, está a instalação de válvulas automatizadas em tubulações, o que permitirá a operação à distância e em tempo real por meio do Centro de Controle Operacional (CCO) da concessionária, sem a necessidade de interferência manual. A tecnologia também diminui os impactos causados em eventuais manutenções, como interrupções no fornecimento de água à população. Além disso, a automação das tubulações confere um maior controle da pressão da água dentro das tubulações, reduzindo perdas de água.

As melhorias também incluem substituições, instalações e avaliações de componentes da Nova Elevatória do Lameirão, responsável pelo abastecimento da adutora Veiga Brito (túnel canal), dos bairros de Senador Camará e Santíssimo, além de partes de Campo Grande, Guaratiba e Ilha de Guaratiba. Instalação de válvulas e substituições de registros e ventosas também estão programados para ocorrer em pontos de Realengo, Santa Cruz, Santíssimo e Campo Grande.

A Águas do Rio também realizará melhorias em tubulações das redes de distribuição, na Baixada Fluminense e na capital, além de ações voltadas para aumentar a eficiência operacional de sistemas de bombeamento de água, como reparos e substituições de motores e equipamentos elétricos.

A orientação da concessionária é que os clientes mantenham cisternas e caixas d’águas abastecidas, reservando água para atividades prioritárias e adiando atividades não essenciais até a regularização do fornecimento. A Águas do Rio disponibilizou o telefone 0800 195 0 195, para ligações gratuitas e mensagens via WhatsApp.

O GLOBO

‘Ducha interna’: a bebida viral do TikTok que promete purificar o corpo e eliminar toxinas

Postado em 5 de dezembro de 2023

Em meio a uma crescente tendência social de ter hábitos saudáveis, cada vez mais pessoas reconhecem a importância de cuidar da saúde e do bem-estar por meio da alimentação. Hoje, os alimentos naturais e orgânicos são priorizados e os alimentos ultraprocessados, ​​com aditivos artificiais, são limitados. Há uma mudança de pensamento em relação ao autocuidado e à consciência de como as escolhas alimentares impactam a saúde.

Muitas dessas mudanças podem ser percebidas nas redes sociais. Nos últimos tempos, o TikTok tornou-se uma “bíblia online”, onde tudo o que revela ou mostra é considerado “palavra sagrada” pelos seus usuários. Beber vinagre de maçã com o estômago vazio, água com clorofila para reduzir o inchaço ou comer pólen de abelha para aumentar a imunidade são apenas algumas das milhares de recomendações feitas pelos Tiktokers que prometem saúde.

A última recomendação viral que surgiu e que ainda circula nesta rede social é a hashtag #internalshower, que conta com mais de 120 milhões de visualizações. Os vídeos que podem ser encontrados nesta busca focam em uma bebida que, segundo os influenciadores, “faz milagres no corpo”: água com limão e sementes de chia. Os conteúdos variam, desde pessoas que experimentam este líquido e destacam como ele alivia os sintomas de problemas digestivos (incluindo inchaço e prisão de ventre), até nutricionistas e profissionais registrados que avaliam a eficácia.

Esta bebida desintoxicante foi divulgada por Daryl Gioffre, um famoso nutricionista e autor de best-sellers que visam alcançar uma saúde digestiva ideal, como “Get Off Your Acid” e “Get Off Your Sugar”. Nas palavras de Gioffre, essa bebida que simula “uma ducha interna” é composta por 2 colheres de sopa de sementes de chia, um copo de água, o suco de 1 rodela de limão e 1/8 colher de chá de sal. Os ingredientes devem ser misturados e deixados a descansar por cinco minutos ou até que as sementes de chia comecem a formar um gel/gota protetora ao seu redor.

A grande questão que surge desta moda é: de onde veio esta crença e quão eficaz é beber esta poção para curar o corpo?

“Ajudou-me a combater a prisão de ventre e a reduzir o inchaço”; “Desde que tomei tenho menos fome, consigo passar horas sem precisar comer”; “Parece que eles estão limpando você por dentro.” Esses são alguns dos comentários que mais se destacam entre as avaliações feitas pelos usuários online.

🔎Sob a lupa
A crescente popularidade da água potável com sementes de limão e chia se deve, em grande parte, aos inúmeros benefícios à saúde oferecidos pelos ingredientes separados do “chuveiro interno”. Se esta bebida for analisada detalhadamente, seus componentes estão associados à saúde. Hidratação, propriedades antioxidantes, vitamina C, fibras e ômega-3 são parte dos benefícios que estão relacionados à água, limão e sementes de chia. Porém, o que os profissionais dizem sobre essa bebida?

— É uma boa forma de transportar a chia, pois muitas pessoas têm dificuldade em incorporá-la à alimentação. O problema que ocorre com essas tendências é que muitas vezes nas redes sociais são atribuídos efeitos mágicos a determinados alimentos ou bebidas, prometendo rápida perda de peso ou eliminação imediata de toxinas quando, na verdade, nenhum alimento ou bebida fará com que isso aconteça — alerta o nutricionista Rocío Tordini.

O profissional diz também que devemos ter cuidado com as tendências alimentares que circulam nas redes sociais e não acreditar que existam alimentos ou substâncias mágicas, embora que beber água com limão e sementes de chia ofereça diversos benefícios à saúde.

  1. Chia
    Primeiramente, dona Tordini destaca que a bebida proporciona saciedade graças ao teor de fibras das sementes de chia, o que torna o processo de esvaziamento gástrico mais lento. Uma investigação publicada na revista internacional Molecules e chamada “Sementes de Chia: Uma revisão abrangente sobre seus benefícios nutricionais e para a saúde”, avaliou os benefícios nutricionais da chia e os profissionais responsáveis ​​concordaram que este alimento é uma excelente fonte de fibras, proteínas e ômega -3 ácidos graxos. Ao observar os participantes da amostra após consumirem as sementes, os pesquisadores perceberam que vários aspectos do corpo melhoraram, entre eles: saúde cardiovascular, níveis de açúcar no sangue e melhor digestão.

De acordo com o exposto, Tordini destaca que o consumo de sementes de chia pode reduzir o colesterol e os triglicerídeos devido ao alto teor de ômega 3 e fibras que possuem. “Também previnem a constipação, pois a fibra das sementes tem a capacidade de reter água e acelerar o trânsito gastrointestinal”, revela. Da mesma forma, explica que este último colabora com a redução do tempo de contato das substâncias cancerígenas com a mucosa do cólon.

  1. Limão
    Em relação ao limão, durante séculos esta fruta cítrica foi usada para tratar o escorbuto – uma condição que pode se desenvolver devido à falta de vitamina C. A pesquisa, entitulada ‘Vitamina C e Função Imunológica’, sustenta que esta vitamina presente nas frutas cítricas é necessária para que o sistema imunológico gere e mantenha uma resposta adequada contra infecções ou ameaças.

— Fornece antioxidantes que previnem os danos dos radicais livres e fortalecem o sistema imunológico. Esse benefício também está relacionado aos polifenóis – grupo de substâncias presentes nas plantas com alta capacidade antioxidante – que a chia fornece — afirma Tordini.

Ao mesmo tempo, ele enfatiza a importância de consumir alimentos antioxidantes por meio da dieta para evitar as consequências dos poluentes ambientais que causam estresse oxidativo – condição que ocorre quando há muitas moléculas instáveis ​​no corpo – como produtos químicos derivados da fumaça do cigarro.

Além disso, embora muitos dos comentários e críticas daqueles que experimentaram esta bebida afirmem que o seu consumo foi “um antes e um depois” nos seus intestinos, esta pode ser uma reação subjetiva. No entanto, um estudo publicado na revista Scientific Report descobriu que o consumo prolongado de polifenóis de limão previne alterações intestinais relacionadas ao envelhecimento.

— Esses efeitos na saúde não são provenientes exclusivamente da bebida, mas também podem ser obtidos através do consumo de outros alimentos fontes de fibras, vitamina C e antioxidantes, como frutas, vegetais e outras sementes, como girassol, linhaça ou gergelim — conclui Tordini.

O GLOBO

MPF diz que pedido de desculpas do Banco do Brasil sobre papel na escravidão não é suficiente

Postado em 5 de dezembro de 2023

O Ministério Público Federal (MPF) considerou insuficiente o pedido de desculpas do Banco do Brasil (BB) na reparação do dano pela participação do banco na escravidão. Embora o MPF considere a iniciativa do banco um avanço diante do silêncio histórico da instituição, avalia que são necessárias medidas complementares.
“Se, por um lado, é inadmissível que convivamos com o apagamento e o silêncio ante essa tragédia histórica, mostra-se fundamental, por outro, que não nos limitemos a um mero pedido de desculpas, por melhores que sejam as intenções”, cita o MPF em um trecho do parecer.

O despacho é assinado pelos procuradores regionais dos direitos do cidadão Julio José Araujo Junior, Jaime Mitropoulos e Aline Mancino da Luz Caixeta. Eles analisaram os desdobramentos do inquérito civil para apurar o envolvimento do BB no tráfico de pessoas negras escravizadas no século 19. Pesquisas sustentam que o capital do banco foi formado, em parte, com recursos de traficantes de escravizados.

Para o MPF, a iniciativa do banco ainda não atende ao propósito da reparação, pois é limitada no tempo e não enfrenta problemas estruturais.

Os procuradores sugerem a criação de uma plataforma de pesquisas sobre o tema, o financiamento de projetos que resgatem a história relacionada à escravidão e de produção de material didático para ampla divulgação. Para o MPF, a reparação envolve uma constante reflexão do BB, como, por exemplo, permear os processos de recrutamento, treinamento, orientação e posições de liderança.

Para colher sugestões da sociedade, o MPF abriu um processo de consulta pública sobre o tema por 60 dias. O MPF deu prazo de 20 dias para que o BB possa se manifestar.

Procurado, o BB informou em nota que já vem implementando medidas pela igualdade racial:

“O BB já vem debatendo com entidades públicas e privadas e movimentos negros, em especial por intermédio do Ministério da Igualdade Racial, e implementando um amplo conjunto de medidas concretas pela igualdade racial, de gênero e em prol da diversidade.”,

O GLOBO

Vereador de Caruaru viraliza ao relatar na tribuna ‘perrengue’ em compromisso político: ‘me cagando’

Postado em 5 de dezembro de 2023

Um vereador de Caruaru, no Interior de Pernambuco, viralizou nas redes sociais após contar que passou por uma dor de barriga durante um compromisso político. No plenário da Câmara Municipal, na última sexta-feira (1º), o representante compartilhou o “perrengue” com os demais colegas para “quebrar o gelo”.
Em vídeo, Nelson Diniz (Cidadania) relatou que precisou ir à localidade do Sítio Juá, na zona rural do município, onde viveu momentos inusitados. A sessão solene concedia o título de cidadão de Caruaru a Diogo de Carvalho Bezerra e ao próprio parlamentar.

“Parei próximo a Polícia Rodoviária Federal e disse: para, para, para! Estou já me cagando e corri. Fui pra dentro dos matos. Quando arreio as calças e faço assim (se abaixou), pois num tinha um velho, que disse: eu cheguei primeiro, viu”, disse.

O parlamentar contou que uma mulher queria tirar uma foto do momento para compartilhar nas redes sociais. Nelson ainda disse que um idoso utilizava o local e precisou buscar outro banheiro improvisado.

“Eu fiz assim, ele ainda deu uma risada pra mim. Eu disse, o senhor tem razão. Saí correndo. O cara quando nasce é assim para o sofrimento. Mas eu já tô acostumado. Fiz lá meu trabalho direitinho”, disse.

Diário do Nordeste

Goleiro Bruno vira coach: vai trabalhar a mente dos clientes

Postado em 5 de dezembro de 2023

O goleiro Bruno Fernandes, condenado a 22 anos de prisão pelo assassinato da modelo Eliza Samudio em 2010, agora tem outra atividade: é coach esportivo, responsável por trabalhar a mente de profissionais de alto rendimento e equipes, com ênfase na disciplina.

Ele mesmo, com a ajuda de amigos, vem divulgando a novidade por meio das redes sociais. Bruno chegou a fazer um curso intensivo online para adquirir a habilidade.

Depois de ter migrado para o regime semiaberto em 2019, Bruno ainda se mantém no futebol, atuando como goleiro amador em eventos por cidades do Estado do Rio.

Em junho de 2010, quando jogava pelo Flamengo e tinha seu nome cotado para a Seleção brasileira, Bruno foi declarado suspeito pela Polícia Civil de Minas Gerais pelo desaparecimento de Eliza, com quem teve um filho.

Em março de 2013, sua condenação foi anunciada pela Justiça de Minas por homicídio triplamente qualificado, cárcere privado, sequestro e ocultação de cadáver.

TERRA

Natal supera Nova York e é o segundo destino mais procurado para festas de fim de ano

Postado em 5 de dezembro de 2023

Destinos litorâneos nacionais, como Porto de Galinhas e Natal, estão entre os primeiros lugares no roteiro dos brasileiros para comemorar o Natal e o Ano Novo. É o que aponta um levantamento realizado pela agência online de turismo, ViajaNet, que apurou o volume de pacotes (passagens e hotéis) para os dias 23 de dezembro a 1 de janeiro de 2024.

A pesquisa revelou que a procura por locais de veraneio representa 60% das preferências dos passageiros para as datas comemorativas de fim de ano. Na lista, o litoral nacional não fica para trás, com quatro destinos. Por sua vez, nas viagens para o exterior, os turistas preferem visitar locais mais próximos ao Brasil. Localidades perto do mar também aparecem como prioridades, mas quem se destaca é o frio norte-americano.

De acordo com a CMO do ViajaNet, Daniely de Oliveira, a preferência pelo litoral brasileiro é típica da época, mas a inclinação é para viagens que cabem no bolso. “Esse ano, os voos domésticos bateram recorde em volume de transporte de passageiros desde 2015. As pessoas querem conhecer o próprio país, comprando com antecedência e pesquisando ofertas. E esse movimento também impacta o setor hoteleiro, porque, além da passagem, o consumidor está interessado na hospedagem mais vantajosa”, diz.

As praias nordestinas conquistam o primeiro e segundo lugar na lista para passar as férias do final do ano. Porto de Galinhas, em Pernambuco, e Natal, capital do Rio Grande do Norte, representam juntas 16% do volume de vendas dos pacotes turísticos. Já com 5% das buscas, a cidade de Nova York, nos Estados Unidos, se situa em terceiro lugar, com Gramado, em quarto lugar, também com o mesmo percentual da metrópole americana, ambos os destinos para quem quer fugir do calor.

Rio de Janeiro, Punta Cana, na República Dominicana, e Riviera Maya, no México, alcançam no ranking 5% das vendas dos bilhetes aéreos e hospedagens, cada uma. E mais tarde na lista, aparece Ilhéus (4%), na Bahia, município com a maior extensão litorânea do estado baiano. Em seguida, representando a América do Sul, Buenos Aires, capital da Argentina, se localiza na sétima posição com 4%. Não muito distante dos argentinos, Foz do Iguaçu, no Paraná, ocupa o décimo lugar.

96FM

Cantor Alexandre Pires é alvo de operação da PF contra garimpo ilegal

Postado em 4 de dezembro de 2023

O cantor Alexandre Pires é alvo de investigação da Polícia Federal, suspeito de integrar um esquema de garimpo ilegal em Terras Indígenas Yanomami (TIY). Ao todo, a organização teria movimentado R$ 250 milhões.

A notícia é do Metrópoles. A Operação Disco de Ouro, da Polícia Federal, foi deflagrada na manhã desta segunda-feira (4). A PF cumpriu mandado de busca e apreensão no cruzeiro do cantor, em Santos. A operação tem o objetivo de desarticular um esquema de financiamento e logística do garimpo ilegal.

A organização teria contado com o envolvimento de Matheus Possebon, um famoso empresário do ramo musical, de expressão nacional. Segundo a investigação, ele seria um dos responsáveis pelo núcleo financeiro dos crimes. Alexandre Pires teria recebido ao menos R$ 1 milhão de uma mineradora investigada.

As equipes cumpriram dois mandados de prisão, bem como seis de busca e apreensão, expedidos pela 4ª Vara Federal da Seção Judiciária de Roraima, em Boa Vista (RR), Mucajaí (RR), São Paulo (SP), Santos (SP), Santarém (PA), Uberlândia (MG) e Itapema (SC). A Justiça determinou, ainda, o sequestro de mais de R$ 130 milhões em bens dos suspeitos.

96fm

Governadora anuncia como será pago o 13º dos servidores estaduais

Postado em 4 de dezembro de 2023

A governadora Fátima Bezerra (PT) anunciou no X (antigo Twitter) como será feito o pagamento do 13º salário de 2023.

O pagamento será em quatro datas, e não três como chegou a ser dito pelo secretário estadual da fazenda Cadu Xavier, começando a partir da próxima sábado, dia 9, quando será pago o valor integral para quem ganha até R$ 7 mil líquido (exceto carreira do magistério e órgãos com arrecadação própria que receberam adiantamento em junho), receberão o décimo terceiro integralmente em suas contas. Serão 66.386 servidores entre ativos e pensionistas.

No dia 20 de dezembro, os servidores ativos de órgãos com arrecadação própria como: Arsep, Ipem, Jucern, Detran e Idema, que tiveram o adiantamento de 30% em junho, receberão o complemento.

No dia 30 de dezembro, recebem complemento os servidores ativos da carreira do magistério, que receberam adiantamento em junho. São 21.240 servidores que recebem o valor integral.

Em Janeiro, no dia 10, haverá o complemento do 13⁰ dos demais servidores. Empregados públicos (celetistas) receberam 50% de adiantamento no dia 30 de novembro e no próximo dia 20 de dezembro haverá o complemento.

“É com muita felicidade que faço este anúncio, cumprindo com a palavra de pagar nossos servidores em tempo hábil. São trabalhadores e trabalhadoras que se dedicaram o ano inteiro para um Rio Grande do Norte melhor para a população”, disse a governadora Fátima Bezerra.

Ao todo, serão pagos R$ 713 milhões (excluído IR e Previdência) para os servidores. Serão utilizados R$ 286 milhões de recursos extraordinários oriundos do Governo Federal (40% do total) para quitar o 13⁰.

Blog do Barreto

Em disputa polarizada, ‘penetras’ esquentam briga eleitoral de São Paulo

Postado em 4 de dezembro de 2023

Desde que começaram as primeiras movimentações no xadrez político para ocupar a cadeira da maior cidade do país, o eleitorado paulistano se viu confrontado com um cenário que indicava uma disputa entre dois nomes, um à direita, outro à esquerda, em um desenho semelhante à polarização que permeia o cenário nacional. De um lado, Guilherme Boulos (PSOL), deputado mais votado no estado, apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, por ora, líder nas pesquisas. Seu principal rival é o atual dono da cadeira, o prefeito Ricardo Nunes (MDB), que vem tentando costurar um amplo leque de alianças, com partidos como PSD, Progressistas e Republicanos — além, claro, do PL do ex-presidente Jair Bolsonaro, de quem espera contar com o apoio em 2024. Além de ser a mais importante eleição municipal do país, a disputa chama atenção por se apresentar como uma espécie de tira-teima das forças que continuam monopolizando a cena política do país, depois de duelarem no último pleito presidencial.

Nas últimas semanas, no entanto, dois outros nomes vêm ganhando espaço no ringue da campanha. Um dos “azarões” é Tabata Amaral, uma deputada do PSB de 30 anos que pode roubar votos à esquerda, atrapalhando a vida de Boulos, mas tem chance também de conquistar parte do eleitorado do centro. O vice-presidente, Geraldo Alckmin, que é do PSB, promete subir no palanque, independentemente de seu chefe, Lula, estar ao lado de Boulos. Outro integrante do partido, o ministro Márcio França, é um dos principais entusiastas da candidatura de Tabata. A jovem parlamentar tem conversado com PDT, Podemos, Avante e até PSDB, sendo que este último era tido como apoio certo de Nunes. Nas últimas semanas, ela convidou José Luiz Datena para figurar como vice de chapa, embora ninguém acredite mais na real disposição de o apresentador entrar na política. Aliados avaliam que Tabata tem como trunfos a baixa rejeição, a ficha-limpa e a capacidade de penetrar nas bolhas da direita e da esquerda. “São Paulo está um caos, tem bilhões em caixa que não foram usados com inteligência. Precisa tornar-se uma ‘grande cidade’ na educação e nas oportunidades”, afirma ela.

Enquanto isso, turbulências à direita abriram espaço para uma candidatura concorrente à de Ricardo Nunes. O movimento é insuflado pelo bolsonarismo-raiz, que anda muito insatisfeito com o prefeito e com o governador do estado, Tarcísio de Freitas. Na percepção desse grupo, ambos querem os votos do eleitorado cativo do ex-presidente, mas se recusam a abraçar integralmente as pautas mais radicais. Eles tentaram mostrar força em um ato na Avenida Paulista no último dia 26, que contou com a presença do “prefeiturável” que está sendo adotado pela turma, Ricardo Salles. O ex-­ministro e atual deputado do PL procura agora uma legenda para se lançar, pois o partido deve seguir ao lado de Nunes — o cacique da sigla, Valdemar Costa Neto, declarou que aceita liberar Salles para outra agremiação. “Estou conversando com quatro partidos, mas não quero fechar a porta para o PL”, diz Salles, confiando ainda numa reviravolta. Além da legenda, outra incógnita é o apoio de Jair Bolsonaro. Nos bastidores, o ex-presidente tem dado sinais de que não irá declarar apoio a nenhum candidato, embora veja com simpatia as ambições do seu ex-ministro.

A presença de Tabata e Salles certamente vai tornar o pleito ainda mais disputado. Apesar das críticas dos rivais, Nunes vem crescendo nas pesquisas e, com o caixa cheio da prefeitura, tem cacife para chegar mais longe, à base de transformar a cidade num canteiro de obras. Boulos, por sua vez, dependerá muito de como estará a popularidade de Lula no próximo ano. Sinais emitidos pelas últimas pesquisas preocupam o Palácio do Planalto, pois indicam uma leve tendência de alta na desaprovação ao presidente. Para além do atual equilíbrio de forças, a disputa paulistana tem um histórico de imprevisibilidade. De um pleito para outro, o eleitorado muda radicalmente de lado. Em 2016, por exemplo, disputando a reeleição, Fernando Haddad (PT) nem sequer chegou ao segundo turno contra o estreante João Doria (PSDB).

Segundo especialistas, o desempenho de Lula, Bolsonaro, Tarcísio e Alckmin perto da eleição será importante. “O conhecimento da cidade tem peso grande, mas os padrinhos têm peso muito maior”, diz Murilo Hidalgo, presidente do Paraná Pesquisas. Outro fator pode ser um eventual fastio com a polarização dos últimos anos, o que pode beneficiar uma candidatura alternativa. É isso o que alimenta os sonhos dos penetras Tabata e Salles neste momento.

VEJA

Os impactos da aprovação comercial da principal técnica de edição de DNA

Postado em 4 de dezembro de 2023

Tem toda a pinta de ficção científica, mas já é uma realidade palpável. Em fração de duas décadas, as descobertas que deram origem a um método conhecido pela sigla CRISPR-Cas9 foram laureadas com um Prêmio Nobel, mobilizaram centenas de estudos, milhões de dólares e alcançaram um marco histórico: a agência regulatória do Reino Unido deu sinal verde, de forma pioneira, à primeira terapia baseada em edição genética. Ela poderá levar à remissão de quadros graves de doença falciforme e talassemia beta, dois distúrbios do sangue por trás de sintomas incapacitantes como anemia severa e dores intensas. Tudo indica que a decisão será seguida pelo governo americano e outras nações, inaugurando uma era de tratamentos sem precedentes para uma porção de enfermidades — alguns deles, quem sabe, com possibilidade curativa.

O CRISPR é fruto de anos de estudos envolvendo pesquisadores de vários campos da química e da biologia, mas dois nomes foram cruciais para a inovação ter aplicação prática e clínica: a francesa Emmanuelle Charpentier e a americana Jennifer Doudna, não à toa consagradas pela Academia Sueca em 2020. A dupla de cientistas investigou um comportamento um tanto interessante da bactéria Streptococcus pyogenes, que causa uma simples amigdalite mas também pode levar a uma infecção generalizada. Ao se defender do ataque de um vírus — sim, vírus atacam bactérias —, esses microrganismos capturam pequenas partes do genoma viral e as guardam no próprio DNA — eis o que se batizou de matriz CRISPR. Quando vem um novo bombardeio virológico, as bactérias já são capazes de se lembrar da sequência e tal matriz se conecta aos genes do invasor. Entra em ação, nesse ponto, uma enzima, a Cas9, que picota o DNA viral e o inativa. Esse mecanismo natural foi a fonte de inspiração para a técnica que ganhou o apelido de “tesouras genéticas”: por meio de um corte preciso, ela permite interferir em sequências de qualquer DNA, incluindo o humano.

O primeiro tratamento que recorre a essa estratégia a receber aprovação, o Casgevy, foi desenvolvido pelas empresas de biotecnologia Vertex Pharmaceuticals e CRISPR Therapeutics. Elas realizaram dois estudos clínicos com resultados animadores. No caso da doença falciforme — um quadro mais comum na população afrodescendente e, por isso, de maior prevalência no Brasil —, 28 dos 29 pacientes tratados não relataram mais sintomas como dores excruciantes após a intervenção. No caso da talassemia beta, outra condição hematológica, a taxa de sucesso foi de 93%, sendo que a maioria dos voluntários pôde abrir mão das transfusões de sangue regulares necessárias para controlar a enfermidade. Os benefícios foram mantidos por um ano em ambas as doenças, que abalam a qualidade de vida e podem levar à morte. “Até o momento, um transplante de medula óssea, que deve ocorrer de um doador estreitamente compatível e mesmo assim apresenta risco de rejeição, tem sido a única opção de tratamento permanente a esses pacientes”, diz Julian Beach, membro da Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido.

Os efeitos do CRISPR impressionam até quem conhece a fundo o mundo das terapias gênicas. “Tive a oportunidade de estar em um encontro internacional em Londres onde vi o depoimento de uma mulher com anemia falciforme tratada dessa nova forma. A vida dela agora é outra”, diz Mayana Zatz, diretora do Centro de Estudos do Genoma Humano da USP. Tamanho sucesso empolga, mas não vem isento de uma série de desafios operacionais. O procedimento em si é um deles. “O tratamento não é algo fácil ou banal, porque é preciso retirar as células do paciente, alterá-las em laboratório e fazer a reintrodução no organismo”, afirma a geneticista. “A pessoa precisa ficar internada por até dois meses.”

Outro gargalo é o preço. Um artigo publicado no periódico científico Nature estima que o valor final da terapia possa chegar a 2 milhões de dólares, algo perto de 10 milhões de reais, por pessoa. Isso não significa que os pacientes devem perder as esperanças. As soluções mais avançadas são lançadas a cifras exorbitantes e é a difusão ao redor do globo, por meio de aquisição pelos governos e concorrência entre empresas, que torna o acesso mais democrático. A chegada das inovações ainda alimenta uma reação em cadeia para encontrar novas saídas adaptadas a diferentes realidades.

É nesse contexto que podemos celebrar pesquisas com CRISPR em desenvolvimento no Brasil. Um dos projetos tem como alvo justamente a doença falciforme, que encontra no país uma situação diferente do cenário britânico. Segundo o Imperial College Healthcare NHS Trust, que conduziu o ramo inglês dos estudos que culminaram na liberação da terapia, há 15 mil pessoas que vivem com a condição por lá. Também chamada de anemia falciforme, a doença afeta principalmente a população preta e parda e, segundo o primeiro levantamento a respeito do Ministério da Saúde, divulgado em outubro, existem de 60 000 a 100 000 pacientes por aqui. “No mundo, a doença até é considerada rara, mas, no Brasil, não é desprezível em termos de prevalência. É condição grave que atinge sobretudo uma população desprivilegiada”, diz Ricardo Weinlich, líder do grupo de terapia gênica do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, que trabalha na elaboração de uma tecnologia com esse princípio para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Sob qualquer ângulo, o CRISPR é um divisor de águas por dar uma resposta com precisão cirúrgica a problemas antes vistos como impossíveis de serem resolvidos. Se o fundo genético foi um dia um fator limitante, agora ele é fundamental para o uso do método. “Desde que se estabeleça que a variante genética é a causa da doença, ela poderá ser alvo de uma terapia gênica”, afirma Weinlich. Esse olhar tem impulsionado estudos para testar essa e outras abordagens focadas no DNA para controlar quadros de hemofilia (distúrbio da coagulação sanguínea), problemas oculares que resultam em cegueira e disfunções mais raras que limitam o desenvolvimento e a qualidade de vida de crianças e jovens. Até mesmo o câncer está na mira. Em um experimento publicado na revista acadêmica Science Translational Medicine, a técnica de edição genética entrou em ação para tratar seis crianças com leucemia grave e refratária ao tratamento tradicional. No caso, as tesouras mágicas foram utilizadas para alterar e habilitar células de defesa a reconhecer e destruir tumores — procedimento conhecido como CAR-T. No estudo, quatro voluntários tiveram remissão em 28 dias e puderam receber o transplante de medula. Há promessas à vista, inclusive no Brasil. “Usamos o CRISPR para entender melhor mecanismos envolvidos na biologia do tumor e também para buscar turbinar o sistema imune contra a doença”, diz Martín Bonamino, pesquisador do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

Por mais que seja um avanço e que as manifestações de uma doença desapareçam, a edição genética não significa necessariamente a cura. A alteração feita por esse rebuscado processo de “cortar e colar” tem como fim a correção para o controle efetivo de uma patologia, mas tanto a mutação de base quanto as sequelas podem permanecer. A compreensão desse cenário e dos limites para a aplicação do método é crítica também para nortear os princípios éticos que balizarão as pesquisas e aprovações com a tecnologia. Um exemplo emblemático dessa discussão envolveu o cientista chinês He Jiankui. Em 2018, ele anunciou a modificação genética de embriões para fertilização in vitro e, assim, trouxe ao mundo gêmeas com DNA resistente à infecção pelo HIV, o vírus causador da aids. Mas fez a experiência sem as autorizações necessárias dos comitês de pesquisa — e numa situação para a qual existem outras saídas e faltam evidências de segurança. Condenado pela Justiça, ele passou três anos na prisão.

O caso chocou a comunidade médica e alertou as autoridades sobre o risco de rompantes de eugenia quando regras éticas são desrespeitadas. Mas não tira o brilho do CRISPR, uma ferramenta engenhosa capaz de silenciar doenças que arrasam vidas e impactam a sociedade como um todo. O marco regulatório da sua primeira aprovação fora dos muros do laboratório mostra que esse futuro já começou. E, respeitando o rito da ciência, a revolução poderá ser feita sem atropelos.

VEJA

The Economist: Donald Trump é o maior perigo para o mundo em 2024

Postado em 4 de dezembro de 2023

Uma sombra paira sobre o mundo. Na edição desta semana nós publicamos o guia The World Ahead 2024, nosso 38.º guia de previsões para o ano seguinte, e em todo este tempo nenhuma outra pessoa havia eclipsado nossa análise tanto quanto Donald Trump eclipsa 2024. Começamos a nos dar conta do quanto uma vitória de Trump em novembro pode ser uma realidade.

Trump domina as primárias republicanas. Várias pesquisas o colocam à frente do presidente Joe Biden em Estados indefinidos. Em uma das sondagens, encomendada pelo New York Times, 59% dos eleitores afirmaram confiar mais em Trump em relação à economia, enquanto apenas 37% preferiram Biden. Nas primárias, pelo menos, os processos jurídicos cíveis e indiciamentos criminais só fortaleceram Trump. Há décadas os democratas dependeram do apoio entre negros e hispânicos, mas um número significativo desses eleitores está abandonando o partido. Nos próximos 12 meses, qualquer tropeção de algum dos candidatos poderia definir a disputa — e portanto virar o mundo inteiro de cabeça para baixo.

Trata-se de um momento perigoso para um homem como Trump voltar a bater na porta do Salão Oval. A democracia passa por dificuldades nos Estados Unidos. A alegação de Trump de ter ganhado a eleição de 2020 foi mais que uma mentira: foi uma aposta cínica de que ele seria capaz de manipular e intimidar seus compatriotas; que funcionou. Os EUA também enfrentam crescente hostilidade no exterior, desafiados pela Rússia na Ucrânia, pelo Irã e suas milícias aliadas no Oriente Médio e pela China no Estreito de Taiwan e no Mar do Sul da China. Esses três países coordenam frouxamente esforços e compartilham a visão de uma ordem internacional em que manda quem pode e autocratas prosperam livremente.

Em razão dos republicanos trumpistas estarem planejando o segundo mandato de seu líder há meses, Trump 2 seria mais organizado do que Trump 1. Fanáticos verdadeiros ocupariam as posições mais importantes. Trump se sentiria livre para perseguir vinganças, protecionismos econômicos e acordos teatralmente extravagantes. Não impressiona que o prospecto de um segundo mandato de Trump encha de desespero Parlamentos e diretorias de empresas. Mas desesperar-se não é um plano. Passou da hora de impor ordem sobre a ansiedade.

A maior ameaça que Trump representa é para seu próprio país. Reconquistando o poder em razão de seu negacionismo eleitoral em 2020, ele certamente sentirá que apenas perdedores se permitem reger pelas normas, pelos costumes e pelo autossacrifício que constroem uma nação. Ao perseguir seus inimigos, Trump combaterá qualquer instituição que fique em seu caminho, incluindo os tribunais e o Departamento de Justiça.

Mas uma vitória de Trump no próximo ano também teria um efeito profundo no exterior. China e seus amigos se deleitariam diante da evidência de que a democracia americana é disfuncional. Se Trump desafiar a legalidade e os direitos civis nos EUA, seus diplomatas não poderão proclamá-los no exterior. Confirmaria-se a suspeita do Sul Global de que os apelos americanos por se fazer o que é certo não passam de um exercício de hipocrisia. Os EUA se tornariam apenas outra grande potência.

Os instintos protecionistas de Trump também estariam livres de amarras. Em seu primeiro mandato, a economia prosperou apesar de suas tarifas sobre a China. Seus planos para um segundo mandato seriam mais daninhos. Ele e seus asseclas planejam um imposto universal de 10% sobre as importações, mais de três vezes superior ao nível atual. Mesmo se o Senado controlá-lo, o protecionismo justificado por uma visão expansiva de segurança nacional aumentaria os preços para os americanos. Trump também animou a economia em seu primeiro mandato cortando impostos e distribuindo ajudas em dinheiro para mitigar os efeitos da pandemia de covid-19. Desta vez, os EUA estão administrando déficits de orçamento numa escala vista apenas em períodos de guerra, e os custos dos serviços da dívida estão mais altos. Cortes de impostos alimentam a inflação, não o crescimento.

No exterior, o primeiro mandato de Trump foi melhor que o esperado. Seu governo forneceu armas para a Ucrânia, perseguiu um acordo de paz entre Israel, EAU e Bahrein e assustou países europeus fazendo-os aumentar seus gastos em defesa. A política americana em relação à China ficou mais beligerante. De olhos semicerrados, outra presidência transacional poderia trazer alguns benefícios. A indiferença de Trump em relação aos direitos humanos pode tornar a Arábia Saudita mais dócil quando a guerra em Gaza acabar e fortalecer as relações com o governo de Narendra Modi na Índia.

Mas um segundo mandato seria diferente porque o mundo mudou. Não há nada de errado em países serem transacionais; eles têm obrigação de colocar seus próprios interesses em primeiro lugar. Contudo, a tara de Trump por negociatas e a ideia que ele tem dos interesses americanos não respeitam os limites da realidade nem se ancoram em valores.

Trump considera que, para os EUA, derramar sangue e despejar dinheiro na Europa é um mau negócio. Portanto ele promete pôr fim à guerra na Ucrânia e arruinar a Otan, talvez renegando o compromisso dos EUA em tratar um ataque contra um país da aliança como um ataque contra todos. No Oriente Médio, Trump deverá apoiar Israel sem reservas, sem se importar com o quanto isso possa fomentar o conflito na região. Na Ásia, Trump poderá estar aberto a um acordo com o presidente chinês, Xi Jinping, para que os EUA se esqueçam de Taiwan, já que não vê motivo para seu país travar uma guerra contra uma superpotência nuclear pelo benefício de uma ilha minúscula.

Mas sabendo que os EUA abandonariam a Europa, Putin teria incentivo para seguir lutando na Ucrânia e tomar ex-repúblicas soviéticas como a Moldávia e os Países Bálticos. Sem pressão americana, Israel dificilmente gerará consenso interno para negociações de paz com os palestinos. Calculando que Trump não garante a segurança de seus aliados, Japão e Coreia do Sul poderiam adquirir armas nucleares. Afirmando que os EUA não têm nenhuma responsabilidade global para ajudar a lidar com as mudanças climáticas, Trump esmagaria esforços para contê-las. E ele está cercado de falcões anti-China convictos de que o confronto é a única maneira de preservar o domínio americano. Pega entre um presidente americano tarado por negociatas e suas autoridades beligerantes, a China poderia facilmente errar o cálculo em relação a Taiwan, com consequência catastróficas.

Um segundo mandato de Trump seria um divisor de águas de uma maneira que o primeiro não foi. A vitória confirmaria seus instintos mais destrutivos em relação ao poder. Seus planos encontrariam menos resistência. E em razão dos EUA o terem escolhido conhecendo seu pior, a autoridade moral do país declinaria. A eleição será decidida por dezenas de milhares de eleitores de uns poucos Estados. Em 2024, o destino do mundo dependerá de suas cédulas. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

Estadão