Super El Niño pode provocar 26,7 mil mortes no Brasil até março de 2027; entenda

Postado em 31 de outubro de 2026

O Brasil poderá registrar aproximadamente 26,7 mil mortes adicionais relacionadas ao calor até março de 2027 em meio à intensificação do Super El Niño. A estimativa divulgada na quinta-feira (29) faz parte de um levantamento do Climate Impact Lab, da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, que projeta 857,4 mil mortes adicionais em todo o mundo entre junho de 2026 e março de 2027.

O que é o Super El Niño e por que ele preocupa
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, principalmente nas regiões central e leste. Essa alteração interfere na circulação atmosférica e modifica os padrões de temperatura e distribuição das chuvas em diferentes partes do planeta.

“Super El Niño” é uma expressão não oficial utilizada para descrever episódios de intensidade excepcionalmente elevada. O que preocupa os especialistas é a intensidade do aquecimento do Pacífico e a possibilidade de seus efeitos coincidirem com temperaturas já elevadas em razão das mudanças climáticas.

Pico do El Niño deve acontecer em dezembro
As projeções da Organização Meteorológica Mundial (OMM) indicam que o fenômeno deve continuar se intensificando até o fim de 2026, com pico previsto para dezembro.

De acordo com a atualização publicada em outubro, a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4, utilizada como referência para acompanhar o fenômeno, poderá ficar aproximadamente 3,8°C acima da média entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.

Para comparação, a OMM considera uma anomalia de 0,5°C como um dos critérios para caracterizar as condições de El Niño. Portanto, a previsão atual aponta para um aquecimento oceânico extraordinário.

Efeitos do El Niño no Brasil
No Brasil, algumas regiões podem enfrentar períodos de estiagem e temperaturas elevadas, enquanto outras têm maior probabilidade de registrar chuvas intensas.

O boletim de outubro do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), publicado na quinta-feira (29), elaborado em parceria com outros órgãos federais, apresenta as seguintes tendências para novembro de 2026 a janeiro de 2027:

Norte: a previsão indica maior probabilidade de chuvas abaixo da média em grande parte da região. O calor também deve ficar acima da normalidade, aumentando a preocupação com estiagens, queimadas e disponibilidade de água.
Nordeste: áreas da região também apresentam tendência de chuvas abaixo da média, com possibilidade de períodos mais secos e temperaturas elevadas.
Sul: a região tem maior probabilidade de registrar chuvas acima da média, aumentando a atenção para temporais, alagamentos, enchentes e elevação dos níveis dos rios.
Sudeste: partes da região podem apresentar volumes de chuva acima da média, além de temperaturas elevadas em diferentes localidades.
Centro-Oeste: a previsão aponta condições variadas, com possibilidade de chuvas acima da média em algumas áreas e abaixo da normalidade em outras.

Países que devem sofrer com maior número de mortes
Segundo o El Niño Heat Mortality Tracker, ferramenta desenvolvida por pesquisadores do Climate Impact Lab, o calor extremo já teria provocado cerca de 484,5 mil mortes adicionais entre junho e setembro de 2026.

A projeção aponta outros 372,9 mil óbitos até março de 2027, totalizando aproximadamente 857,4 mil mortes adicionais em um período de dez meses.

Os países com maiores estimativas de mortalidade estão Índia (160 mil), China (85,4 mil), Nigéria (69,7 mil), Sudão (53,2 mil) e Indonésia (49,5 mil). O Brasil também aparece entre os mais afetados, com previsão de 26,7 mil mortes adicionais no período:

Índia – 160.000;
China – 85.400;
Nigéria – 69.700;
Sudão – 53.200;
Indonésia – 49.500;
Brasil – 26.700;
República Democrática do Congo – 24.700;
Bangladesh – 18.400;
Vietnã – 18.100;
Chade: 17.000.
O cofundador do Climate Impact Lab, Michael Greenstone, afirmou que as projeções podem ajudar governos a identificar populações vulneráveis e preparar medidas de prevenção contra o calor extremo.

*Os números são estimativas em comparação com a mortalidade esperada em condições climáticas de referência (entre 1996 a 2005), e não registros de mortes já confirmadas ou atribuídas individualmente ao fenômeno.

Diario do Pará