Flávio volta a questionar eleição e desafia “especialista da NASA” a explicar votos de Lula

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a levantar dúvidas sobre o resultado da eleição presidencial em vídeo publicado nas redes sociais. Ele foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno e está nos Estados Unidos. Na gravação, sem apresentar provas de irregularidade, Flávio diz que não há explicação para o crescimento da votação do petista entre o primeiro e o segundo turno.
“Se você encontra um matemático, alguém especialista de estatística, de probabilidade, de cálculo quântico, da NASA, que explique como é que o Lula tem mais de 10 milhões e 300 mil votos de um turno para o outro, em 20 dias”, afirmou. Ao fim do vídeo, completou: “Matematicamente, isso não fecha.”
Os estados citados
Flávio deu Goiás como primeiro exemplo. Segundo ele, Lula cresceu mais de 43% no estado, apesar do apoio que o senador recebeu do ex-governador Ronaldo Caiado e de cantores sertanejos. “Nada explica. Não tem nenhuma explicação para ele crescer tanto em um estado como Goiás”, disse.
O senador também citou São Paulo, onde, segundo ele, Lula cresceu mais de 35% mesmo com o apoio do governador e do prefeito da capital à candidatura do PL. Mencionou ainda o Rio de Janeiro, seu domicílio eleitoral, e Santa Catarina, onde afirmou que o petista cresceu “três vezes mais” do que ele. “Serve para Rio Grande do Sul, serve para Roraima, serve para o Acre”, acrescentou.
O que dizem os números
O dado de Flávio sobre o total está correto: Lula passou de 53,9 milhões de votos no primeiro turno para 64,3 milhões no segundo, um ganho de cerca de 10,4 milhões. Flávio passou de 56,1 milhões para 59,8 milhões, um ganho de 3,7 milhões.
O resultado oficial mostra de onde veio esse aumento. No primeiro turno, cerca de 8,4 milhões de eleitores votaram em outros candidatos, entre eles o próprio Caiado. No segundo turno, esses votos foram redistribuídos entre os dois finalistas. Além disso, a abstenção caiu de 21,08% para 19,22%, a menor taxa em um segundo turno presidencial desde 2006. Cerca de 3 milhões de eleitores que não tinham votado em 4 de outubro foram às urnas em 25 de outubro.
O vídeo não aponta nenhuma falha concreta nas urnas ou na apuração. Os percentuais de crescimento citados por estado não foram detalhados pelo senador.
Contestação
Flávio não reconheceu a derrota na noite da eleição e anunciou que pediria a anulação do pleito. Depois, aliados informaram que o caminho seria uma ação para cassar a chapa de Lula. Segundo relatos da imprensa, ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) avaliam reservadamente que um pedido de anulação não deve prosperar. Aliados de Flávio, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defenderam publicamente que o resultado seja respeitado.
