RN terá 740 novos casos de câncer por ano

Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que o Rio Grande do Norte deve registrar 740 novos casos anuais de câncer de cabeça e pescoço, nas regiões de cavidade oral, laringe e tireoide, sendo aproximadamente 200 deles concentrados em Natal. Com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP) promove anualmente a campanha Julho Verde. O mês foi escolhido em alusão ao Dia Mundial de Prevenção e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço (27 de julho) e busca conscientizar a população sobre tumores que afetam a boca, tireoide, laringe, faringe e garganta.
O movimento lembra que identificar a doença logo no início é fundamental para o sucesso do tratamento e a cura. Atualmente, cerca de 80% dos pacientes com câncer de cabeça e pescoço descobrem a doença apenas nos estágios III e IV, quando o tratamento costuma ser mais complexo e as chances de cura são reduzidas. Quando identificado precocemente, porém, o índice de cura pode chegar a 90%.
De acordo com Juliana Fernandes, cirurgiã de cabeça e pescoço, a campanha, proposta há quase uma década, instituiu um mês para divulgar as formas de prevenção e facilitar o acesso às informações sobre pequenas lesões que podem permitir o diagnóstico precoce de tumores e, com isso, possibilitar melhores resultados no tratamento. O tratamento pode ocorrer por meio de cirurgias e, em estágios mais avançados, radioterapia e quimioterapia. A cirurgiã destaca a importância desse debate dentro e fora dos consultórios. “Não só os médicos, não só os cirurgiões de cabeça e pescoço, mas todos os médicos, dentistas, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos, gestores e, inclusive, até mesmo os familiares. Porque às vezes um familiar consegue reconhecer alguma coisa diferente na pessoa, e isso já vai ajudar a dar apoio para tratar rapidamente aquela alteração”, reitera.
A especialista revela que há medidas de prevenção que são primordiais quando se trata do câncer relacionado a essas áreas. “Evitar fumar, evitar beber, ter relações sexuais protegidas com camisinha para evitar a transmissão do HPV. Isso tanto no sexo oral, como no sexo vaginal, como no sexo anal — todos os tipos, com camisinha. E protetor solar de todas as formas: uso de chapéu, uso de óculos escuros, uso de camisas de manga comprida com proteção solar. Tudo isso é importante, de uso diário e constante”, aponta.
Juliana Fernandes explica que os principais sintomas atrelados a esse tipo de câncer são feridas e lesões que persistem por mais de 15 dias. “São feridas e aftas na boca, uma rouquidão por mais de três semanas, dificuldade de engolir, dificuldade de falar, nódulos no pescoço; também tem alguns sangramentos que podem ocorrer na cavidade oral, no nariz, na garganta, que acabam se exteriorizando e aparecendo”, pontua.
A cirurgiã reitera que o HPV recentemente tem sido difundido como um fator causal muito importante no câncer de orofaringe. “Antigamente falávamos que o HPV era mais para câncer de colo de útero, mas a incidência na garganta e na faringe já está bem elevada. A gente vê em homens e mulheres que, devido à alta incidência do vírus, ele está gerando esses tumores. Uma das principais formas de prevenção é a vacinação”, afirma. De acordo com a cirurgiã, o câncer de cabeça e pescoço em homens tem maior incidência quando atrelado aos fatores de risco como o tabagismo e o alcoolismo. “Os homens fumam mais e bebem mais. Então, eles têm mais câncer de cabeça e pescoço, mas dos tipos que são influenciados pelo cigarro e pelo álcool. Por exemplo: boca, garganta, faringe e nasofaringe. Porém, o câncer de tireoide é mais incidente nas mulheres”, revela.
Além de reduzir o consumo de tabaco e álcool, proteger-se do sol e ficar atento aos sintomas da doença, a vacinação contra o HPV é uma das principais formas de prevenção. Disponível gratuitamente no SUS para os públicos elegíveis, a vacina é altamente eficaz contra os principais tipos do vírus. Com isso, ela reduz drasticamente o risco de cânceres associados ao HPV, incluindo parte dos tumores de cabeça e pescoço. “Os vapes são uma caixinha de surpresas, pois a gente não sabe dizer ao certo a quantidade de substâncias tóxicas que contêm e qual é a sua composição. São muitas marcas e eles usam composições diferentes. E a gente não consegue dimensionar, de fato, a agressividade. Mas já é bem estabelecido que os componentes são agressivos, são cancerígenos e piores do que os do cigarro convencional”, finaliza.
Registros de câncer no RN
A Liga Norte-Riograndense Contra o Câncer, único Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (CACON) do Rio Grande do Norte, é responsável por absorver 65% da demanda oncológica do estado, atendendo um público majoritariamente dependente do SUS (70%). Em 2025, a Liga realizou 22.835 procedimentos direcionados a esse tipo de câncer.
Os registros da instituição dividem-se em 14.295 consultas, além de 4.303 procedimentos cirúrgicos e 4.237 procedimentos diversos, como exames endoscópicos, biópsias e pequenas cirurgias de lesões cutâneas. A instituição filantrópica oferece uma linha de cuidado integral descentralizada em sete unidades assistenciais distribuídas entre Natal, Seridó e Vale do Açu, além de manter uma casa de acolhimento.
tribuna do norte
