A nova pesquisa Futura Inteligência aponta um cenário de polarização intensa para a eleição de 2026. No primeiro turno, o presidente Lula lidera com 39,8% das intenções, seguido de perto por Flávio Bolsonaro com 37,3%. O empate técnico reflete a divisão do eleitorado dentro da margem de erro.
Em cenários alternativos sem a presença de Romeu Zema, a distância entre os líderes diminui ainda mais. Lula aparece com 38,4% contra 38,2% de Flávio, consolidando a força de ambos no topo da disputa. Nesse quadro, Ronaldo Caiado atinge 6,0%, enquanto os demais candidatos mantêm percentuais baixos.
Na ausência do presidente Lula, o senador Flávio Bolsonaro assume a liderança isolada com 38,4%. O ex-ministro Fernando Haddad surge como o principal herdeiro da esquerda, registrando 21,3% dos votos. Ronaldo Caiado e Romeu Zema seguem na sequência, enquanto o número de brancos e nulos cresce.
As simulações de segundo turno trazem um dado relevante: Flávio Bolsonaro venceria o atual presidente. O senador registra 48% das intenções de voto, superando os 42,6% alcançados por Luiz Inácio Lula da Silva. O levantamento aponta que a vantagem de Flávio se mantém acima da margem de erro de 2,2 pontos.
Lula, por outro lado, mantém a dianteira quando enfrenta outros nomes da direita e centro-direita nacional. Contra Ronaldo Caiado, o petista vence por 43,9% a 38,8%, e contra Romeu Zema o placar é 44,8% a 38,0%. Nesses confrontos, o índice de votos brancos e nulos aumenta consideravelmente, superando a marca de 14%.
A pesquisa finaliza mostrando que Flávio Bolsonaro amplia sua vantagem se o adversário for Fernando Haddad. Nesse embate direto, o senador chega a 48,3% contra 34,8% do ministro, evidenciando uma distância maior.
Foram ouvidas 2.000 pessoas em todo o país, entre os dias 7 e 11 de abril, por meio de entrevistas telefônicas assistidas por computador. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O índice de confiança é de 95%.
A pesquisa foi realizada com recursos próprios do instituto e está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-08282/2026.
O reconhecimento do Transtorno do Espectro Autista (TEA) como deficiência para todos os efeitos legais representou um avanço significativo na legislação brasileira, ampliando a proteção jurídica de servidores públicos diagnosticados com o transtorno. A Lei nº 12.764/2012, conhecida como Lei Berenice Piana, estabelece esse enquadramento e ativa a aplicação de um conjunto robusto de normas, incluindo a Lei nº 13.146/2015 (Lei Brasileira de Inclusão), a Lei nº 9.029/1995 e a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, incorporada ao ordenamento com status constitucional.
Na prática, esse arcabouço garante proteção contra discriminação em todas as etapas da vida funcional, abrangendo ingresso no serviço público, permanência no cargo, progressão na carreira, acesso a promoções e condições adequadas de trabalho.
Apesar disso, a realidade ainda revela um cenário de barreiras silenciosas.
Segundo a advogada Mylena Leite Ângelo, especialista em Direito do Servidor Público, a discriminação raramente se apresenta de forma explícita. “Na maioria dos casos, não há uma negativa formal. O que ocorre é a ausência de adaptações, a exclusão de oportunidades e decisões administrativas que, na prática, limitam o desenvolvimento profissional”, afirma.
Esse tipo de situação pode resultar em estagnação na carreira, perda de competitividade em processos internos e isolamento no ambiente de trabalho. Servidores com TEA, muitas vezes, deixam de receber funções estratégicas, são preteridos em promoções ou enfrentam dificuldades para acessar condições adequadas de trabalho.
A legislação brasileira estabelece que a adaptação razoável é um dever da Administração Pública. Isso inclui ajustes no ambiente, na rotina e na forma de execução das atividades, sempre que necessário para garantir igualdade de condições no exercício da função.
Para Mylena Leite Ângelo, o principal desafio está na efetividade desses direitos. “O reconhecimento legal já existe, mas a aplicação prática ainda é limitada. Muitos servidores sequer sabem que possuem essa proteção jurídica”, explica.
Além disso, práticas discriminatórias podem ser questionadas judicialmente, com possibilidade de responsabilização do ente público e indenização por danos morais, especialmente quando comprovado prejuízo à trajetória profissional.
O cenário evidencia um descompasso entre o avanço legislativo e a realidade administrativa, mantendo parte dos servidores com TEA em situação de vulnerabilidade funcional, mesmo diante de um dos mais completos conjuntos de proteção legal do ordenamento brasileiro.
Para entender seus direitos como servidor público com autismo e se proteger de práticas discriminatórias, acesse o Instagram: @mylenaleiteadvocacia
Mylena Leite Ângelo é advogada especialista em Direito do Servidor Público e está à frente do escritório Mylena Leite Advocacia. Fundado em 2012, o escritório atua em todo o Brasil com sede no Rio Grande do Norte. Com mais de 40 colaboradores e mais de 15 mil clientes, já garantiu mais de R$ 100 milhões em direitos para servidores públicos e profissionais da saúde.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve se reunir nesta terça-feira (14) com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, para tratar do envio ao Congresso do projeto que propõe o fim da escala de trabalho 6×1.
A proposta prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com manutenção dos salários e garantia de dois dias de descanso aos trabalhadores. Na segunda-feira (13), Lula confirmou que o texto será encaminhado ao Legislativo ainda nesta semana.
De acordo com Guilherme Boulos, o projeto já está finalizado e depende apenas da reunião entre Lula e Hugo Motta para ser oficialmente enviado ao Congresso Nacional.
A pesquisa realizada pelo instituto Datafolha a respeito do nível de conhecimento e aprovação dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) pela população do Brasil mostrou que Alexandre de Moraes é reconhecido por 89% dos brasileiros, mas tem índice de aprovação negativo.
Já André Mendonça, conhecido por apenas 42% da população, registra a melhor avaliação entre os ministros do Supremo Tribunal Federal.
Os dados são de pesquisa Datafolha realizada entre 7 e 9 de abril, com 2.004 entrevistados em 137 municípios. O instituto calculou um índice de aprovação subtraindo avaliações negativas das positivas.
De acordo com com a Folha de São Paulo, Mendonça alcança +26: 39% o consideram ótimo ou bom, contra 13% de ruim ou péssimo. No extremo oposto, Dias Toffoli registra -16, com 35% de rejeição e apenas 19% de aprovação.
Moraes fecha o ranking com índice de -8. Apesar do alto reconhecimento público, 41% o avaliam negativamente e 33%, de forma positiva.
A avaliação dos ministros segue o alinhamento político dos entrevistados. Entre os que declaram voto em Lula para 2026, Moraes tem 66% de aprovação. Entre os que pretendem votar em Flávio Bolsonaro, a rejeição ao ministro chega a 74%.
Cármen Lúcia, conhecida por 68% dos brasileiros, tem o segundo melhor índice geral: +17. Gilmar Mendes, no STF desde 2002 e reconhecido por 62% da população, aparece entre os de pior avaliação, ao lado de Toffoli e Moraes.
A pesquisa foi registrada no TSE sob o número BR-03770/2026, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Projeto “SmartEduc” utiliza IoT e marca avanço na modernização da gestão educacional da rede municipal
O Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) – Campus Currais Novos e a Prefeitura Municipal de Currais Novos deram um passo decisivo rumo à inovação na educação pública ao realizarem, nesta terça-feira (14), a primeira demonstração prática do sistema “SmartEduc”. A solução tecnológica utiliza reconhecimento facial aliado à Internet das Coisas (IoT) para o registro automatizado da frequência escolar.
A iniciativa é fruto de um convênio inédito entre as instituições e vem sendo desenvolvida no âmbito do laboratório LAICA, com o objetivo de modernizar a gestão educacional e ampliar a aplicação do conhecimento científico em benefício da rede municipal de ensino.
De acordo com o prefeito Lucas Galvão, o projeto nasceu a partir de uma demanda da Secretaria Municipal de Educação e passa a integrar o Programa de Inovação da Educação Municipal, consolidando uma parceria estratégica entre academia e gestão pública.
“O SmartEduc representa um novo capítulo na educação de Currais Novos. Estamos investindo em tecnologia e inovação para garantir mais qualidade na gestão escolar. Essa parceria com o IFRN demonstra que, quando unimos conhecimento científico e compromisso público, conseguimos construir soluções que impactam diretamente a vida dos nossos estudantes e fortalecem o futuro da nossa cidade”, destacou Lucas.
A demonstração realizada hoje contou com a presença do prefeito Lucas Galvão e do secretário municipal de educação, Jorian Santos, que acompanharam, em tempo real, o funcionamento do sistema. A apresentação foi conduzida pelo coordenador do projeto, professor Andouglas Silva, que detalhou as funcionalidades da tecnologia e suas aplicações no cotidiano escolar
Além da coordenação, a equipe de desenvolvimento do “SmartEduc” é formada pelos professores Danilo Cortez e Keylly Eyglys, além do analista de design Claygrégori Salustiano, todos vinculados ao IFRN. A apresentação desta terça-feira marca a primeira validação prática do sistema em ambiente real, evidenciando seu potencial para transformar a rotina das escolas públicas.
O convênio entre o IFRN e a Prefeitura de Currais Novos representa um marco para o Ecossistema Local de Inovação, Vale do Seridó, abrindo caminho para novas iniciativas que integrem tecnologia e desenvolvimento social. A expectativa é que o “SmartEduc” se consolide como referência para outras redes de ensino, reforçando o compromisso com uma educação pública mais eficiente, moderna e alinhada às necessidades da comunidade.
O deputado estadual Francisco do PT acompanhou, nesta segunda-feira (13), uma extensa agenda administrativa ao lado da governadora Fátima Bezerra, em Mossoró, marcada por importantes entregas e ações voltadas ao desenvolvimento da região Oeste.
A programação teve início com a inauguração da reforma da Escola Estadual Professor Eliseu Viana, que recebeu um investimento de R$ 6 milhões, garantindo uma estrutura moderna e mais adequada para estudantes, professores e toda a comunidade escolar.
Na sequência, foi realizada a assinatura da cessão de um prédio para a Liga Contra o Câncer, espaço onde será implantado um centro de diagnóstico de doenças raras, ampliando o acesso da população a serviços especializados de saúde.
Encerrando a agenda administrativa, o deputado participou da visita às obras de reforma e ampliação do Hospital Regional Tarcísio Maia, uma das principais unidades de saúde do estado, que está passando por melhorias significativas em sua estrutura.
Para Francisco, o momento vivido pelo Rio Grande do Norte é de avanços concretos. “Hoje, a gente vê obras acontecendo em todas as regiões do estado, e Mossoró é uma prova disso. São investimentos importantes na educação e na saúde, que impactam diretamente a vida das pessoas”, disse o parlamentar líder do governo na Assembleia Legislativa.
O fim da janela partidária no RN reorganizou o cenário político estadual e acelerou as articulações para as eleições de 2026. Trocas de partido, novas filiações e movimentações de lideranças redesenharam alianças e passaram a influenciar diretamente a disputa pelo Governo do Estado, Assembleia Legislativa e Senado Federal. O movimento no RN segue uma tendência nacional. Na Câmara dos Deputados, mais de 120 parlamentares mudaram de legenda no período, reforçando um ambiente de reacomodação política que também se refletiu no estado.
Entre as principais mudanças está a filiação do ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, ao PL, comandado no RN pelo senador Rogério Marinho. Pré-candidato ao Governo do Estado, ele deixou o Republicanos, assim como a vice-prefeita de Natal, Joanna Guerra. As duas movimentações reforçam o fortalecimento da sigla na capital e sua reorganização para a disputa de 2026.
A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, também ampliou sua base com novas filiações. No PV, o principal movimento foi a chegada do deputado estadual Dr. Bernardo Amorim, que confirmou intenção de disputar uma vaga na Câmara Federal. A esposa dele, Kalina Amorim, também se filiou à legenda e deve concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa.
O grupo reúne nomes com mandato, como Francisco do PT, Isolda Dantas e Divaneide Basílio, que disputarão a reeleição em outubro. Outro nome de destaque na federação é o vereador de Natal Daniel Valença, pré-candidato à Assembleia Legislativa com apoio da deputada federal Natália Bonavides, que também disputará a reeleição. O PV ainda recebeu o deputado estadual Ubaldo Fernandes, que deixou o PSDB.
Presidido no RN pelo deputado estadual Ezequiel Ferreira, presidente da Assembleia Legislativa, o PSDB passou por uma reestruturação interna com foco em competitividade eleitoral. Entre os novos integrantes estão os deputados estaduais Cristiane Dantas (ex-SDD) e Taveira Júnior (ex-União Brasil), além do presidente da Câmara Municipal de Natal, Ériko Jácome, que deixou o PP para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa. A legenda conta ainda com a filiação de Júlia Almeida, ligada ao grupo político de Parelhas, no Seridó.
Apesar do fortalecimento da nominata, o PSDB ainda não definiu seu posicionamento na disputa pelo Governo do Estado. Nos bastidores, a expectativa é de uma possível aproximação com o grupo político do ex-prefeito Álvaro Dias, embora o partido também mantenha histórico de aliança com a governadora Fátima Bezerra (PT). Até o momento, não houve definição oficial.
As mudanças partidárias também alcançaram o interior do estado. O ex-prefeito de Caicó, Bibi Costa, se filiou ao PL, reforçando a legenda no Seridó potiguar. Há expectativa de que ele dispute uma vaga na Assembleia Legislativa ou atue em articulações como suplente em eventual chapa ao Senado, embora nada esteja definido. Já no Vale do Açu, o ex-prefeito de Assú, Gustavo Soares, se filiou ao PSDB, enquanto sua irmã, Luciana Montenegro, ingressou no PV, evidenciando o redesenho de alianças regionais.
Movimentos mais relevantes da janela no RN
Álvaro Dias deixa o Republicanos e se filia ao PL Joanna Guerra também migra para o PL Dr. Bernardo entra no PV e mira Câmara Federal Kalina Amorim se filia ao PV e disputará a ALRN PSDB reforça nominata com Cristiane Dantas, Taveira Júnior e Ériko Jácome Bibi Costa entra no PL e reforça o Seridó Impacto na Assembleia Legislativa
PL: 8 deputados estaduais Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB): 8 parlamentares PSDB: 3 deputados União Progressista (União Brasil e PP): 4 deputados MDB: 1 deputado estadual
Detido nesta segunda-feira (13) em Orlando (Flórida) pelo U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE), a polícia migratória dos Estados Unidos, Alexandre Ramagem estava no país com visto de turismo e tem um processo de asilo em andamento, segundo a empresa que o assessora junto ao governo norte-americano.
Documento emitido pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos indica que o ex-deputado federal está sujeito à remoção ou deportação, conforme as leis migratórias do país.
A informação foi divulgada pelo site Metrópoles e confirmada pelo SBT News. O documento, em inglês, aponta que Ramagem entrou nos Estados Unidos pela última vez em 11 de setembro do ano passado, com visto B2 de turismo, e que sua permanência não poderia ultrapassar 10 de março deste ano.
Segundo o registro, o brasileiro pode ser deportado por ter permanecido no país além do prazo permitido.
A empresa na Flórida que presta assessoria jurídica a Ramagem pertence ao jornalista e influenciador Paulo Figueiredo. Nesta segunda-feira (13), ele afirmou, em publicação na rede social X, que a situação do ex-parlamentar é, até o momento, “meramente migratória”. Também disse que há um pedido de asilo pendente.
A Polícia Federal confirmou a prisão por meio de nota. No comunicado, a corporação afirmou que a detenção é resultado de cooperação internacional entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado.
Embora não cite nominalmente Ramagem, a PF informou que “um brasileiro condenado pelo Supremo Tribunal Federal foi preso pelo ICE”.
No site do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, o nome completo de Alexandre Ramagem aparece com a indicação de que está “sob custódia do ICE”.
Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e ex-deputado federal, Ramagem tornou-se foragido da Justiça brasileira após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos e um mês de prisão, em regime fechado, por crimes relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília.
Ele deixou o país em setembro do ano passado, mês em que a sentença foi definida. O mandato foi cassado em dezembro, e um pedido de extradição foi formalizado em 2025.
Segundo a Polícia Federal, Ramagem atravessou a fronteira do Brasil por terra, em direção à Guiana, e depois seguiu para os Estados Unidos. Fontes da corporação informaram ao SBT que o passaporte diplomático utilizado pelo ex-parlamentar perdeu a validade após a cassação do mandato.
O governo norte-americano não comenta publicamente casos de extradição.
Mesmo sem a oficialização das candidaturas, o cenário político para as eleições de outubro de 2026 no Rio Grande do Norte já começa a se desenhar, com a movimentação de pré-candidatos em diferentes regiões do estado. Hoje, a disputa pelo maior cargo do Executivo estadual se concentra em três nomes: Álvaro Dias (Republicanos), Allyson Bezerra (União Brasil) e Cadu Xavier (PT).
Nos últimos dias, os três pré-candidatos intensificaram agendas públicas e visitas a municípios, em uma estratégia para consolidar bases eleitorais. Também ampliaram a presença em veículos de comunicação e nas redes sociais, com registros de encontros com eleitores e, para apimentar a disputa, até têm trocado farpas e críticas entre si.
No espectro da direita está Álvaro Dias, que é o nome mais experiente entre os postulantes. Médico, exerceu mandatos como deputado estadual e presidiu a Assembleia Legislativa. Ele também foi prefeito de Natal entre 2018 e 2024. Para 2026, conta com o apoio do polo “bolsonarista”, com a bênção do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, além de ter a candidatura articulada pelo senador Rogério Marinho e pelo prefeito de Natal, Paulinho Freire.
Representando a situação governista está Carlos Eduardo Xavier, escolhido a dedo pela atual governadora Fátima Bezerra para substituí-la, além de já ter recebido a “benção” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Cadu Xavier, como é mais conhecido, ocupou nos últimos anos o cargo de secretário estadual da Fazenda. Sem trajetória em cargos eletivos, tem atuação ligada à gestão pública. Utiliza como trunfo o bom trânsito e relacionamento que mantém com o empresariado. De perfil inovador, a pré-candidatura busca responder a críticas da oposição, defendendo o legado petista dos últimos oito anos.
Ao centro, aparece Allyson Bezerra, com 33 anos. Ele foi deputado estadual entre 2019 e 2020 e prefeito de Mossoró entre 2021 e 2026. Servidor público federal, tem formação em Engenharia Civil pela Universidade Federal Rural do SemiÁrido (Ufersa). O pré-candidato adota um posicionamento político de centro, buscando diálogo com eleitores fora da polarização ideológica.
A movimentação antecipada indica que a corrida ficará mesmo concentrada entre os três grupos políticos. Pesquisa recente publicada pelo Instituto Veritá indica um cenário de empate técnico na disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte. No levantamento estimulado, considerando os votos válidos, Allyson Bezerra lidera com 29,6%, seguido por Álvaro Dias (27,5%) e Cadu Xavier (26,6%).
Enquanto as candidaturas não são formalmente oficializadas — algo que deve acontecer entre 20 de julho e 5 de agosto com as convenções partidárias —, os três principais candidatos já “esquentam os motores” das campanhas. Allyson Bezerra, por exemplo, iniciou nas redes uma ação chamada “167 razões RN”, em alusão ao número de municípios do estado. Em vídeos curtos, com inserções de imagens geradas por inteligência artificial, o exprefeito aborda características dos locais visitados por ele. Numa das últimas postagens, Bezerra gravou em Itaú, no Alto Oeste potiguar. Por lá, abraçou moradores, falou de características históricas do município e também reforçou a pré-candidatura.
Dos três principais nomes que concorrem à sucessão governamental, Allyson Bezerra é o que tem os melhores números nas redes sociais. No Instagram, principal plataforma de impulsionamento, ele conta com 369 mil seguidores. Em seguida, aparecem Álvaro Dias e Cadu Xavier, com 120 mil e 39 mil seguidores, respectivamente.
Enquanto Allyson Bezerra foca na interiorização da própria imagem, Álvaro Dias e Cadu Xavier discutem nas redes sociais. Em entrevistas à TV e a rádios, o exprefeito de Natal fez duras críticas ao Governo Fátima Bezerra, apontando falhas nas áreas de educação e segurança. Além disso, ele pontuou que o Estado teria sido negligente ao não instalar hospitais de campanha nem ampliar leitos de UTI durante a pandemia de Covid19. Em resposta, o exsecretário estadual classificou as declarações como “show de horrores” e acusou Álvaro Dias de espalhar informações falsas sobre a atuação do Estado na área da saúde.
No perfil do Instagram, Álvaro Dias utiliza as postagens para divulgar a participação em eventos religiosos e feiras agrícolas em municípios potiguares. Para dissociar a forte imagem da atuação na Prefeitura de Natal, ele tem se apresentado empunhando a bandeira do Rio Grande do Norte.
Já Carlos Eduardo Xavier, o menos conhecido entre os três, utiliza os vídeos para se apresentar formalmente ao público, mostrar a rotina familiar e destacar os feitos promovidos pela gestão Fátima Bezerra. Num dos últimos vídeos, o exsecretário estadual discorreu sobre a obra de duplicação da BR304, tocada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), cujo início é um dos trunfos políticos da atual gestão petista.
Regras para pré-candidaturas
Apesar de o período de campanha eleitoral começar formalmente no dia 16 de agosto, as lideranças já intensificam suas agendas públicas pelo estado. No entanto, a Justiça Eleitoral estabeleceu regras que disciplinam o período de précampanha. As normas estão previstas principalmente na Lei das Eleições (9.504/1997) e em resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Os pré-candidatos podem participar de entrevistas, debates e eventos, além de apresentar propostas e posicionamentos políticos. Entretanto, é proibido expressamente fazer pedidos explícitos de voto, inclusive por meio de expressões que tenham o mesmo sentido.
Nas redes sociais, é permitido manifestar opiniões políticas e divulgar ações, respeitando os limites legais.
O impulsionamento de conteúdo pago é permitido na pré-campanha, desde que contratado diretamente com plataformas, sem pedido de voto e com transparência nos gastos.
Também proibida a veiculação de propaganda política paga em rádio e televisão antes do início oficial da campanha. Emissoras de rádio e TV não podem transmitir ao vivo prévias partidárias, embora a cobertura jornalística seja permitida.
O descumprimento das regras pode resultar em multa que varia de R$ 5 mil a R$ 25 mil, ou valor equivalente ao custo da propaganda irregular, caso seja maior. A penalidade pode atingir tanto o responsável quanto o beneficiário, se houver comprovação de conhecimento prévio.
As chuvas que atingem o Rio Grande do Norte desde o último fim de semana devem continuar nos próximos dias, além de apresentar tempo parcialmente nublado, pelo menos até o próximo sábado (18). A previsão é da Unidade Instrumental de Meteorologia da Empresa de Pesquisa Agropecuária do RN (Emparn).
A Emparn também prevê chuvas fortes com trovoadas na região do Alto Oeste nesta terça-feira (14). De acordo com o órgão, a região Agreste foi onde registrou o volume de chuva, com precipitações variando entre 80 e 90 milímetros. Já Natal, teve um acumulado de 98,4 milímetros da última sexta-feira (10) até esta segunda-feira (13).
O meteorologista Gilmar Bristot classifica como normal a ocorrência de chuvas dessa intensidade neste período do ano, tendo em vista que o mês de abril faz parte do período chuvoso no Rio Grande do Norte.
“Estamos em um dos meses que mais chove no ano aqui no Estado. As chuvas deverão continuar porque a Zona de Convergência, que é o sistema meteorológico que está causando as chuvas aqui no Estado, deverá continuar atuando sobre a região”, afirmou Bristot.
Gilmar explica que as condições dos oceanos estão favoráveis, mesmo com o Oceano Pacífico apresentando um aquecimento nas últimas semanas. Já o Oceano Atlântico esquentou bastante, segundo o meteorologista da Emparn, registrando temperaturas acima de 29 graus próximo do litoral, fazendo com que haja muita injeção de umidade aqui no setor Leste.
“E essa umidade é carregada para o interior do Estado através do vento, fazendo com que as estabilidades produzam chuvas com intensidade moderada a forte em alguns municípios, como nós observamos no final de semana”, acrescenta Gilmar.
A saúde pública virou o principal tema da pré-campanha ao Governo do Rio Grande do Norte. Nas últimas semanas, pré-candidatos e seus aliados passaram a travar uma disputa de narrativa em torno de temas como qualidade do serviço público no Estado, entregas, atrasos e projetos em andamento.
O embate envolve, principalmente, o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL), o ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União) e o ex-secretário estadual da Fazenda Cadu Xavier (PT) — que são adversários na corrida para o governo. Cada um busca consolidar sua imagem a partir de realizações e críticas aos adversários, tendo como pano de fundo a demanda por melhorias na assistência à saúde no Estado.
Álvaro Dias tem sido um dos principais alvos dos questionamentos, em razão da situação do Hospital Municipal de Natal. A unidade foi inaugurada oficialmente no fim de 2024, mas nunca entrou em funcionamento pleno. Mais de um ano depois da solenidade de inauguração, o equipamento segue em obras na Avenida Omar O’Grady, na Zona Sul da capital.
Em visita ao local na semana passada, Cadu Xavier classificou o hospital como um exemplo de obra inconclusa e criticou o ex-prefeito de Natal por ter inaugurado o equipamento sem condições de funcionamento.
“Estamos aqui no Hospital Municipal. Mais uma obra inacabada do ex-prefeito Álvaro Dias. Esse hospital aqui, que nem está funcionando nem está pronto, foi inaugurado há mais de um ano pelo ex-prefeito de Natal. Para de mentir, prefeito”, afirmou Cadu em vídeo divulgado nas redes sociais.
A crítica integra a estratégia do campo governista de enquadrar Álvaro Dias como mau gestor. Além do Hospital Municipal, Cadu Xavier tem citado outras obras inauguradas pelo ex-prefeito sem estarem totalmente acabadas, como o Mirante da Ladeira do Sol, a engorda da praia de Ponta Negra e o Complexo Turístico da Redinha.
Álvaro Dias rebate as acusações e nega que projetos tenham sido abandonados em Natal. “Existem obras em execução, com contratos vigentes e recursos assegurados”, afirmou Álvaro, em nota divulgada na semana passada. “Classificar obra em execução como ‘inacabada’ é desconhecimento técnico ou má-fé política”, declarou.
Especificamente sobre o Hospital Municipal, Álvaro Dias afirmou, em entrevista à Band RN no dia 7, que a unidade depende apenas de “alguns ajustes” para abrir ao público e iniciar os atendimentos. “Eu falei com Paulinho Freire (atual prefeito de Natal). Ele disse que, na primeira semana de junho, estará funcionando”, acrescentou.
Na área da saúde, Álvaro Dias também tem destacado o trabalho realizado durante a pandemia de Covid-19, quando sua gestão abriu centros de atendimento pela cidade e instalou um hospital de campanha na Via Costeira.
Hospital de Mossoró como vitrine Enquanto Álvaro Dias se defende das críticas, Allyson Bezerra utiliza a inauguração do Hospital Municipal de Mossoró Francisca Conceição da Silva como uma das principais vitrines de sua administração.
A unidade tem 1,7 mil metros quadrados de área construída e começou a realizar consultas, exames e cirurgias no dia seguinte à inauguração, em janeiro deste ano. A entrega passou a ser explorada politicamente como exemplo de gestão eficaz e compromisso com resultados concretos.
Ao comentar a diferença entre os projetos hospitalares de Mossoró e Natal, Allyson tem sido enfático em defender que obras públicas devem ser entregues apenas quando estiverem prontas para funcionar. “Não entrego obra pela metade”, afirmou o ex-prefeito.
Em entrevista à Band RN também na semana passada, Allyson subiu o tom e chegou a classificar Álvaro Dias como o “prefeito das meias obras”. “Como é que se inaugura um hospital e hoje, depois de um ano e três meses, esse hospital não fez um exame de sangue, não fez um exame de urina, não verificou a pressão de ninguém, não fez nem sequer uma cirurgia, não fez nada?”, afirmou.
“Em Mossoró não é propaganda. Inaugurei na quinta-feira à noite. Na sexta-feira pela manhã, o hospital já estava funcionando”, afirmou.
Governismo aposta no Hospital Metropolitano Paralelamente, o governo estadual, liderado pela governadora Fátima Bezerra (PT), busca consolidar sua própria narrativa na área da saúde por meio da construção do Hospital Metropolitano do Rio Grande do Norte, em Emaús, no município de Parnamirim. A obra é apontada como estratégica para reorganizar a rede hospitalar e reduzir a pressão sobre o Hospital Walfredo Gurgel, principal unidade de urgência e emergência do Estado.
Com investimento superior a R$ 200 milhões e recursos vinculados ao Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o equipamento deverá contar com 350 leitos e estrutura voltada à média e alta complexidade.
Na semana passada, os secretários Alexandre Motta (Saúde) e Gustavo Coelho (Infraestrutura) convidaram a imprensa para uma visita às obras do hospital para mostrar que os serviços estão em execução. Foi uma reação ao deputado estadual de oposição Gustavo Carvalho (PL), que denunciou na Assembleia Legislativa que as obras estavam paralisadas.
Rede estadual de saúde Em meio à pré-campanha, o governo estadual também é frequentemente criticado pelas condições estruturais precárias de unidades como o Hospital Walfredo Gurgel e por atrasos no pagamento de fornecedores da saúde — o que leva à suspensão da oferta de serviços.
Em entrevista à Band RN, Álvaro Dias declarou na semana passada que a saúde pública do Rio Grande do Norte está “sucateada”. “Você vai no Hospital Walfredo Gurgel e as macas continuam nos corredores, como há 7 anos, quando a professora Fátima Bezerra começou o seu governo. Por que ela não fez um investimento necessário e não solucionou o problema? Por incompetência. Temos os hospitais regionais. Se o governo investisse, levasse especialidades médicas, dotasse com infraestrutura, com treinamento, equipamentos e medicamentos, o Walfredo Gurgel não vivia superlotado. Os casos seriam resolvidos na origem. O problema é que os hospitais regionais estão sucateados, porque o governo deixou de investir”, afirmou o ex-prefeito de Natal.
Além de citar a obra do Hospital Metropolitano, o governo iniciou uma campanha publicitária em que afirma que a saúde pública está “melhor” do que antes. Além do Hospital Metropolitano, a gestão estadual cita outros investimentos para fundamentar a narrativa. De acordo com a Secretaria de Saúde Pública (Sesap), entre 2019 e 2025, o número de leitos de UTI adulto saiu de 98 para 220 no RN.
Além disso, o governo tem citado investimentos como reformas em hospitais, criação da barreira ortopédica de Macaíba, a abertura do Hospital da Mulher e a construção de policlínicas.
O Rio Grande do Norte registrou aumento de 13,02% nos casos de dengue no primeiro trimestre de 2026, segundo o Ministério da Saúde, passando de 1.943 para 2.196 notificações em relação ao mesmo período do ano anterior. O RN é o terceiro estado do Nordeste com maior incidência de casos.
Só em março deste ano, o estado registrou 1.216 casos de dengue — o maior volume mensal do trimestre e superior aos 962 contabilizados no mesmo período de 2025. No primeiro trimestre de 2026, registrou-se a morte de um adolescente de 12 anos, natural de Tibau, que estava internado em uma unidade de saúde em Mossoró, onde recebeu atendimento em estado crítico. Outros três óbitos estão em investigação.
A cada 100 mil habitantes, foram registrados 68,8 casos de dengue no período analisado. No ranking, o Rio Grande do Norte aparece atrás apenas do Piauí, com 125,7 casos por 100 mil habitantes, e do Maranhão, com 74,5 casos por 100 mil habitantes no primeiro trimestre de 2026. Dos 2.196 casos de dengue registrados no primeiro trimestre, 22 foram considerados graves no estado.
A dengue atinge, em sua maioria, mulheres, que representam 52% dos casos registrados. Em relação à faixa etária, a maior incidência ocorre entre pessoas de 20 a 29 anos. A maioria dos casos ocorre entre pessoas pardas (53,1%), seguidas por brancas (21,5%), pretas (2,5%) e indígenas (1%).
Outras arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti apresentaram queda no estado. No caso da chikungunya, no primeiro trimestre de 2026, foram registrados 410 casos, frente a 445 no mesmo período de 2025. Já os casos de Zika caíram de 1.533 em 2025 para 952 em 2026.
A infectologista do Huol-UFRN-Ebserh Gisele Borba explica que o aumento nos casos de dengue tem relação com o período do ano. “Casos de dengue costumam aumentar em períodos chuvosos, quando se tem a deposição de água parada, onde os insetos depositam seus ovos”, destaca.
Para conter o avanço dos casos, ela recomenda a atenção contínua da população às medidas de prevenção já conhecidas. “As medidas já conhecidas de evitar acúmulo de água parada permanecem importantes. É indicado que as pessoas busquem reservatórios de água parada em torno e dentro de casa pelo menos uma vez por semana, ou sempre após uma chuva maior. Assim, evitam-se os criadouros de mosquitos”, explica a infectologista.
Os principais sintomas da dengue incluem febre alta de início repentino, dor de cabeça intensa, dores musculares e articulares, dor atrás dos olhos e manchas vermelhas pelo corpo. A doença também pode causar prostração e náuseas, com duração média variando entre dois e sete dias.
Conforme a especialista, uma diferença importante em relação às viroses respiratórias é a ausência de sintomas como coriza, obstrução nasal e tosse. A dengue é frequentemente descrita como uma “gripe seca”, em que a febre e as dores no corpo se destacam como sinais mais característicos.
Segundo ela, uma das formas consideradas mais eficazes de prevenção é a vacinação. A imunização de grupos prioritários tem como objetivo reduzir a ocorrência de casos graves da doença e a pressão sobre o sistema de saúde. Além da oferta na rede pública, a vacina também pode ser encontrada na rede privada.
Vacina
A vacinação contra a dengue é voltada, na rede pública, a grupos prioritários, com destaque para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária que apresenta maior risco de desenvolver formas mais graves da doença.
Segundo Gisele Borba, a estratégia busca reduzir a ocorrência de casos graves nesse público. “A gente ainda não tem vacina disponível na rede pública para que haja realmente uma diminuição muito grande de casos, como você tem em uma vacinação em massa”, defende.
Apesar da alta nos casos, a procura pela vacinação contra a dengue ainda é considerada baixa, segundo profissionais das Unidades Básicas de Saúde de Natal. Mesmo com a disponibilização de diferentes imunizantes no sistema público, a adesão da população segue abaixo do esperado entre o público-alvo prioritário.
De acordo com Verushka Ramos, chefe do Núcleo de Agravos Imunopreveníveis (NAI) de Natal, a baixa procura está relacionada ao receio de reações adversas após a aplicação. “As pessoas têm muito receio de tomar a vacina por conta das reações que a vacina dá. Ela é bem reatogênica. Então isso é um ponto negativo dela”, destaca.
Os efeitos mais comuns da vacina contra a dengue incluem dor no local da aplicação, dor de cabeça, cansaço, mialgia (dor muscular) e febre. Essas reações costumam surgir nas primeiras 72 horas após a aplicação e, em geral, são leves e temporárias.
Atualmente, o estado trabalha com duas vacinas contra a dengue. Uma delas, da Takeda, incorporada em 2024, é aplicada em duas doses e voltada para adolescentes de 10 a 14 anos. Já a vacina do Instituto Butantan, de dose única, passou a ser utilizada mais recentemente e é destinada a pessoas de 15 a 59 anos, mas com foco em trabalhadores da atenção básica de saúde, sendo distribuída nas unidades onde esses profissionais atuam.
Verushka Ramos aponta que, embora haja disponibilidade de vacinas para os grupos prioritários, a procura ainda não acompanha a oferta das doses. Segundo ela, esse cenário mantém a cobertura vacinal abaixo do ideal.
A vacina contra a dengue é uma das estratégias utilizadas na saúde pública para reduzir o risco de formas graves da doença, hospitalizações e mortes. Ela atua estimulando o sistema imunológico a desenvolver proteção contra os quatro sorotipos do vírus, contribuindo para a diminuição da circulação da doença na população.
O cenário das pré-candidaturas aos governos estaduais para as eleições de 2026 repete, até o momento, a baixa representatividade feminina observada em pleitos anteriores. A corrida ao Palácio do Planalto pode não contar com nenhuma mulher, enquanto a presença feminina nas disputas pelos Executivos estaduais permanece reduzida. A configuração apresenta ligeira melhora apenas nas candidaturas ao Senado.
No discurso político, entretanto, partidos de diferentes espectros ideológicos têm buscado dialogar com o eleitorado feminino. Pré-candidatos à Presidência, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), têm abordado temas como feminicídio e violência de gênero, além de defender propostas voltadas às mulheres, a exemplo da ampliação da transferência de renda e da oferta de creches. Flávio Bolsonaro e Caiado, inclusive, já manifestaram a intenção de escolher mulheres como candidatas a vice em suas chapas.
Os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) evidenciam a relevância desse segmento do eleitorado. Em 2024, as mulheres representavam 52,47% dos votantes no país. Ainda assim, ao definir candidatos para cargos majoritários, os partidos continuam priorizando nomes masculinos. Considerando as pré-candidaturas anunciadas até agora, apenas 11 estados deverão ter mulheres concorrendo aos governos estaduais.
Na maioria das unidades da Federação, a presença feminina tende a se concentrar na disputa pelo Senado — e, em alguns casos, sequer nesse nível. Na Bahia, por exemplo, há ao menos cinco nomes cotados para o governo, todos homens, sem pré-candidaturas femininas confirmadas para a Câmara Alta.
A legislação eleitoral determina que os partidos reservem ao menos 30% das candidaturas para mulheres, sob pena de sanções como cassação do certificado de regularidade, inelegibilidade e anulação dos votos. Contudo, a regra se aplica apenas às eleições proporcionais, como as de vereadores e deputados, não abrangendo os cargos majoritários.
O histórico recente reforça esse desequilíbrio. Em 2022, apenas duas mulheres foram eleitas governadoras no Brasil: Raquel Lyra (PSD), em Pernambuco, e Fátima Bezerra (PT), no Rio Grande do Norte.
No Rio Grande do Norte, duas mulheres figuram entre as principais chapas consideradas competitivas. Na base governista, liderada pelo pré-candidato ao governo Cadu Xavier (PT), a vereadora de Natal Samanda Alves (PT) foi definida como uma das candidatas ao Senado. O outro nome poderá ser Jean Paul Prates ou Rafael Motta, ambos do PDT. A advogada Luciana Montenegro também é cotada para a vaga de vice na chapa, embora ainda não haja confirmação. Já no campo de centro-direita, a senadora Zenaide Maia (PSD) deverá disputar a reeleição na chapa encabeçada por Allyson Bezerra (União).
Pelo menos 55 municípios do Rio Grande do Norte têm dependência extrema de repasses estaduais e federais, com mais de 90% das receitas oriundas de transferências externas. Em alguns casos, esses recursos chegam a representar até 97% da arrecadação total das prefeituras.
Os dados são das Declarações de Contas Anuais (DCA) enviadas pelos municípios à Secretaria do Tesouro Nacional (STN), com base em informações consolidadas de 2024. O balanço de 2025 ainda não foi finalizado.
O levantamento aponta que mais de 120 cidades potiguares apresentam dependência superior a 80% de transferências externas. Em média, cerca de 85% das receitas municipais têm origem em transferências da União e do Estado.
Apenas três municípios — Natal, Mossoró e São Gonçalo do Amarante — apresentam maior capacidade de arrecadação própria, com até 60% das receitas provenientes de tributos locais. De acordo com o estudo, o município mais dependente é São Pedro, no Alto Oeste potiguar, com 97,4% dos recursos frutos de transferências. Para cada 1 real arrecadado em impostos, a cidade recebeu outros 37 reais em recursos federais ou estaduais.
No âmbito nacional, 2.190 municípios apresentam o mesmo cenário, o equivalente a cerca de 40% das cidades brasileiras. As principais transferências constitucionais são os denominados Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e Fundo de Participação dos Estados (FPE), constituídos de parcelas arrecadadas do Imposto de Renda (IR) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Além disso, há divisão do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que é feita pelos governos estaduais.
O presidente da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte, José Augusto de Freitas Rêgo, afirmou que a situação está relacionada à distribuição dos recursos tributários no país. “A divisão desse ‘bolo’ historicamente favorece a União Federal e desprestigia os Municípios. A primeira mudança, portanto, é a revisão dessa injusta repartição”, reclamou.
Dados de estudo da Fundação Getulio Vargas indicam que a arrecadação de impostos representa apenas 5,17% das receitas no Nordeste. Em outras regiões, como Sudeste, Sul e Norte, esse percentual chega a cerca de 9,30%. Além disso, a cobrança de taxas municipais responde por apenas 0,34% das receitas na região.
A pesquisa sugere alternativas para melhorar a arrecadação. Entre elas, o envio de lembretes aos contribuintes para evitar atrasos no pagamento de tributos e a realização de auditorias aleatórias. As medidas têm impacto limitado, mas são consideradas de baixo custo e aplicáveis à gestão municipal.
Ainda de acordo com o presidente da Femurn, a perda de recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) também tem pressionado prefeituras a buscar melhorias na cobrança de tributos locais. José Augusto de Freitas Rêgo defende a revisão do modelo de repartição e a adoção de medidas como combate à sonegação, modernização administrativa e preparação para a transição da reforma tributária entre 2026 e 2033.
“Este novo momento exigirá forte modernização e digitalização das administrações tributárias locais. A Femurn está tentando atuar em todas essas frentes, inclusive apoiando os Municípios diante de nossos novos desafios”, detalhou.
Evento
A Confederação Nacional de Municípios (CNM) promove evento Conexão CNM no Rio Grande do Norte. A iniciativa visa a qualificar os gestores municipais potiguares por meio de cursos presenciais. As atividades ocorrerão nas cidades de Natal e Mossoró. O projeto conta com a parceria da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (Femurn).
O treinamento na capital potiguar acontece nesta segunda-feira (13). A edição de Mossoró será realizada no dia 14 de abril. A participação é gratuita para os municípios filiados que mantêm suas contribuições em dia. Os cursos ocorrerão em um único dia para facilitar o acesso.
Em Natal, os participantes estudarão a proteção da receita durante a transição administrativa. O foco desse módulo será o papel do Imposto sobre Serviços (ISS). O programa também abordará o funcionamento prático da mesa diretora e das comissões. A gestão municipal da política de segurança alimentar e nutricional fechará o cronograma de aulas nas duas cidades.
Segundo o presidente da Femurn, o evento ganha relevância diante das dificuldades enfrentadas pelas prefeituras com os controles internos. “Precisamos preparar os municípios para a fase de transição da Reforma Tributária [do Governo Federal]. É algo grave e complexo. O cenário futuro será radicalmente redesenhado por tal transição. Precisamos de muitos encontros sobre o tema e de muitas horas de treinamento e qualificação para técnicos e gestores”, encerrou.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira que o governo federal enviará ao Congresso Nacional, ainda nesta semana, um projeto que propõe o fim da escala de trabalho 6×1. O tema já é objeto de discussão no Legislativo por meio de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) em tramitação desde o ano passado.
Segundo o chefe do Executivo, a iniciativa pretende reduzir a jornada de trabalho sem diminuição salarial para os trabalhadores. Lula defendeu que a mudança será viável em razão dos ganhos de produtividade decorrentes dos avanços tecnológicos.
Na semana passada, o presidente reiterou a intenção do governo e destacou os fundamentos da proposta. A expectativa do Palácio do Planalto é que a medida contribua para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, sem comprometer a eficiência econômica.
Antes do envio do texto ao Legislativo, Lula deverá se reunir com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para tratar da tramitação da matéria e alinhar estratégias para sua apreciação.
Motta, por sua vez, já afirmou que a eventual apresentação de um projeto de lei pelo governo não deverá alterar o andamento da PEC que trata do mesmo tema e que já tramita na Câmara. A proposta está em análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde se discute a constitucionalidade da matéria.
A PEC em discussão propõe a redução da jornada de trabalho e a extinção da escala 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos para ter direito a um dia de descanso. O assunto tem forte apelo popular e ganha ainda mais relevância em meio ao calendário eleitoral e às discussões sobre direitos trabalhistas.