Suspensão da União Europeia de importações de carnes bovinas e aves brasileiras entra em vigor

Postado em 3 de setembro de 2026

União Europeia suspendeu a importação de carne bovina e de aves de criação do Brasil. A medida entrou em vigor nesta quinta-feira, 3. A Comissão Europeia espera garantias brasileiras sobre o cumprimento das normas sanitárias do bloco para a liberação.

O Brasil foi retirado em maio de uma lista de países que respeitam as regras da UE sobre o uso abusivo de antibióticos na indústria pecuária.

Chances de reverter?
Para frango e mel, a exclusão do Brasil da lista pode ser revertida em novembro, após o resultado da auditoria europeia na produção nacional e análise pelas instâncias competentes.

Já a carne bovina brasileira pode ficar fora do bloco europeu até meados de 2028, dado o tempo de adaptação da cadeia bovina às exigências em virtude do ciclo de vida mais longo dos animais.

A UE quer garantias do Brasil de que o País consegue assegurar que as carnes exportadas ao bloco sejam livres de determinados tipos de antimicrobianos e atendam ao regulamento europeu.

Em resposta às exigências, o Brasil adota desde 1º de julho novos procedimentos de controle do uso de antimicrobianos na cadeia de proteínas e de produtos de origem animal, para atendimento à legislação europeia.

Os protocolos já foram apresentados pelo governo brasileiro às autoridades sanitárias europeias, que sinalizaram que só validarão se os procedimentos são suficientes após auditorias específicas, relatam pessoas próximas.

Como mostrou a reportagem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu à União Europeia que o Brasil seja recolocado na lista de fornecedores de frango e mel ao bloco europeu.

O pedido foi feito em uma carta de Lula à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, enviada em 31 de julho. A demanda é para que o País volte à lista até a conclusão das auditorias europeias sobre o sistema de controle de uso de antimicrobianos na produção animal nacional.

Associação de exportadores vê suspensão com preocupação
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) disse, em nota, ver com preocupação a interrupção das exportações brasileiras de carne bovina para a União Europeia (UE) e afirmou que concentra esforços na retomada do fluxo comercial. Segundo a entidade, as garantias oficiais apresentadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) já foram encaminhadas às autoridades europeias, e a prioridade agora é a “reinclusão do Brasil entre os países aptos a exportar para o bloco”.

A suspensão ocorre após a União Europeia comunicar novas exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos. A Abiec afirma que acompanha as negociações conduzidas pelo governo brasileiro e continua fornecendo suporte técnico ao Mapa para que o comércio seja restabelecido “no menor prazo possível”.

No setor privado, a entidade destaca a criação de um protocolo de controle do uso de antimicrobianos, desenvolvido em conjunto com a Associação Brasileira das Certificadoras por Auditoria e Rastreabilidade (Abcar) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O protocolo integra as garantias oficiais apresentadas pelo Brasil e já está em execução na cadeia.

De acordo com a Abiec, 100% das empresas associadas e habilitadas a exportar para o mercado europeu aderiram ao protocolo. A associação ressalta que a exigência é de caráter regulatório e não representa mudança na qualidade ou na segurança da carne bovina brasileira, nem no status sanitário do produto, que é exportado para mais de 170 mercados.

A União Europeia é considerada um mercado estratégico para o Brasil devido ao alto valor agregado das vendas e ao perfil específico dos cortes destinados ao bloco. Por isso, a Abiec afirma que a suspensão não pode ser compensada automaticamente com o redirecionamento dos volumes para outros países.

“A carne bovina brasileira seguirá sendo comercializada nos mercados para os quais estiver habilitada, mas não há substituição automática do mercado europeu”, afirmou a entidade. Segundo a associação, diferentes destinos demandam produtos e cortes distintos.

Diante desse cenário, a Abiec diz que pretende contribuir para a retomada das vendas à União Europeia, ao mesmo tempo em que busca preservar a diversificação dos destinos, a competitividade da cadeia e a presença internacional da carne bovina brasileira.

ESTADAO