Renegociação de dívidas entre idosos cresce 17,9% no RN com pressão nas contas

Os consumidores com 65 anos ou mais ampliaram a renegociação de dívidas no Rio Grande do Norte em 2026. Entre janeiro e agosto, foram fechados 12,9 mil acordos por pessoas dessa faixa etária, crescimento de 17,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo levantamento da Serasa. O percentual ficou acima da expansão de 12,3% observada no conjunto dos consumidores potiguares, que realizaram 609,9 mil acordos nos oito primeiros meses deste ano.
O movimento ocorre em um período marcado pela manutenção da inadimplência em níveis elevados no País e mostra que uma parcela maior dos consumidores mais velhos procura regularizar as pendências financeiras. Embora o levantamento estadual sobre renegociações considere pessoas a partir dos 65 anos, os dados nacionais de inadimplência da Serasa agrupam consumidores com 60 anos ou mais. Nessa faixa, o número de inadimplentes cresceu 10,7% entre agosto de 2025 e agosto de 2026, maior alta entre os grupos etários analisados.
O comportamento ganha peso no Rio Grande do Norte diante do envelhecimento da população. Dados do Censo Demográfico de 2022 mostram que 10,5% dos habitantes potiguares tinham 65 anos ou mais, proporção superior aos 7,5% registrados em 2010. O índice de envelhecimento do Estado — quantidade de pessoas com 60 anos ou mais para cada 100 crianças de até 14 anos — passou de 39,9 para 80,4 no mesmo intervalo.
A maior procura pela renegociação, porém, não significa que as dificuldades financeiras desse grupo tenham diminuído. No País, o total de consumidores negativados chegou a 83,98 milhões em agosto, segundo a Serasa. Pessoas com mais de 60 anos representavam 20,1% dos inadimplentes, atrás dos consumidores de 41 a 60 anos, com 35,8%, e daqueles entre 26 e 40 anos, responsáveis por 33,2%.
“Os dados mostram um movimento importante: os idosos estão buscando cada vez renegociar suas dívidas. Ao mesmo tempo, o crescimento da inadimplência indica que esse esforço acontece em um cenário de pressão financeira”, afirma Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira. “Por isso, além de renegociar, é importante que esses consumidores tenham suporte e orientação para reorganizar o orçamento e evitar que novas dívidas levem a um novo ciclo de inadimplência.”
O movimento registrado no Rio Grande do Norte acompanha uma tendência nacional. Brasileiros com 65 anos ou mais fecharam 849 mil acordos entre janeiro e agosto, crescimento de 23,1% em comparação com os oito primeiros meses de 2025. Foi a maior expansão proporcional entre todas as faixas etárias analisadas pela Serasa.
Mesmo com o crescimento, os idosos ainda respondem por uma parcela reduzida das renegociações. Os consumidores com pelo menos 65 anos concentraram 2,2% dos acordos fechados no País no período, menor participação entre os grupos etários avaliados.
Considerando consumidores de todas as idades, foram realizados 38,3 milhões de acordos nos oito primeiros meses de 2026, crescimento de 17,2% sobre igual intervalo do ano passado. O desempenho do grupo com 65 anos ou mais, portanto, superou em 5,9 pontos porcentuais a média nacional.
No Rio Grande do Norte, a diferença também é observada. Enquanto as renegociações avançaram 12,3% no conjunto dos consumidores, entre os potiguares com 65 anos ou mais o aumento chegou a 17,9%, diferença de 5,6 pontos porcentuais. O dado indica que a população mais velha ampliou sua participação no movimento de regularização das dívidas ao longo deste ano.
O cenário nacional, contudo, mostra que o aumento das negociações ocorre paralelamente à entrada de novos consumidores na inadimplência. Em agosto, o País tinha 83,98 milhões de pessoas negativadas, ante aproximadamente 78,8 milhões no mesmo mês de 2025. A expansão ocorre em meio ao comprometimento do orçamento familiar com despesas recorrentes e custos financeiros associados ao crédito.
O crescimento das renegociações ocorre também em meio à ampliação das ofertas disponibilizadas aos consumidores. A plataforma Serasa Limpa Nome reúne mais de 2,2 mil empresas parceiras de diferentes segmentos e cerca de 738 milhões de propostas para pagamento de débitos, algumas com descontos de até 90%.
As condições variam de acordo com o credor, tipo de dívida e perfil do débito. Em agosto, as ofertas disponíveis na plataforma representavam mais de R$ 1,1 trilhão em dívidas passíveis de negociação. No mesmo mês, o valor médio dos acordos realizados pelos consumidores foi de R$ 741.
Além dos canais digitais, iniciativas recentes procuram ampliar o acesso presencial às renegociações. Uma parceria entre Serasa e Correios passou a permitir a negociação de dívidas elegíveis ao programa Desenrola em mais de 10 mil agências espalhadas pelo País. A alternativa pode atender principalmente consumidores que encontram dificuldade no acesso ou uso de plataformas digitais.
No caso dos consumidores mais velhos, a combinação entre aumento das renegociações e crescimento da inadimplência mostra duas tendências simultâneas. De um lado, mais pessoas buscam condições para quitar compromissos acumulados; de outro, continua crescendo o contingente que encontra dificuldade para manter as contas em dia. No Rio Grande do Norte, os 12,9 mil acordos fechados por consumidores com 65 anos ou mais até agosto mostram que esse grupo avança mais rapidamente na busca pela regularização financeira do que a média dos consumidores do Estado.
AGORA RN















